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Tales
Alvarenga Operação Tabajara "Ao
contrário dos parlamentares que querem bater em Lula, eu só
quero lhe fazer uma pergunta: Lula, para que V. Exa. quer se candidatar
à reeleição?"
Clóvis Rossi, o colunista pé-de-boi da Folha de S.Paulo,
descreveu a doação de dólares cubanos à campanha de
Lula como uma operação das Organizações Tabajara.
Desastrada demais para ser verdadeira. O achado cômico de Rossi é
tão irresistível que foi copiado dois dias mais tarde por Tereza
Cruvinel, a original colunista do jornal O Globo. Também vou copiar
os dois colunistas, expandindo-os. Todo o governo Lula, desde o primeiro dia,
tem sido uma gigantesca Operação Tabajara. As histórias divulgadas
sobre a ação dos petistas são tão porcas que parecem
sempre inverossímeis. Dias depois, são confirmadas em todos os detalhes.
A Operação Tabajara
de Marcos Valério é só um dos exemplos. O carequinha chegou
à CPI e explicou que tomou milhões emprestados em banco e repassou
ao PT. O Brasil não veio abaixo às gargalhadas porque o assunto
era sério demais. Na semana passada, o truque foi explicado pelas CPIs.
Não havia empréstimos bancários. O dinheiro que acabou no
bolso dos petistas foi roubado de estatais.
Não acho, porém, que a desonestidade seja o maior problema do governo
petista. Valeria a pena pagar honestamente ao PT todo o dinheiro que ele surrupiou
do Estado em troca de um governo petista de alta competência. Mas, mesmo
que quisesse, o PT não poderia produzir um governo competente. A mediocridade
faz parte do DNA do partido e da esquerda em geral. Frei Betto, o conselheiro
espiritual de Lula, diz que o PT desmoralizou a esquerda. Não, o PT apenas
escancarou como a esquerda é no poder.
Ao contrário dos três parlamentares que querem bater em Lula, eu
só quero lhe fazer (delicadamente) uma pergunta: Lula, para que vossa excelência
quer se candidatar à reeleição?
Lula chegou ao governo com o que aprendeu na vida sindical. Sua fórmula
de resolver as coisas consiste naquilo que ele chama de "sentar e conversar".
Você já observou como Lula repete que vai sentar com as pessoas com
quem precisa negociar alguma coisa? "Preciso sentar com o Bush", "Preciso sentar
com o Putin". Com todo o respeito, trata-se de um governo anatômico. Suas
duas grandes ferramentas políticas são as nádegas e as cordas
vocais. No sindicato, os dirigentes
prometem mundos e fundos aos peões e, depois, "sentam-se" com os representantes
das empresas até arrancar a cota de sempre. O mecanismo é esse,
e Lula o reproduz no Palácio do Planalto. Na campanha eleitoral e no primeiro
ano de governo, Lula prometeu 10 milhões de novos empregos, prometeu o
maior programa social que este país já conheceu, acenou com o combate
à fome no mundo, ameaçou fazer uma aliança com os países
em desenvolvimento para dobrar os joelhos das potências mundiais nas negociações
de comércio. Eram apenas bravatas. O problema é que Lula não
pode mais fazer greve se suas fantasias não são atendidas.
Uma boa equipe poderia ter salvo o governo Lula. Ele não a tem. A única
idéia exeqüível que saiu dessa gente foi a transposição
do Rio São Francisco, que vem sendo discutida há uma eternidade
e sempre foi reprovada porque é lesiva ao meio ambiente. Servirá
como uma luva para fazer concorrências bilionárias e chamar Delúbio
Soares e Marcos Valério para comandá-las. |