Internacional Vaticano

Esta semana
Sumário
Brasil
Internacional
Estados Unidos: Juros baixos e pânico exagerado
O papa não gostou de Clinton
Médico inglês pode ter matado 297 pacientes
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

Colunas
Diogo Mainardi
Claudio de Moura Castro
Sérgio Abranches
Roberto Civita

Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos de 2000

Arquivos VEJA
Para pesquisar nos arquivos da revista, digite uma ou mais palavras

Busca detalhada
Arquivo 1997-2000
Busca somente texto 96|97|98|99
Os mais vendidos
 

Antipatia mútua

João Paulo II não gostou de encontro
com Clinton

De todos os líderes do planeta com os quais João Paulo II se encontrou, somente o presidente Bill Clinton não caiu no seu agrado. Gianfranco Fineschi, ortopedista que trata de João Paulo II desde o atentado de 1981 e que manteve várias conversas informais com o papa nos últimos vinte anos, fez a inconfidência em entrevista publicada na quinta-feira passada pela revista italiana Oggi. Em duas décadas de pontificado, João Paulo II já ultrapassou a marca de 1 milhão de quilômetros viajados ao redor da Terra, realizando mais de noventa visitas pastorais fora da Itália. Nessas viagens, e em recepções oficiais no Vaticano, encontrou-se com quase todos os poderosos que fizeram a História do final do século XX. Esteve com Fidel Castro e com Mikhail Gorbachev, com a rainha Elizabeth II da Inglaterra e com o ditador chileno Augusto Pinochet. De todos, segundo Fineschi, só não foi com a cara de Clinton. "Eu falava e ele não prestava atenção. Preferia ficar olhando para as paredes, admirando os afrescos e as pinturas", disse o papa ao médico.

João Paulo II e Bill Clinton estiveram juntos quatro vezes. Apenas um dos encontros ocorreu em Roma, em 1994. Depois de conversarem em tom frio e formal, os dois reconheceram que discordavam em vários aspectos, principalmente no que se referia ao aborto e aos métodos de controle de natalidade. Em 1999, no último encontro, o papa desembarcou na cidade americana de Saint Louis exatamente no momento em que o impeachment de Clinton estava sendo analisado pelo Congresso. "É tempo de julgamento de toda a cultura americana", alfinetou o pontífice, ao ser recebido pelo presidente no aeroporto.

Na entrevista, o ortopedista relatou outras confidências de João Paulo II. Em sua cruzada contra o comunismo, o papa conversou algumas vezes com o ex-ditador polonês Wojciech Jaruzelski. "Ele me disse: 'Sou católico, mas, diante do Exército Vermelho, isso não vale nada'". No fim da década de 80, em visita ao Chile, o pontífice teria ouvido algo semelhante de Pinochet ao exortá-lo a deixar o poder. "Depois de nosso encontro, ele tentou, dentro de certos limites, relaxar alguns aspectos de seu regime." Na entrevista, Fineschi tocou no ponto mais sensível: a saúde do papa. O médico admitiu que João Paulo II sofre do mal de Parkinson, uma doença degenerativa do sistema nervoso central. O Vaticano sempre negou que o papa esteja doente, apesar de seu aspecto alquebrado e do tremor intenso de suas mãos indicarem o contrário.

 

Copyright 2001
Editora Abril S.A.
  VEJA on-line | Veja São Paulo | Veja Rio | Veja Curitiba
Veja BH | Veja Fortaleza | Veja Porto Alegre | Veja Recife
Edições especiais | Especiais on-line | Estação Veja
Arquivos | Próxima VEJA | Fale conosco