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Como
será o Brasil nos próximos
quatro
anos depois que o sucessor
de
FHC vestir a faixa presidencial?
Em
vez de analisar os programas,
que
são peças de ficção, convém
atentar
para a força dos partidos, os
aliados, a história de cada candidato
e
a forma como cada um decide e age

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Há
inúmeros quesitos que o eleitor pode considerar na hora de decidir
seu voto, menos um o programa de governo, normalmente apontado
como a bússola em qualquer eleição. Projetos de governo
em geral são documentos ritualísticos que acabam esquecidos
no dia seguinte ao da posse. Nesta eleição, a coisa está
muito pior. Os programas dos presidenciáveis são espantosamente
parecidos e igualmente fantasiosos. Se qualquer um dos quatro candidatos
mais conhecidos tivesse mesmo o poder de fazer o Brasil crescer a taxas
elevadas sem inflação, se pudesse de fato criar os milhões
de empregos com que acena, se fosse capaz de realizar as reformas tributária
e da Previdência sem traumas e sem déficits, o Brasil se
tornaria instantaneamente um país de padrão europeu. Nada
disso é possível. Não perca tempo, portanto, com
os programas dos senhores presidenciáveis. O Brasil vai continuar
enfrentando tempos duros. Não haverá milagres. Por isso
mesmo, o homem encarregado do leme no Palácio do Planalto terá
de ter qualidades mais pronunciadas de liderança que as que se
exigem de um presidente em épocas que favorecem o crescimento.
Há
alguns dados que dão indicações mais seguras sobre
os candidatos do que seus programas. Examinem-se, por exemplo, a força
dos partidos que os apóiam, quem são seus aliados, qual
é a história contada pelo passado pessoal e político
de cada um deles. Também se deve levar em conta a forma de tomar
decisões e agir, situação que o líder de uma
nação enfrenta cotidianamente. Nas páginas seguintes,
o leitor terá oportunidade de conhecer o processo decisório
de cada um dos principais presidenciáveis, bem como a qualidade
de seus aliados e os desafios que se colocam diante de cada um deles.
O
processo pelo qual um presidente toma decisões é tão
essencial que pode moldar toda a sua passagem pelo poder para o
bem ou para o mal. Em 1965, apesar de ter introduzido uma notável
agenda doméstica, o presidente americano Lyndon Johnson arruinou
sua passagem pela Casa Branca ao despachar tropas terrestres para o Vietnã.
Altamente narcisista e levemente paranóico, Lyndon Johnson não
ouvia ninguém e as críticas eram vistas como sinal de deslealdade.
É emblemático o depoimento de um ex-conselheiro que, depois
de uma conversa em que disse apenas o que o presidente queria ouvir, revelou
sentir-se como "uma prostituta de 3 dólares". Um caso oposto é
o de John Kennedy, que conseguiu, em duas semanas, superar a crise dos
mísseis soviéticos instalados em Cuba, em 1962. Ao saber
da ameaça, Kennedy debruçou-se numa atividade febril, criou
um comitê de emergência, ouvia todos os assessores e indagava
sobre todos os detalhes técnicos. Os falcões, ala dura do
governo, já tinham prontos um ataque aéreo para responder
à provocação soviética e um plano de invasão
de Cuba. Kennedy renegou-os. A uma provocação do chefe soviético,
Nikita Kruchev, respondeu propondo negociação. Enquanto
aguardava a resposta, Kennedy foi ver A Princesa e o Plebeu, comédia
romântica que consagrou a atriz Audrey Hepburn. Kruchev aceitou
a negociação e a crise, gravíssima, se desanuviou.
Quando
teorizava sobre sua grande especialidade, a guerra, Napoleão Bonaparte
dizia que o sucesso nos campos de batalha não é de quem
não comete erros, mas de quem comete menos erros. É certo
que um presidente, seja ele qual for, incorrerá em equívocos
e também não poderá fugir à história
e às circunstâncias de sua gestão. Mas é desejável
que erre menos e saiba decidir da melhor forma possível. No caso
dos Estados Unidos, estudando-se o exercício da liderança
presidencial, percebe-se que o processo decisório dos presidentes
americanos dos dois últimos séculos é muito semelhante
e isso se deve à força de suas instituições,
que acabam moldando as decisões presidenciais em assuntos externos
ou internos. São balizadores que ainda faltam ao Brasil. Os brasileiros
têm uma democracia recente, instituições em processo
de consolidação e, por isso mesmo, deve-se atentar para
a capacidade de montar maiorias sólidas no Congresso, a experiência
de comandar, a possibilidade de entender as engrenagens complexas do mundo
atual. Por fim, é útil averiguar como os presidenciáveis
pensam, como decidem, como mandam. Esses detalhes fazem toda a diferença
no presente e, sobretudo, no futuro. {chapeu}
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