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O
dia do bandido
Em
mais uma exibição de
força,
traficantes fecham o comércio em
quarenta bairros do Rio de Janeiro
Marcelo
Carneiro
Renata Xavier
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Rua
vazia em Copacabana: ameaça não era bravata
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A
ousadia dos traficantes tem produzido cenas marcantes no Rio de Janeiro.
Em junho, a fachada da prefeitura foi metralhada por tiros de fuzil. Há
menos de um mês, a penitenciária de segurança máxima
Bangu 1 tornou-se palco de uma rebelião que terminou com quatro
mortos e a bandeira de uma organização criminosa hasteada
no presídio. Mas o que se viu na segunda-feira 30 foi inédito.
Quarenta bairros da capital fluminense, além de cinco cidades da
região metropolitana, amanheceram em clima de estado de sítio,
com lojas, bancos, escolas e postos de saúde fechados. O plano
de parar o Rio foi arquitetado por bandidos que, mesmo encarcerados, conseguem
colocar a segunda maior cidade do Brasil de joelhos. Nem a presença
de 43.000 policiais nas ruas encorajou os comerciantes a abrir as portas.
A ação foi comandada pelo traficante Marcos Antônio
da Silva Tavares, o Marquinhos Niterói. No último dia 15
de setembro, Marquinhos, que estava preso em Bangu 1, teve conversas telefônicas
gravadas pelo Ministério Público, com autorização
judicial. Nas fitas, o traficante ordena a um de seus comparsas o fechamento
de lojas em áreas da cidade. "Blecaute na Zona Sul. Tem de parar
tudo, comércio geral. Parar tudo, entendeu?", exige o bandido,
aos berros. A razão era o descontentamento com o tratamento dispensado
a Fernandinho Beira-Mar e aos demais líderes da organização
criminosa Comando Vermelho, que haviam comandado o massacre em Bangu 1.
Transferidos para um batalhão da Polícia Militar, foram
proibidos de receber visitas.
O bandido não ficou apenas na bravata. Na manhã de segunda-feira,
comerciantes foram abordados por jovens que exigiam o fechamento do comércio,
a mando de traficantes. A polícia prendeu dezenove suspeitos, mas
não impediu que o clima de pânico se instalasse. Treze ônibus
foram incendiados em duas cidades da região metropolitana. Uma
cópia da fita com as ameaças de Marquinhos Niterói
foi entregue à Secretaria de Segurança Pública do
Rio um dia após a escuta telefônica. Mesmo assim, a polícia
não conseguiu impedir que, duas semanas depois, a promessa fosse
cumprida. Para a governadora Benedita da Silva, o episódio foi
provocado por boatos espalhados com a intenção de prejudicá-la
na corrida eleitoral. Seus adversários, é claro, fizeram
do caso bandeira de campanha na reta final da eleição. Infelizmente,
mais uma vez, autoridades e candidatos se esqueceram de que misturar política
e segurança pública pode ser explosivo.
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