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Edição 1 772 - 9 de outubro de 2002
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"Basta uma bala"

Porta-voz da Casa Branca sugere
que iraquianos matem Saddam

 
AP
Saddam: acordo com a ONU para adiar um ataque

O custo de uma guerra contra o Iraque é motivo de controvérsia nos Estados Unidos. O que se tem de mais próximo de um orçamento oficial é a estimativa de 272 bilhões de dólares, feita pelo Congresso dos Estados Unidos e divulgada na segunda-feira 30. Foram incluídas no cálculo as operações de guerra, a ocupação do Iraque por tropas americanas durante cinco anos e a reconstrução do país durante esse período. O preço da guerra pode ser muito mais alto, dependendo da destruição causada ao Iraque ou da resistência oferecida pelas forças de Saddam Hussein. Ou pode ser infinitamente mais baixo se for colocada em prática a proposta de Ari Fleischer, porta-voz da Casa Branca: a de que os iraquianos matem Saddam, o ditador que os Estados Unidos querem depor. "O custo seria o equivalente a uma bala, se o povo iraquiano realizasse essa tarefa por si próprio", disse Fleischer. Sem deixar dúvidas sobre a sugestão de assassinato, o porta-voz acrescentou que "uma mudança de governo é bem-vinda, seja qual for a forma que propicie isso".

 
AFP
Treinamento em Israel para um ataque iraquiano com armas químicas: tensão

O Iraque chegou a um acordo com a ONU para a volta ao país dos inspetores internacionais na terça-feira 1º. A missão dos inspetores é procurar as armas de destruição em massa – o arsenal nuclear, químico e bacteriológico que o Iraque já tenha ou esteja tentando produzir. Os inspetores podem começar a trabalhar em duas semanas, mas Bush não topa. Em parte, porque duvida que Saddam lhes dê inteira liberdade de ação. Mas também porque quer derrubar o ditador, e não apenas desarmá-lo. Ele exige que a ONU imponha condições mais duras ao Iraque antes do envio dos inspetores. Bush e o primeiro-ministro inglês, Tony Blair, o único aliado que se mostra disposto a participar de uma guerra contra o Iraque, querem o acesso irrestrito a todos os locais suspeitos de ocultar armas, incluindo dezenas de palácios presidenciais que Saddam tem espalhados por todo o país. Na quarta-feira 2, Bush obteve dos líderes republicanos e democratas na Câmara apoio para ir em frente com seus planos de batalha. Ficou combinado que o governo americano não dependerá da aprovação da ONU para atacar o Iraque. O acordo só deve ser votado na próxima semana, mas Bush já deixou claro como vai agir: "Saddam deve ser desarmado, e ponto final".

 

 

 
 
   
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