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Transferido: duas vezes de prisão, em menos de 24 horas, o juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto, o Lalau dos desvios de verbas destinadas à construção do Fórum Trabalhista de São Paulo. Preso em cela individual desde o dia 8 de dezembro na Casa de Custódia da Polícia Federal, na capital paulista, ele foi mandado para o 77º Distrito Policial, mas retornou graças a um pedido de habeas-corpus, cuja liminar foi concedida pelo Superior Tribunal de Justiça. No distrito, o juiz ficou com o jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves, assassino confesso da namorada, Sandra Gomide, e o advogado José Alves de Brito Filho, acusado de desviar processos do Tribunal de Justiça. Dias 3 e 4, em São Paulo.

Anunciados: pelo Banco Central a emissão das notas de 2 e de 20 reais, com circulação prevista para o segundo semestre. As novas cédulas vão facilitar o troco e terão o padrão gráfico das atuais, com a imagem de um animal da fauna brasileira. Espécies ameaçadas de extinção, como o mico-leão-dourado, o tamanduá-bandeira e o jacaré-do-papo-amarelo, estão entre as mais cotadas para conviver com o beija-flor, a garça, a arara, a onça-pintada e a garoupa, que povoam a grana brasileira de 1 a 100 reais. Dia 3, em Brasília.

o fechamento da revista americana George, fundada pelo empresário John Kennedy Jr., filho do ex-presidente americano. Depois da morte de Kennedy Jr., em julho de 1999, num acidente aéreo, o magazine político passou por uma fracassada reforma, sem sucesso. Dia 4, em Nova York.

Morreram: o ator americano Jason Robards, de Era uma Vez no Oeste, Divórcio à Americana e Filadélfia, em uma carreira de mais de cinqüenta filmes. Ganhou o Oscar de melhor coadjuvante, em 1977, por sua atuação como o editor do Washington Post em Todos do Homens do Presidente. Dia 26, aos 78 anos, de câncer, em Connecticut, EUA.

o ator americano Ray Waltson, famoso nos anos 60 por seu papel como o extraterrestre Tio Martin, na série Meu Marciano Favorito. Dia 2, aos 86 anos, de causas naturais, em Beverly Hills, EUA.

Nomeados: para o cargo de bispos auxiliares da Arquidiocese de São Paulo pelo papa João Paulo II os padres Pedro Luiz Stringhini e Manoel Parrado Carral. As indicações foram feitas pelo arcebispo dom Cláudio Hummes. O Vaticano deve nomear mais três auxiliares, complementando a reformulação da arquidiocese, iniciada há mais de dois anos, quando dom Hummes substituiu o cardeal dom Paulo Evaristo Arns. Dia 3, em São Paulo.

Casaram-se: o presidente da Síria, Bashar Assad, e Asma Akhras, jovem formada em ciências da computação em Londres. Dia 1º, em Damasco, Síria.

Acusada: de discriminação racial a multinacional de informática Microsoft. Um grupo de sete funcionários e ex-funcionários entregou à Justiça pedidos de indenização que somam 5 bilhões de dólares, sob a alegação de receber salários menores e ser preteridos em promoções. Dia 3, em Washington.

Resgatado: o submarino Tonelero, pertencente à Marinha brasileira e que afundou na véspera de Natal, no cais do 1º Distrito Naval, no Rio de Janeiro. Nove tripulantes estavam na embarcação no momento do acidente, mas conseguiram escapar com vida. O prejuízo pode chegar a 300 milhões de reais, já que o submarino, usado para cursos de formação de marinheiros, é equipado com aparelhos avançados. Dia 3, no Rio de Janeiro.

Investigada: a responsabilidade pelas explosões de fogos de artifício que causaram a morte de um turista e feriram mais de cinqüenta pessoas na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, durante a tradicional festa da passagem de 31 de dezembro para 1º de janeiro. As diligências da Polícia Civil apuram a participação das três empresas que promoveram a queima de fogos no réveillon: Promo-3, Brasitália e Caramuru. No Rio de Janeiro.

