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A rota de Lula
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Antonio Milena![]() |
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FÉ
NA CONVERSA |
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Se Luís Inácio Lula da Silva chegar ao Palácio do Planalto, o Brasil terá talvez um dos mais acessíveis presidentes de sua história. Chefes do Executivo com prontidão para o diálogo atraem simpatia e riscos na mesma proporção. O general João Figueiredo, que fechou o ciclo militar, foi excessivamente influenciado pela família, pelo círculo íntimo, pelos amigos da caserna que levou para o governo. João Goulart, o fazendeiro que os militares apearam do poder em 1964, aceitava palpites discordantes que paralisavam seu processo decisório. Em contrapartida, Juscelino Kubitschek, se não fosse um conversador nato, teria deixado um legado menos rico à história. O americano Bill Clinton é um exemplo recente de presidente obcecado por servir de intermediador. Durante seus oito anos na Casa Branca, Clinton manteve razoável nível de entendimento entre os líderes israelenses e palestinos. Lula tem sido alertado para o risco que corre prometendo dialogar com todo mundo, compor os contrários, ser um algodão entre os cristais de interesses conflitantes. Aos 56 anos de idade e com mais de duas décadas como uma das figuras centrais da política brasileira, Lula vai ignorar os alertas. "Veja bem, se para fazer campanha conversei com empresário, banqueiro e sindicalista, para governar não será diferente", diz o presidenciável.
O líder petista, de fato, tem conversado com banqueiros, industriais e até latifundiários. A todos prometeu entendimento. Só falta agora combinar com os bolsões de radicalismo que se aninham dentro do PT e estão caladinhos à espera da vitória. Se o partido conquistar o Palácio do Planalto, é possível que saiam da toca para exigir que o presidente cumpra os compromissos históricos do petismo, como a moratória da dívida externa, a revisão das privatizações e o combate ao imperialismo americano, entre outras cláusulas do programa da legenda que até poucos meses antes de iniciar a campanha Lula assinava embaixo. Os militantes revolucionários dessas facções instaladas dentro da máquina do PT têm alto potencial de estrago. Se contrariados, poderão sair às ruas e fazer um barulho ensurdecedor.
Antonio Milena![]() |
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DE
CARA NOVA |
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Em sua fase pré-Duda, o candidato petista sempre manifestou simpatia pelo ditador Fidel Castro e pelo regime socialista vigente em Cuba. Também não perdia uma oportunidade de elogiar o presidente Hugo Chávez, coronel pára-quedista que chegou ao poder pelo voto na Venezuela para se tornar o exemplo mais bem-acabado do populismo autoritário na América Latina. Militantes petistas endeusam as Farc, grupo guerrilheiro da Colômbia, braço armado do narcotráfico no país. O próprio Lula nunca foi capaz de condená-las publicamente de maneira inequívoca. Não são indicações animadoras a respeito das simpatias recentes do candidato e seu partido, quando se sabe que ao presidente eleito caberá aprofundar o diálogo com os Estados Unidos com vistas à implantação de um bloco comercial englobando as Américas, a Alca. Lula garantiu diversas vezes na campanha que ele e o PT mudaram, que o radicalismo esquerdista foi deixado para trás e que o país pode ficar tranqüilo porque ele não prepara nenhuma surpresa que possa assustar os brasileiros. O fato é que Luís Inácio Lula da Silva terá algum trabalho para convencer todos os companheiros a também passar pela conversão sincera ao capitalismo democrático.
