Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 772 - 9 de outubro de 2002
Eleições 2002
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Eleições 2002
 

O que vale saber para votar
Luís Inácio Lula da Silva
José Serra
Ciro Gomes
Anthony Garotinho
A campanha das idéias convergentes
Um teste de cidadania
Frases do primeiro turno

Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Contexto
Arc
Gente
VEJA Recomenda
A semana

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 

Como será o Brasil nos próximos
quatro anos depois que o sucessor
de FHC vestir a faixa presidencial?
Em vez de analisar os programas,
que são peças de ficção, convém
atentar para a força dos partidos, os
aliados, a história de cada candidato
e a forma como cada um decide e age

Acesso rápido
Capas de VEJA
2000 | 2001 | 2002
Veja também
Nesta edição
Luís Inácio Lula da Silva
José Serra
Ciro Gomes
Anthony Garotinho
Na internet
Noticiário diário no site Eleições 2002

Há inúmeros quesitos que o eleitor pode considerar na hora de decidir seu voto, menos um – o programa de governo, normalmente apontado como a bússola em qualquer eleição. Projetos de governo em geral são documentos ritualísticos que acabam esquecidos no dia seguinte ao da posse. Nesta eleição, a coisa está muito pior. Os programas dos presidenciáveis são espantosamente parecidos e igualmente fantasiosos. Se qualquer um dos quatro candidatos mais conhecidos tivesse mesmo o poder de fazer o Brasil crescer a taxas elevadas sem inflação, se pudesse de fato criar os milhões de empregos com que acena, se fosse capaz de realizar as reformas tributária e da Previdência sem traumas e sem déficits, o Brasil se tornaria instantaneamente um país de padrão europeu. Nada disso é possível. Não perca tempo, portanto, com os programas dos senhores presidenciáveis. O Brasil vai continuar enfrentando tempos duros. Não haverá milagres. Por isso mesmo, o homem encarregado do leme no Palácio do Planalto terá de ter qualidades mais pronunciadas de liderança que as que se exigem de um presidente em épocas que favorecem o crescimento.

Há alguns dados que dão indicações mais seguras sobre os candidatos do que seus programas. Examinem-se, por exemplo, a força dos partidos que os apóiam, quem são seus aliados, qual é a história contada pelo passado pessoal e político de cada um deles. Também se deve levar em conta a forma de tomar decisões e agir, situação que o líder de uma nação enfrenta cotidianamente. Nas páginas seguintes, o leitor terá oportunidade de conhecer o processo decisório de cada um dos principais presidenciáveis, bem como a qualidade de seus aliados e os desafios que se colocam diante de cada um deles.

O processo pelo qual um presidente toma decisões é tão essencial que pode moldar toda a sua passagem pelo poder – para o bem ou para o mal. Em 1965, apesar de ter introduzido uma notável agenda doméstica, o presidente americano Lyndon Johnson arruinou sua passagem pela Casa Branca ao despachar tropas terrestres para o Vietnã. Altamente narcisista e levemente paranóico, Lyndon Johnson não ouvia ninguém e as críticas eram vistas como sinal de deslealdade. É emblemático o depoimento de um ex-conselheiro que, depois de uma conversa em que disse apenas o que o presidente queria ouvir, revelou sentir-se como "uma prostituta de 3 dólares". Um caso oposto é o de John Kennedy, que conseguiu, em duas semanas, superar a crise dos mísseis soviéticos instalados em Cuba, em 1962. Ao saber da ameaça, Kennedy debruçou-se numa atividade febril, criou um comitê de emergência, ouvia todos os assessores e indagava sobre todos os detalhes técnicos. Os falcões, ala dura do governo, já tinham prontos um ataque aéreo para responder à provocação soviética e um plano de invasão de Cuba. Kennedy renegou-os. A uma provocação do chefe soviético, Nikita Kruchev, respondeu propondo negociação. Enquanto aguardava a resposta, Kennedy foi ver A Princesa e o Plebeu, comédia romântica que consagrou a atriz Audrey Hepburn. Kruchev aceitou a negociação – e a crise, gravíssima, se desanuviou.

Quando teorizava sobre sua grande especialidade, a guerra, Napoleão Bonaparte dizia que o sucesso nos campos de batalha não é de quem não comete erros, mas de quem comete menos erros. É certo que um presidente, seja ele qual for, incorrerá em equívocos e também não poderá fugir à história e às circunstâncias de sua gestão. Mas é desejável que erre menos e saiba decidir da melhor forma possível. No caso dos Estados Unidos, estudando-se o exercício da liderança presidencial, percebe-se que o processo decisório dos presidentes americanos dos dois últimos séculos é muito semelhante – e isso se deve à força de suas instituições, que acabam moldando as decisões presidenciais em assuntos externos ou internos. São balizadores que ainda faltam ao Brasil. Os brasileiros têm uma democracia recente, instituições em processo de consolidação e, por isso mesmo, deve-se atentar para a capacidade de montar maiorias sólidas no Congresso, a experiência de comandar, a possibilidade de entender as engrenagens complexas do mundo atual. Por fim, é útil averiguar como os presidenciáveis pensam, como decidem, como mandam. Esses detalhes fazem toda a diferença – no presente e, sobretudo, no futuro. {chapeu}

   
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS