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Carta ao leitor O
acaso, a estupidez e os dólares cubanos  |  | | Páginas
da reportagem e a capa de VEJA da semana passada |
Na semana passada, a reportagem de VEJA sobre os dólares de Cuba na campanha
de Lula provocou reações exaltadas dos petistas e de simpatizantes
do regime ditatorial da ilha caribenha. A história publicada pela revista
foi definida por alguns como "fantasiosa" e "inverossímil". O presidente
do PT ameaçou processar VEJA por calúnia e difamação.
Estranho que os dirigentes petistas indignados com a reportagem tenham se eximido
de atacar as pessoas que narraram a história em detalhes, Rogério
Buratti e Vladimir Poleto, ambos íntimos do núcleo de políticos
que levou Lula ao Planalto. Mas, ao atacarem VEJA por dar-lhes voz, tentaram ferir
o mensageiro quando a mensagem é que lhes foi ruinosa.
O acaso e a estupidez podem produzir eventos capazes de mudar a história
do mundo, como mostrou o historiador Erik Durschmied no livro Fora de Controle.
A idéia de transportar dólares cubanos em caixas de bebida pode
ter sido um desses eventos grotescos, às vezes até cômicos,
mas que acabam tomando os contornos de tragédia. A apuração
de VEJA continua. Na semana passada, o repórter Marcelo Carneiro conversou
com o piloto que transportou Vladimir Poleto e suas preciosas caixas de Brasília
até Campinas. A combinação dos relatos de Buratti e Poleto
com as apurações em campo leva a história da ajuda financeira
estrangeira à campanha de Lula muito além do limite das "dúvidas
razoáveis". Isso fez dela objeto jornalístico de óbvio interesse.
Ela vai avançar ainda mais? Os repórteres
da revista vão continuar apurando o assunto. Esse é o papel de VEJA.
A imprensa, porém, não tem função e muito menos poder
de polícia ou de promotoria, muito menos de Justiça a quem
cabe produzir as provas aceitas em tribunais, julgar e, eventualmente, punir os
culpados. Esse processo já está em curso nas CPIs e no Tribunal
Superior Eleitoral (TSE). Quando eles terminarem seu trabalho se saberá
com certeza se mais uma vez a estupidez e o acaso mudaram o curso da história.
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