Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 772 - 9 de outubro de 2002
A semana

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Eleições 2002
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Contexto
Arc
Gente
VEJA Recomenda
A semana

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 

O dia do bandido

Em mais uma exibição de força,
traficantes fecham o comércio em
quarenta bairros do Rio de Janeiro

Marcelo Carneiro

 
Renata Xavier

Rua vazia em Copacabana: ameaça não era bravata

A ousadia dos traficantes tem produzido cenas marcantes no Rio de Janeiro. Em junho, a fachada da prefeitura foi metralhada por tiros de fuzil. Há menos de um mês, a penitenciária de segurança máxima Bangu 1 tornou-se palco de uma rebelião que terminou com quatro mortos e a bandeira de uma organização criminosa hasteada no presídio. Mas o que se viu na segunda-feira 30 foi inédito. Quarenta bairros da capital fluminense, além de cinco cidades da região metropolitana, amanheceram em clima de estado de sítio, com lojas, bancos, escolas e postos de saúde fechados. O plano de parar o Rio foi arquitetado por bandidos que, mesmo encarcerados, conseguem colocar a segunda maior cidade do Brasil de joelhos. Nem a presença de 43.000 policiais nas ruas encorajou os comerciantes a abrir as portas. A ação foi comandada pelo traficante Marcos Antônio da Silva Tavares, o Marquinhos Niterói. No último dia 15 de setembro, Marquinhos, que estava preso em Bangu 1, teve conversas telefônicas gravadas pelo Ministério Público, com autorização judicial. Nas fitas, o traficante ordena a um de seus comparsas o fechamento de lojas em áreas da cidade. "Blecaute na Zona Sul. Tem de parar tudo, comércio geral. Parar tudo, entendeu?", exige o bandido, aos berros. A razão era o descontentamento com o tratamento dispensado a Fernandinho Beira-Mar e aos demais líderes da organização criminosa Comando Vermelho, que haviam comandado o massacre em Bangu 1. Transferidos para um batalhão da Polícia Militar, foram proibidos de receber visitas.

O bandido não ficou apenas na bravata. Na manhã de segunda-feira, comerciantes foram abordados por jovens que exigiam o fechamento do comércio, a mando de traficantes. A polícia prendeu dezenove suspeitos, mas não impediu que o clima de pânico se instalasse. Treze ônibus foram incendiados em duas cidades da região metropolitana. Uma cópia da fita com as ameaças de Marquinhos Niterói foi entregue à Secretaria de Segurança Pública do Rio um dia após a escuta telefônica. Mesmo assim, a polícia não conseguiu impedir que, duas semanas depois, a promessa fosse cumprida. Para a governadora Benedita da Silva, o episódio foi provocado por boatos espalhados com a intenção de prejudicá-la na corrida eleitoral. Seus adversários, é claro, fizeram do caso bandeira de campanha na reta final da eleição. Infelizmente, mais uma vez, autoridades e candidatos se esqueceram de que misturar política e segurança pública pode ser explosivo.

 



 
 
   
  voltar
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS