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minúsculos Smart, Mini e Cinquecento custam o mesmo
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Roberto
Setton![]() |
Modelo: Smart Coupé Fabricante: Mercedes Motor: 1.0 Preço: 57 900 reais Destaque: com apenas 2,70 metros de comprimento, entra em qualquer vaga. Cabem duas pessoas |
XODÓ
SOBRE RODAS |
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Brasileiros gostam de carros grandes. Quando o bolso permite, rapidamente vendem o veículo menor que têm para comprar outro maior, com bancos espaçosos, porta-malas folgado e motor mais potente. Carro pequeno é sinônimo dos modelos mais baratos e populares. Subverter um conceito tão arraigado não é para qualquer um mas tampouco o são os novos carrinhos circulando no mercado. O Fiat Cinquecento, o BMW Mini e o Smart, da Mercedes, lançados entre abril e outubro, mal entram na categoria veículo motorizado. No Smart, cabem só duas pessoas. Os preços, em compensação, são de gente grande: entre 57 000 e 130 000 reais. Por que alguém pagaria tanto por tão pouco? Pelos motivos de sempre: esses carros apelam a quem gosta de produtos da moda, com estilo suficiente para virar pescoços na rua e arrancar suspiros de apreciação. "Assim como há mulheres que pagam 5 000 reais por um par de brincos, há quem desembolse 90 000 por um carro de dois lugares", diz Marcelo Cioffi, consultor para o setor automotivo da PricewaterhouseCoopers.
Os três modelos, todos importados, estão vendendo acima das expectativas dos fabricantes. A compra é quase sempre por impulso. "O que me chamou mais a atenção foi o design. Nem fiz test-drive", diz a decoradora Vanessa Ferraz Souza, 35 anos, dona de um Smart branco. "Não fiz nenhuma pergunta técnica." Tal como o espaço necessário para estacioná-los, os pequenos mimos também ocupam um nicho reduzido do mercado. Por mês, saem das concessionárias entre 100 e 200 de cada um dos modelos. O Gol, exemplo dos pequenos e populares, vende 20 000 mensais. Os carrinhos de luxo, portanto, são para poucos. Normalmente, seus donos já têm um ou dois carros na garagem para sair com a família, viajar ou fazer as compras grandes no supermercado. O pequeno é para fazer charme. "Já tive carro mais caro, um BMW de 400 000 reais. Mas não valia a pena. Pelo Mini, paguei 98 000 e tiro a mesma onda", compara Neriton Vasconcelos, 65 anos, chef de restaurante em São Paulo. O carrófilo Vasconcelos tem um Chrysler PT Cruiser, um Golf e um Gol na garagem e usa o Mini para circular entre a academia de ginástica e o restaurante. "Passear com a família não dá. É um ovo", diz ele, que tem dois filhos e comprou o carro sem ir à concessionária.
Ao atravessar o Atlântico, o Cinquecento (com os cês pronunciados à italiana, ou tche) e o Mini ganharam caras diferentes das que exibiam na Europa, onde foram criados em eras distantes. O modelo da Fiat nasceu em 1957, na Itália. O Mini apareceu dois anos depois, na Inglaterra. O conceito era o mesmo: com o continente ainda combalido pela II Guerra, os carros precisavam ser pequenos, baratos e de baixo consumo, o exato oposto do que vigorava nos Estados Unidos, onde predominavam os carrões. O Cinquecento foi produzido até 1975 e o Mini, até 2000. No relançamento, ganharam características modernas em matéria de tecnologia e segurança. Sem os impostos de importação cobrados no Brasil, o Mini custa um terço do preço na Inglaterra. O Cinquecento, a metade. "Um modelo pequeno é o primeiro veículo da família europeia, enquanto no Brasil é o terceiro ou o quarto carro", diz Stephan Keese, diretor da consultoria Roland Berger para o segmento automotivo. O Smart, também criado na Europa, é o único mais novinho da turma. O projeto original é da fabricante de relógios suíça Swatch e foi lançado em 1998.
Para compensar a sensação de insegurança, em especial nas ruas brasileiras, e se enquadrar nos requisitos dos consumidores de poder aquisitivo mais alto, os carrinhos são cheios de acessórios. As versões mais simples têm ar-condicionado, freio ABS e muitos airbags. O Cinquecento tem sete. O Mini, oito. O ar-condicionado do Cinquecento é inteligente. O motorista define a temperatura e, baseado em sensores que medem o calor dentro e fora do veículo, um programa de computador regula o fluxo de ar e sua temperatura. Também dá para atender o telefone com botões no volante e escutar mensagens de texto, enviadas de um celular. O farol do Smart acende automaticamente quando escurece e o limpador de para-brisa é acionado com a chuva. "Meu carro traz todos os benefícios de um automóvel grande, mas é bem mais fácil de estacionar", compara a decoradora Vanessa, dona do Smart. A tecnologia invisível também conta. Em média, cada um dos três modelos que ilustram esta matéria emite 120 gramas de gás carbônico por quilômetro rodado. Um carro de luxo, que poderia ser comprado pelo mesmo valor de um deles, emite em média 200 gramas por quilômetro. Com os carrinhos, o mercado de automóveis não apenas ganhou mais graça como também ficou ecologicamente correto.
Fotos
Divulgação![]() |
Modelo: Mini Cooper |
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Modelo: 500 |