Concluída: por pesquisadores ligados à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) a descrição da cadeia de DNA da cana-de-açúcar e da bactéria Xanthomonas citri, responsável pela praga do cancro cítrico, que atinge laranjais. Dia 4, em São Paulo.

Decidiu: não pagar fiança de cerca de 750.000 dólares o francês Jean-Christophe Mitterrand, filho do ex-presidente François Mitterrand. Preso sob acusação de tráfico ilegal de armas desde o dia 21 de dezembro, ele alegou inicialmente que não tinha dinheiro, mas mudou o discurso, dizendo preferir a cadeia à "desonra" com o pagamento da fiança. Dia 3, em Paris.

Reapareceu: o presidente do Iraque, Saddam Hussein, no desfile militar de Ano-Novo, de terno escuro, chapéu e fuzil a tiracolo. Durante a parada, que durou mais de cinco horas e foi a mais longa dos últimos dez anos, ele disparou a arma para o alto. Os rumores de que o ditador teria sofrido um derrame depois do evento foram desmentidos pelo governo iraquiano. Dia 31, em Bagdá.

Revelado: pelo palácio de Buckingham, na Inglaterra, o estado delicado de saúde da princesa Margaret, de 70 anos. A irmã mais nova da rainha Elizabeth II pode ter sido vítima de um derrame moderado ou estar sentindo os efeitos do derrame que sofreu em 1998. Dia 31, em Londres.

Rejeitada: pela Suprema Corte chilena, uma moção para suspender a investigação das acusações contra o general Augusto Pinochet. O tribunal máximo do país decidiu por 15 votos a 2 recusar o pedido dos advogados de Pinochet, que estão tentando evitar um julgamento do ex-ditador, acusado de abusos contra os direitos humanos. Assim o interrogatório foi mantido para esta terça-feira, e o juiz Juan Guzmán poderá dar prosseguimento a sua investigação, que já dura três anos. Dia 5, em Santiago.

 

Diálogos certeiros

AP
Julius Epstein: ironias no texto de Casablanca


O roteirista americano Julius J. Epstein – que morreu dia 30, em Los Angeles, Califórnia, aos 91 anos de idade, de causa não revelada – foi um dos três senhores que escreveram os belos diálogos do filme Casablanca, de 1942. Esqueçamos a magia dos atores Humphrey Bogart e Ingrid Bergman dizendo adeus no aeroporto, com o avião DC-3 girando os motores em segundo plano. Casablanca é um filme de propaganda que colou para sempre. Por quê? Primeiro, pelas figuras românticas de Humphrey e Ingrid, certamente. Mas também pelos diálogos significativos e espirituosos que os irmãos Epstein (Julius e Philip) e Howard Koch introduziram no script que girou por muitas mãos. Em dado momento, por exemplo, os roteiristas se deram conta de que o filme não apresentava uma explicação plausível para que Rick Blaine, o personagem de Bogart, permanecesse na marroquina Casablanca, em vez de simplesmente retornar aos EUA. A explicação, que nada explica, saiu num diálogo do chefe de polícia com Bogart:

– Você escondeu dinheiro da igreja? Fugiu com a mulher de um senador? Eu gostaria de pensar que você matou um homem. É meu lado romântico.

– Foi uma combinação das três coisas.

– Por que raios veio você a Casablanca?

– Minha saúde. Vim pelas águas.

– Águas. Que águas? Estamos no deserto.

– É. Me informaram errado.

A ironia era onipresente também na vida real dos irmãos Epstein. Certa vez, foram flagrados chegando para trabalhar à 1 e meia da tarde pelo patrão Jack Warner. "Presidentes de bancos e de estradas de ferro podem chegar ao trabalho às 9. Não vejo por que vocês não podem", advertiu Warner. Pouco depois, Julius e Philip deram o troco, levando ao empresário um script incompleto. "Arranje um banqueiro para terminar", desafiaram. Em outra ocasião, Warner reclamou da cena de um roteiro. "Está terrível", bronqueou o patrão. "Mas como é possível? Ela foi escrita às 9 da manhã!", alfinetaram Julius e Philip.

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