A história de Lula dá indicações de como ele se portaria no poder. Como líder sindical, fundador, presidente do PT e quatro vezes candidato à Presidência, o petista desenvolveu uma maneira de agir muito peculiar. Às portas das urnas, o PT vende a idéia de que Lula ouve todo mundo e decide sozinho. Não é bem assim. Ele ouve muita gente e suporta em estado de alerta as reuniões infindáveis. Na hora de decidir, fica com a proposta mais forte, aquela com mais chance de ser colocada em prática e que congrega em torno dela maior número de pessoas influentes. "Lula nunca vai para uma parada de alto risco sem retaguarda", diz o deputado federal José Genoíno, candidato ao governo de São Paulo. O sindicalismo foi a escola da vida de Lula, que só chegou à 5ª série. No governo, é previsível que vá portar-se com os cacoetes do sindicalista de sucesso e do líder partidário incontrastável, posição conquistada por ele no PT.
Pelas indicações que dá, Lula não costuma examinar detidamente cada idéia que um presidenciável precisa dominar para aspirar ao cargo. Prefere o método da colheita. Ouve, assimila, seleciona. Quando alguns empresários optaram publicamente pelo voto no candidato do PT, na semana passada, deram como uma de suas principais razões o interesse demonstrado por Lula de ouvi-los. "Minha primeira grande descoberta foi constatar que o Brasil não é um sindicato e o PT não pode governá-lo apenas com seus quadros e suas idéias. Venho fazendo novas descobertas a cada dia", diz o candidato. É esta a exata impressão que Lula passa: a de alguém que, não sendo um motor de propostas inovadoras, não tenta esconder que só se anima a expressar algumas delas depois de testadas e aprovadas por assessores em quem confia. O candidato do PT reproduz na política o que aprendeu no sindicato. Afinal, o filho de Eurídice e Aristides, migrantes pobres do interior de Pernambuco, venceu na vida em São Paulo ouvindo os outros. O método de decisão de Lula foi desenvolvido nos tempos das grandes greves do fim dos anos 70, quando ele era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos. O jornalista Ricardo Kotscho, que acompanhava profissionalmente o sindicalista naquele período e depois se tornou seu assessor, lembra uma situação típica das grandes assembléias de metalúrgicos na Vila Euclides, no ABC paulista, no fim dos anos 70. "Enquanto os outros líderes sindicais chegavam por trás do palanque para evitar a multidão, Lula passava pelo meio da peãozada, ia ouvindo o que eles queriam. Quando chegava a hora de colocar uma proposta em votação, a de Lula era sempre vencedora, pois ele já sabia para que lado a maioria estava pendendo." Governar um país é diferente de dirigir uma assembléia sindical, mas o Brasil já passou por presidentes, como o general Emílio Garrastazu Médici, cuja função gerencial se limitava a sentar-se passivamente à cabeceira da mesa de ministros para ouvi-los sobre os problemas de suas pastas. E Médici foi presidente no tempo do decantado "milagre brasileiro".
Quando despontou como líder sindical, Lula chamou a atenção das esquerdas tradicionais, em especial do Partido Comunista, "o partidão", então força hegemônica na política das fábricas. Marcaram encontros clandestinos com o jovem sindicalista. Ele compareceu a alguns. Achou os enviados do partidão meio estranhos. "Eles falavam coisas distantes do nosso mundo", lembra. Muitos de seus colegas de sindicato entraram para o Partido Comunista, então proscrito pelos militares, o que os levou a uma militância clandestina. Esse estilo de fazer política parecia equivocado, além de aborrecido, ao homem que acabaria por criar sua própria ferramenta partidária.
Fotos Antonio Milena![]() |
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MAR
VERMELHO |
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"Quando fundamos o PT, as esquerdas nos detonaram. Diziam que nosso partido era um erro. Pois bem, a história mostrou quem estava certo", diz o ex-metalúrgico. O líder petista insistia que só uma atuação às claras, nos espaços políticos deixados abertos pelos militares, levaria à criação de um partido viável. Não por acaso, os militares pensavam a mesma coisa. O grupo liderado pelo general Golbery do Couto e Silva sustentava, nem sempre com sucesso, que deveria ser tolerada toda oposição de esquerda não-marxista, sem laços com a União Soviética nem com outras potências comunistas daquele tempo. Não poucas vezes, nos 22 anos de existência do PT, Lula teve de se defender da acusação dos comunistas tradicionais de ter criado um partido "para servir os interesses da ditadura".
A precária instrução formal do candidato do PT sempre foi um tabu no partido. Decidiu-se encará-la com a criação, há alguns anos, do Instituto Cidadania, que reuniu professores universitários e intelectuais simpatizantes do Partido dos Trabalhadores. Lula vem usando o instituto como uma bóia de salvação quando se discute seu preparo acadêmico para governar. Durante os últimos dois anos, teve aulas particulares com os sábios do instituto. Sua instrução econômica teve basicamente três preceptores, Aloizio Mercadante, Luiz Gonzaga Belluzzo e Guido Mantega, professor da Fundação Getúlio Vargas, seu assessor econômico pessoal desde 1993. Mantega é o maior responsável pelos conceitos econômicos que o líder petista esgrime hoje como candidato. Para isso, o jovem professor, aspirante a algum cargo de destaque num eventual governo petista, produzia um material escrito e encaminhava ao candidato uma espécie de apostila. Depois de lê-lo, Lula ia discutir com Mantega na "aula".
Segundo o preceptor, o principal talento do aluno era sua facilidade em criar comparações simples em relação a assuntos complexos. Ele se lembra de um fato ocorrido próximo à campanha presidencial de 1998. Na ocasião, Lula discutia com Mantega a questão do orçamento. Após ouvir uma introdução geral, o carismático chefe do PT saiu-se com esta: "É como uma caixa-d'água. De um lado entra a arrecadação. Do outro, saem as despesas. O importante é não deixar que falte água". Mantega gostou tanto da comparação que criou, no computador, uma animação de uma caixa-d'água, detalhando as fontes de arrecadação de um lado e o orçamento de outro. A idéia pictórica de Lula ajudou Mantega a ilustrar suas apostilas destinadas a ensinar economia capitalista a deputados e militantes do partido, mas principalmente a prefeitos e governadores petistas. A julgar pelo sucesso crescente do partido, a turma está assimilando o conteúdo da escolinha do professor Guido Mantega.
O pacote petista que a maioria dos eleitores parece estar comprando nesta
campanha tem como embalagem a convicção de que Lula se converteu
aos princípios básicos da governança moderna. Isso
implica a aceitação dos compromissos e acordos econômicos
com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e outras instituições
financeiras. Implica o governo gastar menos do que arrecada e não
apelar para instrumentos heterodoxos, como o confisco da poupança
nacional ou, em sua versão mais palatável do ponto de vista
vernacular, a "renegociação unilateral da dívida
pública". Lula reafirmou esses compromissos em diversas ocasiões
durante a campanha. Isso é ótimo, mas será suficiente
para garantir o sucesso do virtual presidente petista? Para muitos analistas,
Lula não é o governante ideal para o atual momento da economia
brasileira e mundial. "Precisamos de um peixe, e Lula é apenas
um homem que, segundo garante, aprendeu a nadar", diz um banqueiro. A
verdade é que a situação exigirá mais de Lula
do que os especialistas do Instituto Cidadania puderam ensinar-lhe nos
últimos anos.
Irmo Celso![]() |
| A
ESCOLA DA VIDA Lula dirige assembléia de metalúrgicos em Vila Euclides no final dos anos 70: sempre com a maioria |
A crença quase ingênua de que um presidente pode promover
mudanças profundas e positivas na vida econômica é
comum a todos os candidatos. Em Lula ela é mais forte. Obviamente,
as propostas de baixar juros, induzir um grande crescimento sem trazer
de volta a inflação, fazer a reforma tributária,
acabar com o rombo da Previdência ou diminuir o desemprego são
apenas isso: propostas, e não plataformas viáveis de governo,
como aparecem na campanha petista. Conforme diz apropriadamente Fernando
Henrique Cardoso, essas coisas deixaram de ser feitas em seu governo porque
não foi possível fazê-las, e não porque o presidente
se recusasse a dar-lhes importância. Nesse ponto, vale menos do
que o PT imagina a arma pessoal de Lula de criação de consensos
que tanto sucesso lhe trouxe na vida sindical e partidária. "Sou
o único candidato capaz de fazer o pacto social de que o Brasil
precisa", vem repetindo Lula. Essa disposição conciliatória
é um traço muito importante na personalidade de um presidente.
FHC conseguiu atravessar crises econômicas e políticas terríveis
em seu governo graças em boa parte à generosidade e afabilidade
com que tratou os adversários. Nesse particular, ao que tudo indica,
Lula não teria maiores dificuldades. Mas isso não é
tudo. Os mais graves problemas brasileiros só podem ser atacados
por um presidente disposto a contrariar interesses encastelados. Para
ficar num único exemplo, o rombo de 30 bilhões de reais
por ano produzido pelo subsídio à aposentadoria dos servidores
públicos só se resolverá contrariando os privilégios
do funcionalismo. Podem ser criadas dezenas de câmaras setoriais
e deixá-las trabalhando por décadas que a solução
não virá por mágica consensual.
Nos últimos dias da campanha, o candidato parecia acometido de uma crise de fadiga em relação ao estilo sorridente e apaziguador que o publicitário Duda Mendonça poliu para os programas de televisão do líder petista. De repente, aqui e ali, surgia o velho Lula durão, o radical de Vila Euclides, o "sapo barbudo", conforme o insulto que lhe dirigiu o concorrente Leonel Brizola na eleição de 1989. Os adversários, embevecidos, apontaram afoitos dizendo que, agora sim, lá estava o verdadeiro Lula, o lobo socialista que por algumas semanas se fantasiara de cordeiro. Nada disso. Lula, como os outros candidatos, se tornou escravo das pesquisas qualitativas. Nesses levantamentos, o PT descobriu recentemente que os militantes do partido, uma força nada desprezível no momento de esquentar uma eleição, estavam decepcionados com o estilo pasteurizado de seu candidato. Resultado: por determinação desse nervoso mercado eleitoral petista, o antigo Luís Inácio Lula da Silva dos tempos do sindicalismo bravo deu o ar de sua graça para estimular a turma da estrela vermelha às vésperas da boca-de-urna.
Na segunda-feira passada, o candidato reapareceu dizendo que o presidente do Banco Central (BC) tem "de ser alguém que conheça as sutilezas do mercado, da fome e do desemprego". Na terça-feira, em Porto Alegre, pronunciou de novo a palavra que andou sumida de seu vocabulário durante a campanha: socialismo. "Há um certo temor entre alguns de nós de que o discurso de Lula tenha ido muito para o centro durante a campanha, e isso pode tirar a gana dos militantes na hora da eleição. Por isso ele tem dado umas estocadas", diz um cacique do PT.
Há um bom tempo presidentes funcionam à base de briefings e pesquisas instantâneas. Bill Clinton usava em seus discursos sentenças inteiras gravadas por assessores em grupos de pesquisas qualitativas formados por operários, minorias dos guetos e até crianças. Harry Truman, 33º presidente dos Estados Unidos, era visto pelo estamento de poder americano como um caipira. Quem não o seria tendo sucedido no poder a Franklin Roosevelt, personalista, carismático, ganhador da II Guerra Mundial e nocauteador da recessão? Truman, que não tinha curso superior e lia preferencialmente biografias, só tomava decisões colegiadas e repetia conceitos sem tê-los entendido muito bem, desde que não ofendessem o "bom senso". Não há dúvida de que foi colegiada a decisão de jogar duas bombas atômicas sobre o Japão em 1945. Mas foi idéia de Truman tentar manter a versão de que os alvos das bombas foram escolhidos por motivos estratégicos e que tinham muita relevância militar. Hiroshima e Nagasaki eram apenas cidades. E o objetivo foi aterrorizar os japoneses. Atualmente, os acadêmicos estão reavaliando para melhor o papel de Truman no pós-guerra e lhe dão um lugar ao lado dos maiores líderes americanos. Lula, como Truman, também lê biografias acabou a de Garrincha e está pelo meio com a de Juscelino Kubitschek. Isso, claro, não é garantia de grandeza. Mas é fonte de inspiração e conforto. O petista lê biografias de líderes em busca de paralelos com sua própria trajetória. "Quando disse a 52 reitores em Brasília que vai ser preciso um sujeito sem diploma para consertar a universidade, estava pensando no Juscelino. Foi preciso um médico como ele para construir Brasília. Getúlio Vargas, um fazendeiro, criou a indústria de base", diz o ex-metalúrgico.
Aos 56 anos, concorrendo pela quarta vez à Presidência, o chefe histórico do PT e seu grupo mais próximo dentro da legenda, os moderados, vivem um clima de "tudo ou nada". Lula e José Dirceu, deputado federal e presidente do PT, dividem o poder no partido e tudo indica que o compartilharão num eventual governo da estrela vermelha. Juntos, eles colocaram o PT no trilho centrista com o objetivo claro de furar o teto de 30% de votos que, historicamente, Lula sempre consegue em eleições para presidente. Para isso, era preciso convencer as elites, não assustar a classe média e, ao mesmo tempo, não colocar água na fervura da militância. Logo se solidificou um círculo de colaboradores em torno da dupla Lula-Dirceu. A seleção titular do PT, além do eterno chefão, é formada por Dirceu, Palocci, Gushiken e Mercadante, Genoíno, Marta e Singer, Sayad, Belluzzo, Graziano e Dulci. Alguns desses onze nomes, como José Dirceu, presidente do partido, Aloizio Mercadante, candidato a senador por São Paulo, a prefeita Marta Suplicy, José Genoíno, candidato a governador de São Paulo, são familiares aos ouvidos de milhões de brasileiros. O banqueiro João Sayad e os economistas Luiz Gonzaga Belluzzo e Paul Singer têm há um bom tempo lugar na vida nacional. Os outros soam estranhos para quem não milita no Partido dos Trabalhadores. Mas é gente de alta patente intelectual na hierarquia acadêmica da esquerda. Luiz Soares Dulci ocupa o cargo de secretário-geral do PT. Antônio Palocci, prefeito licenciado de Ribeirão Preto, é um dos autores do programa de governo. Luiz Gushiken é petista das primeiras horas, ex-deputado federal, de quem se diz ser capaz de driblar as maiores intransigências de Lula.
Se vencer as eleições, como parece altamente provável, Lula decidirá as questões políticas cruciais com José Dirceu, pelo menos no começo do governo. Dirceu, o radical exilado que fez treinamento de guerrilha em Cuba e acabou se tornando o arquiteto da linha moderada do PT, é o segundo homem na hagiografia petista. Se os tempos fossem outros, os petistas teriam orgulho em dizer que eles formam uma aliança tão formidavelmente harmônica quanto foi a dupla Fidel Castro e Che Guevara nos primórdios da Revolução Cubana. A mitologia revolucionária castrista fazia questão de embaralhar onde começava o poder de um e acabava o do outro. O resultado de um simples jogo de golfe, em que a dupla de revolucionários treinava para jogar com o então presidente americano, Dwight Eisenhower (partida que acabou não se realizando), foi descrito com a dubiedade esperada pelo fotógrafo oficial da revolução, Alberto Korda, que o registrou para a posteridade: "Fidel ganhou, mas Che o deixou ganhar". Lula é o comandante supremo do PT. José Dirceu sabe disso melhor do que ninguém. Mas se alguém é capaz de influenciar uma decisão de Lula e até de invertê-la totalmente em sua essência essa pessoa é Dirceu. Ou seja, quando Dirceu ganha uma parada, diz-se que Lula o deixou ganhar.
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