Edição 1930 . 9 de novembro de 2005

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Stephen Kanitz
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Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
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Roberto Pompeu de Toledo
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DVD

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No Direction Home: Dylan esquadrinhado por Scorsese num documentário magistral


No Direction Home
(Estados Unidos/Inglaterra, 2005. Paramount) – No panteão da cultura pop, não há divindade mais debatida, dissecada e mitificada que Bob Dylan. Pois esse magistral documentário dirigido por Martin Scorsese consegue dois grandes feitos de um só golpe: ao mesmo tempo devolve Dylan ao mundo dos homens (graças, em boa parte, aos depoimentos muito lúcidos de seu protagonista) e confere a ele sua verdadeira estatura, que vai muito além da música. Dylan emerge das quase quatro horas de flagrantes raros, performances e entrevistas como o verdadeiro Bob Esponja – o único artista que se mostrou capaz de absorver, catalisar e condensar as correntes diversas da poesia, do teatro, da política e, claro, também da música que estavam em curso nos anos 50 e 60. Produzido para a HBO, o documentário em duas partes se encerra em 1966, ano em que milhares de ingleses pagaram ingresso apenas para poder xingar Dylan de Judas durante um show (o motivo, de uma falta de visão que chega a dar dó, era sua eletrificação do folk) – e também o ano em que, a pretexto de um acidente de motocicleta, o cantor e compositor iniciou uma longa abstenção das apresentações ao vivo. No Direction Home é, em resumo, o encontro dos dois maiores arqueólogos da cultura popular americana – e faz jus aos créditos de ambos.

 

CINEMA

Manderlay (Dinamarca/Estados Unidos, 2005. Estréia nesta sexta-feira no país) – Depois do abrasivo Dogville, o dinamarquês Lars von Trier entrega com Manderlay o segundo capítulo de sua pretendida trilogia sobre os Estados Unidos. Em 1935, a protagonista Grace (Bryce Dallas Howard, que substitui Nicole Kidman no papel) vai parar numa fazenda de algodão do Alabama em que, setenta anos depois de sua emancipação, os negros ainda pensam ser escravos. Movida por suas boas intenções e por seu complexo de superioridade moral, Grace decide permanecer ali até mudar o arranjo. Os resultados serão o oposto do que ela imagina. Von Trier cutuca sem piedade e com eficiência a sociedade americana e sua dificuldade em olhar nos olhos seu passado escravagista. Veja cenas.

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Cinema, Aspirinas e Urubus: road movie nordestino


Cinema, Aspirinas e Urubus
(Brasil, 2005. Estréia nesta sexta-feira no país) – É 1942, e o paraibano Ranulpho Gomes está tentando fugir da seca rumo ao Sudeste. O alemão Johann, enquanto isso, está cuidando de se embrenhar no sertão, onde vive de vender um remédio novo – a aspirina – e se põe a salvo da II Guerra Mundial. O azedo Ranulpho e o expansivo Johann se encontram, passam a viajar juntos e protagonizam, assim, um road movie dos mais simples e eficazes, valorizado pelo argumento original, pelo roteiro robusto (co-assinado pelo Karim Aïnouz de Madame Satã) e pelo trabalho dos atores Peter Ketnath e João Miguel – este, uma revelação. Curiosidade: o verdadeiro Ranulpho é tio-avô do diretor estreante Marcelo Gomes, que desenvolveu o filme a partir de um incentivo recebido do governo holandês.

 

DISCOS

 

Stephen Hird/Reuters
Robbie Williams: ironias pop  

Intensive Care, Robbie Williams (EMI) – O inglês Robbie Williams integrou o Take That, uma daquelas bandas caça-níqueis formadas por rapazes de rostinhos bonitos, antes de iniciar sua carreira-solo, no fim dos anos 90. Desde então, vem se firmando como um cantor e compositor acima da média. Com músicas fáceis de digerir nas pistas e nas rádios, Williams tornou-se um dos principais fazedores de hits do pop inglês. E sem abrir mão do bom gosto: seu trabalho lembra a fase áurea de Elton Joh, na década de 70. Nesse novo álbum, o cantor continua fiel a sua receita – inclusive nas letras, mais irônicas que nunca.

Don't Bring Me Down: The Decca Years, The Animals (MNF) – Quando os Beatles estouraram nas paradas dos Estados Unidos, nos anos 60, vários grupos ingleses migraram para a América em busca de fama. O movimento ficou conhecido pelo nome de "invasão britânica" e gerou as primeiras turnês internacionais de Rolling Stones, Who e The Animals – cujo estilo era mais calcado na música negra americana que no pop inglês. Liderado pelo cantor Eric Burdon, que tinha um timbre rouco que emulava os bluesmen americanos, o grupo emplacou sucessos como The House of the Rising Sun. Essa compilação, porém, não fica no óbvio: ela traz raridades do repertório do Animals, como uma releitura de Sweet Little Sixteen, de Chuck Berry.

 

LIVRO

A Odisséia de Penélope, de Margaret Atwood (tradução de Celso Nogueira; Companhia das Letras; 159 páginas; 32 reais) – No épico grego Odisséia, de Homero, Penélope tem um papel secundário: é a mulher fiel que aguarda pacientemente o herói Odisseu, enquanto este vive suas aventuras no estrangeiro. Nesse volume de uma coleção em que autores atuais recriam os mitos clássicos, a canadense Margaret Atwood inverte a situação: é Penélope quem salta ao primeiro plano. Depois de morta, ela narra sua vida. Ao mesmo tempo, é assombrada pelas escravas que a ajudaram a safar-se dos homens que tentavam usurpar o trono do marido – e foram enforcadas injustamente. Com base na Odisséia e em outros relatos, a escritora imprime à história uma ironia cortante. Leia trechos.

 

GASTRONOMIA

Os livros que tratam de gastronomia sob uma perspectiva cultural compõem hoje quase um gênero à parte nas livrarias. Mas as raízes desse filão são antigas. Já no século XIX o francês Alexandre Dumas (1802-1870), autor de Os Três Mosqueteiros, se dedicava a ele. Memórias Gastronômicas (tradução de André Telles; Jorge Zahar; 148 páginas; 34 reais) reúne dois textos de Dumas sobre o tema. O principal deles é a introdução de seu Grande Dicionário de Culinária, no qual o escritor narra curiosidades sobre a cozinha francesa, da origem de pratos famosos à falta de modos do rei Luís XVI à mesa. O volume inclui ainda um ensaio em que Dumas reconta a história dos hábitos alimentares humanos. O filão em que ele se exercitou daria origem, mais tarde, a obras tão refinadas como Fome de Paris (tradução de Alice Xavier; Ediouro; 190 páginas; 39,90 reais), do americano A.J. Liebling (1904-1963), que foi colunista da revista The New Yorker. O relato de suas aventuras gastronômicas na capital francesa antes, durante e depois da II Guerra Mundial é leitura de primeira.

 

LEIA TRECHOS
Memórias Gastronômicas
Fome de Paris
 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Siciliano, Nobel, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Cultura; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Saraiva, Sodiler, Nobel, Fnac, Siciliano, Submarino
 
 
 
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