Antipatia mútua
João
Paulo II não gostou de
encontro
com Clinton
De
todos os líderes do planeta com os quais João Paulo
II se encontrou, somente o presidente Bill Clinton não caiu
no seu agrado. Gianfranco Fineschi, ortopedista que trata de João
Paulo II desde o atentado de 1981 e que manteve várias conversas
informais com o papa nos últimos vinte anos, fez a inconfidência
em entrevista publicada na quinta-feira passada pela revista italiana
Oggi. Em duas décadas de pontificado, João
Paulo II já ultrapassou a marca de 1 milhão de quilômetros
viajados ao redor da Terra, realizando mais de noventa visitas pastorais
fora da Itália. Nessas viagens, e em recepções
oficiais no Vaticano, encontrou-se com quase todos os poderosos
que fizeram a História do final do século XX. Esteve
com Fidel Castro e com Mikhail Gorbachev, com a rainha Elizabeth
II da Inglaterra e com o ditador chileno Augusto Pinochet. De todos,
segundo Fineschi, só não foi com a cara de Clinton.
"Eu falava e ele não prestava atenção. Preferia
ficar olhando para as paredes, admirando os afrescos e as pinturas",
disse o papa ao médico.
João
Paulo II e Bill Clinton estiveram juntos quatro vezes. Apenas um
dos encontros ocorreu em Roma, em 1994. Depois de conversarem em
tom frio e formal, os dois reconheceram que discordavam em vários
aspectos, principalmente no que se referia ao aborto e aos métodos
de controle de natalidade. Em 1999, no último encontro, o
papa desembarcou na cidade americana de Saint Louis exatamente no
momento em que o impeachment de Clinton estava sendo analisado pelo
Congresso. "É tempo de julgamento de toda a cultura americana",
alfinetou o pontífice, ao ser recebido pelo presidente no
aeroporto.
Na
entrevista, o ortopedista relatou outras confidências de João
Paulo II. Em sua cruzada contra o comunismo, o papa conversou algumas
vezes com o ex-ditador polonês Wojciech Jaruzelski. "Ele me
disse: 'Sou católico, mas, diante do Exército Vermelho,
isso não vale nada'". No fim da década de 80, em visita
ao Chile, o pontífice teria ouvido algo semelhante de Pinochet
ao exortá-lo a deixar o poder. "Depois de nosso encontro,
ele tentou, dentro de certos limites, relaxar alguns aspectos de
seu regime." Na entrevista, Fineschi tocou no ponto mais sensível:
a saúde do papa. O médico admitiu que João
Paulo II sofre do mal de Parkinson, uma doença degenerativa
do sistema nervoso central. O Vaticano sempre negou que o papa esteja
doente, apesar de seu aspecto alquebrado e do tremor intenso de
suas mãos indicarem o contrário.
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