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Home  »  Revistas  »  Edição 2142 / 9 de dezembro de 2009


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Televisão

O verdadeiro impostor

Como o Pânico na TV imita um humorista francês


Marcelo Marthe

Divulgação

MALUCO BELEZA
Gaillard: ele enganou até o presidente da França


Na final do campeonato francês de futebol de 2002, Rémi Gaillard desfilou no gramado ao lado dos campeões do FC Lorient. Sem nunca ter chutado uma bola, ele levantou a taça, deu entrevistas e foi parabenizado pelo então presidente do país, Jacques Chirac. A farsa fez do humorista uma figura popular na França. Gaillard, de 34 anos, também já se passou por um jogador profissional de tênis e por um fortão num concurso de Mister Universo. Suas estultices tornaram-se um fenômeno na internet: disponíveis de forma gratuita no site do comediante, o Nimportequi.com, seus vídeos foram vistos quase 500 milhões de vezes. Gaillard acaba de chegar à TV brasileira. Há duas semanas, seus quadros vêm sendo exibidos pelo Fantástico.

Na noite em que o francês aportou na Globo, um dos diretores do Pânico, da RedeTV!, postou no Twitter: "Hoje o Fantástico nos copiou muito". Os dois programas travam uma batalha pelo ibope no domingo. A aposta em Rémi Gaillard é uma clara tentativa do Fantástico de recuperar o terreno perdido para o concorrente entre o público jovem. Mas falar em cópia não vem ao caso. Se alguém fez cópia, foi a atração da RedeTV!. O Pânico emula as farsas de Gaillard num de seus quadros mais famigerados, O Impostor, em que o humorista Daniel Zukerman busca entrar sob disfarce em eventos oficiais e festas de celebridades. O quadro estreou neste ano – e, além de sua premissa ser idêntica à seguida pelo penetra francês desde o início da década, o brasileiro incorporou sua alcunha. Gaillard é o "Impostor" original.

Em outubro, o Pânico pisou na bola ao demonstrar docilidade servil a um político. O senador petista Eduardo Suplicy pressionou o programa a não exibir imagens dele com uma sunga vermelha no Congresso Nacional – e o Pânico se impôs uma desnecessária autocensura. Algo que contrasta com o jeito impiedoso de seus concorrentes do CQC. Na semana passada, a atração da Band levou ao ar imagens do petista José Genoino agindo de forma destemperada. Ao ser abordado pelo repórter-comediante Oscar Filho, Genoino lhe deu uma cotovelada e vociferou: "Vocês só fazem violência contra as pessoas". O rompante trai sua visão autoritária: cabe aos humoristas, sim, cutucar os políticos. "Vários perdigotos me atingiram. Mas eu entendo: talvez ele temesse perguntas sobre o mensalão", diz Oscar Filho. Ao não reconhecer que Gaillard lhe serviu de inspiração, o Pânico tropeçou. É o segundo tropeço recente.

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