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• Livros: Shakespeare: teatro, literatura e economiaCinemaArtesanal, mas moderninhoA Princesa e o Sapo conjuga técnica antiga e espírito jovem
A divulgação de A Princesa e o Sapo (The Princess and the Frog, Estados Unidos, 2009), que estreia nesta sexta-feira no Brasil, tem enfatizado que Tiana é a primeira heroína negra de uma animação da Disney, cujo primeiro e histórico desenho de longa-metragem foi contraste irônico Branca de Neve, de 1937. Em grande parte do filme, porém, Tiana é verde. Ao encontrar um sapo que se apresenta como o príncipe Naveen, ela decide beijá-lo, na esperança de quebrar o feitiço e restaurar sua forma humana. Nesse ponto, há uma reversão do roteiro tradicional: em vez de livrar Naveen de sua gosmenta condição anfíbia, o beijo tem o efeito de transformar também Tiana em batráquio. Dirigida por John Musker e Ron Clements dos bem-sucedidos A Pequena Sereia e Aladdin , esta é uma bem-comportada história de amor, no melhor modelo Disney. Não se vê aqui a irreverência anárquica com que a série Shrek, da DreamWorks, assaltou os contos de fadas. Mas o filme promove uma simpática e competente atualização desse universo. No lugar dos palácios aristocráticos da Cinderela e da Bela Adormecida, o cenário é a Nova Orleans atual, onde Tiana trabalha como garçonete em uma lanchonete espelunca da cidade. Doce, linda, bondosa, Tiana não tem sangue azul de verdade só está usando a indumentária de princesa, na hora do beijo, por causa de um baile a fantasia. Transformada em sapo, ela vai frequentar os pântanos do estado da Louisiana na companhia de Naveen e de uma dupla de coadjuvantes cômicos Louis, o crocodilo cantor de jazz, e Ray, o vagalume desdentado. A esperança do casal está nas mãos da feiticeira Mama Odie, uma cega de 200 anos que usa sua cobra de estimação como bengala. Para combinar com a heroína afro-americana e com a ambiência em Nova Orleans cidade que é considerada o berço do jazz , o filme traz uma trilha mais moderninha, com destaque para a música que, no final, celebra o amor do casal, Never Knew I Needed, de Ne-Yo, cantor de R&B que já compôs para Beyoncé e Rihanna. Mas o produtor John Lasseter, criador da Pixar e diretor de Toy Story e Carros, insistiu para que A Princesa e o Sapo retomasse a técnica tradicional da Disney, em 2D, e fosse desenhado quadro a quadro, sem computação gráfica. Esse é o grande encanto do filme: é uma animação feita para a garotada de hoje, mas com os olhos voltados para os clássicos de Walt Disney.
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