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VEJA Recomenda
DVD
Divulgação
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Direction Home: Dylan esquadrinhado por Scorsese num documentário magistral
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No Direction Home (Estados
Unidos/Inglaterra, 2005. Paramount) No panteão da cultura pop, não
há divindade mais debatida, dissecada e mitificada que Bob Dylan. Pois
esse magistral documentário dirigido por Martin Scorsese consegue dois
grandes feitos de um só golpe: ao mesmo tempo devolve Dylan ao mundo dos
homens (graças, em boa parte, aos depoimentos muito lúcidos de seu
protagonista) e confere a ele sua verdadeira estatura, que vai muito além
da música. Dylan emerge das quase quatro horas de flagrantes raros, performances
e entrevistas como o verdadeiro Bob Esponja o único artista que
se mostrou capaz de absorver, catalisar e condensar as correntes diversas da poesia,
do teatro, da política e, claro, também da música que estavam
em curso nos anos 50 e 60. Produzido para a HBO, o documentário em duas
partes se encerra em 1966, ano em que milhares de ingleses pagaram ingresso apenas
para poder xingar Dylan de Judas durante um show (o motivo, de uma falta de visão
que chega a dar dó, era sua eletrificação do folk)
e também o ano em que, a pretexto de um acidente de motocicleta, o cantor
e compositor iniciou uma longa abstenção das apresentações
ao vivo. No Direction Home é, em resumo, o encontro dos dois maiores
arqueólogos da cultura popular americana e faz jus aos créditos
de ambos.
CINEMA Manderlay
(Dinamarca/Estados Unidos, 2005. Estréia nesta sexta-feira no país)
Depois do abrasivo Dogville, o dinamarquês Lars von Trier
entrega com Manderlay o segundo capítulo de sua pretendida trilogia
sobre os Estados Unidos. Em 1935, a protagonista Grace (Bryce Dallas Howard, que
substitui Nicole Kidman no papel) vai parar numa fazenda de algodão do
Alabama em que, setenta anos depois de sua emancipação, os negros
ainda pensam ser escravos. Movida por suas boas intenções e por
seu complexo de superioridade moral, Grace decide permanecer ali até mudar
o arranjo. Os resultados serão o oposto do que ela imagina. Von Trier cutuca
sem piedade e com eficiência a sociedade americana e sua dificuldade em
olhar nos olhos seu passado escravagista. Veja
cenas.
Divulgação
 | | Cinema,
Aspirinas e Urubus: road movie nordestino |
Cinema,
Aspirinas e Urubus (Brasil, 2005. Estréia nesta sexta-feira no
país) É 1942, e o paraibano Ranulpho Gomes está tentando
fugir da seca rumo ao Sudeste. O alemão Johann, enquanto isso, está
cuidando de se embrenhar no sertão, onde vive de vender um remédio
novo a aspirina e se põe a salvo da II Guerra Mundial. O
azedo Ranulpho e o expansivo Johann se encontram, passam a viajar juntos e protagonizam,
assim, um road movie dos mais simples e eficazes, valorizado pelo argumento
original, pelo roteiro robusto (co-assinado pelo Karim Aïnouz de Madame
Satã) e pelo trabalho dos atores Peter Ketnath e João Miguel
este, uma revelação. Curiosidade: o verdadeiro Ranulpho é
tio-avô do diretor estreante Marcelo Gomes, que desenvolveu o filme a partir
de um incentivo recebido do governo holandês.
DISCOS Stephen
Hird/Reuters
 |  | | Robbie
Williams: ironias pop | |
Intensive
Care, Robbie Williams (EMI) O inglês Robbie Williams integrou
o Take That, uma daquelas bandas caça-níqueis formadas por rapazes
de rostinhos bonitos, antes de iniciar sua carreira-solo, no fim dos anos 90.
Desde então, vem se firmando como um cantor e compositor acima da média.
Com músicas fáceis de digerir nas pistas e nas rádios, Williams
tornou-se um dos principais fazedores de hits do pop inglês. E sem abrir
mão do bom gosto: seu trabalho lembra a fase áurea de Elton Joh,
na década de 70. Nesse novo álbum, o cantor continua fiel a sua
receita inclusive nas letras, mais irônicas que nunca. Don't
Bring Me Down: The Decca Years, The Animals (MNF) Quando os Beatles
estouraram nas paradas dos Estados Unidos, nos anos 60, vários grupos ingleses
migraram para a América em busca de fama. O movimento ficou conhecido pelo
nome de "invasão britânica" e gerou as primeiras turnês internacionais
de Rolling Stones, Who e The Animals cujo estilo era mais calcado na música
negra americana que no pop inglês. Liderado pelo cantor Eric Burdon, que
tinha um timbre rouco que emulava os bluesmen americanos, o grupo emplacou sucessos
como The House of the Rising Sun. Essa compilação, porém,
não fica no óbvio: ela traz raridades do repertório do Animals,
como uma releitura de Sweet Little Sixteen, de Chuck Berry.
LIVRO A
Odisséia de Penélope, de Margaret Atwood (tradução
de Celso Nogueira; Companhia das Letras; 159 páginas; 32 reais)
No épico grego Odisséia, de Homero, Penélope tem um
papel secundário: é a mulher fiel que aguarda pacientemente o herói
Odisseu, enquanto este vive suas aventuras no estrangeiro. Nesse volume de uma
coleção em que autores atuais recriam os mitos clássicos,
a canadense Margaret Atwood inverte a situação: é Penélope
quem salta ao primeiro plano. Depois de morta, ela narra sua vida. Ao mesmo tempo,
é assombrada pelas escravas que a ajudaram a safar-se dos homens que tentavam
usurpar o trono do marido e foram enforcadas injustamente. Com base na
Odisséia e em outros relatos, a escritora imprime à história
uma ironia cortante. Leia
trechos.
GASTRONOMIA  |  |
Os livros que tratam de gastronomia sob uma perspectiva cultural compõem
hoje quase um gênero à parte nas livrarias. Mas as raízes
desse filão são antigas. Já no século XIX o francês
Alexandre Dumas (1802-1870), autor de Os Três Mosqueteiros, se dedicava
a ele. Memórias Gastronômicas (tradução
de André Telles; Jorge Zahar; 148 páginas; 34 reais) reúne
dois textos de Dumas sobre o tema. O principal deles é a introdução
de seu Grande Dicionário de Culinária, no qual o escritor
narra curiosidades sobre a cozinha francesa, da origem de pratos famosos à
falta de modos do rei Luís XVI à mesa. O volume inclui ainda um
ensaio em que Dumas reconta a história dos hábitos alimentares humanos.
O filão em que ele se exercitou daria origem, mais tarde, a obras tão
refinadas como Fome de Paris (tradução de Alice Xavier;
Ediouro; 190 páginas; 39,90 reais), do americano A.J. Liebling (1904-1963),
que foi colunista da revista The New Yorker. O relato de suas aventuras
gastronômicas na capital francesa antes, durante e depois da II Guerra Mundial
é leitura de primeira. |
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