Seções
• VEJA.comPanorama
• Imagem da SemanaInternacional
• Chile: Maturidade democrática: a alternância no poderGeral
• Saúde: Hepatite C: todos correm riscoArtes e Espetáculos
• Livros: Shakespeare: teatro, literatura e economiaImprensaO Google cedeuO
site de buscas reconhece que a informação tem custo e propõe
|
Fotos Matthew
Cavanaugh/Corbis/Latinstock e Hyungwon Kang/Reuters![]() |
| Disputa Eric Schmidt, presidente do Google (à esq.), e Rupert Murdoch, da News Corp.: existe um terreno comum? |
Na
semana passada, o Google anunciou que cogita restringir a cinco por dia o número
de notícias que cada pessoa pode acessar por meio de sua ferramenta de
busca. Foi uma resposta inesperada aos protestos de empresas de comunicação
que se avolumam em todo o mundo. Para os grupos jornalísticos, produzir
informação qualificada tem um custo elevado. Para sites como o Google,
essa mesma informação tem custo zero. Eles a difundem de graça,
sem remunerar a fonte original. A longo prazo, dizem as empresas de comunicação,
isso é uma receita para a sua morte. O crítico mais incisivo desse
estado de coisas é o australiano Rupert Murdoch, dono da News Corp., um
conglomerado que reúne desde os canais de TV da Fox até jornais
como o Wall Street Journal. Murdoch decidiu se contrapor frontalmente ao
Google. Negocia com a Microsoft, por exemplo, a formalização de
um acordo inédito. A empresa de Bill Gates pagaria pelo direito de exibir
com exclusividade, em seu site de buscas, o Bing, os links das publicações
da News Corp.
Também na semana passada, em um congresso da Associação Mundial de Jornais (WAN, na sigla em inglês) realizado na Índia, o presidente da entidade, Gavin OReilly, reafirmou, de maneira categórica, a posição de Murdoch. "Ser capaz de obter retorno comercial é algo essencial para justificar nosso investimento em conteúdo. Foi para isso que o direito autoral foi inventado há 300 anos. Não queremos migalhas do Google", disse. Há anos, OReilly define como "cleptomaníaca" a atitude do site de buscas em relação aos direitos autorais da mídia. Agora, porém, a situação é agravada por um quadro pouco animador para a imprensa tradicional. Nos Estados Unidos, nos seis meses entre abril e setembro, a circulação de jornais caiu 10,6% de segunda a sábado e 7,5% no domingo.
Depois do anúncio sobre as possíveis novas regras para o acesso a notícias no site, o presidente do Google, Eric Schmidt, publicou um artigo sobre o tema no próprio Wall Street Journal, de Murdoch. No texto, reconheceu que reportagens bem apuradas e análises precisas são críticas para o funcionamento da democracia. Tentou ainda demonstrar que o Google não é um inimigo das empresas jornalísticas, mas uma "fonte para a sua promoção". Segundo Schmidt, os serviços do Google direcionam, "gratuitamente", 4 bilhões de cliques mensais a sites de notícias. "São 100 000 oportunidades por minuto para a conquista de leitores e a criação de receita", escreveu. Schmidt disse que o Google está pronto a "fazer a sua parte" e ajudar a encontrar um novo caminho para o jornalismo na era digital. Esses gestos de boa vontade foram recebidos com algum ceticismo. Em tempos de crise, é difícil convencer os grupos jornalísticos a contentar-se com ganhos futuros e, ainda assim, hipotéticos.