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VEJA mostrou
sua excelência ao publicar uma reportagem de capa diferente, com
um assunto tão presente na vida de todos nós. A ausência
da mentira só seria possível num mundo perfeito, sem guerras,
traição ou qualquer outro tipo de desrespeito ao ser humano.
Parabéns pela matéria ("Por que todos mentem", 2 de outubro). VEJA se esqueceu
de mencionar o maior clássico entre todas as mentiras: "Eu me converti".
Depois dessa brilhante reportagem, passarei a prestar mais atenção
nas feições dessas pessoas, que muitas vezes têm um
passado mais do que sombrio e hoje servem, incondicionalmente, ao Senhor
Jesus. Todo cidadão
honesto deve repudiar a idéia de que "a mentira é um apaziguador
social e sem ela a vida seria um inferno". Eu também digo mentiras,
felizmente com muito pouca freqüência, e reconheço que,
quando isso acontece, é por covardia ou incompetência minha
para lidar com maturidade em algumas situações. A verdade
só existe para quem necessita de explicação para
fenômenos que não compreende. Por isso, mentir é uma
opção quase sempre aceitável. Pior do que aceitar
a mentira como verdade é definir o que é errado sem julgar-se
certo. O marketing
político é a arte de tornar uma mentira convincente.
Lendo a
reportagem "Eles lularam na reta final" (2 de outubro), sobre a adesão
em massa a Lula, pode-se concluir com tristeza que o Brasil é um
país de ratos. Ratos que abandonam o barco ao menor sinal de perigo.
Ratos que aceitam os novos parceiros, não importando quão
mal possam cheirar. Acredito
que o candidato petista e seu partido reavaliaram várias das posições
absurdas que sustentavam há apenas seis meses e terão equilíbrio
para fazer um bom governo. Acredito também em Papai Noel e no coelhinho
da Páscoa. Lula está
parecendo tubaína em latinha de Coca-Cola. É uma falsificação
by Duda Mendonça. Voto em Lula
desde 1998 e fui um dos primeiros a assinar o manifesto de empresários
em apoio ao candidato na atual campanha. Vejo com alegria a adesão
de novos empresários, mas esse não é o meu caso.
Alagoas
e o Brasil agradecem a veiculação da reportagem "Mais uma
de Collor dez anos depois" (2 de outubro), sobre o novo escândalo
no aniversário de dez anos de sua queda (impeachment). Na hora
exata! Parabéns. É dessa imprensa que necessitamos.
Cumprimento
VEJA pela publicação da entrevista com a inglesa Anita Roddick
(Amarelas, 2 de outubro). Ela incentiva os leitores, mostrando que o importante
é ter criatividade e ser determinado.
Morando
na Alemanha há dois anos, consigo perceber a obsessão dos
alemães em aperfeiçoar e melhorar pequenas coisas. Parece
que tudo é pensado de modo a facilitar nossa vida. Por que isso
não ocorre no Brasil de forma tão intensa, já que
somos considerados tão criativos ("Tecnologia sem engenheiros?",
Ponto de vista, 2 de outubro)?
A asa-delta
foi, sim, um desenvolvimento da Nasa feito por engenheiros aeronáuticos
("Tecnologia sem engenheiros?", 2 de outubro). Tudo o que foi desenvolvido
posteriormente foi evolução, suportada por muita engenharia,
tanto na área de materiais quanto na de mecânica de vôo,
aerodinâmica, além de ergonomia. Criatividade, apenas, não
basta!
É,
pelo jeito os radicais brasileiros mudaram mesmo. A CUT, segundo seu presidente,
João Antonio Felício, nunca esteve com tanta atividade.
Só que agora, à moda mineira: às escondidas. Por
que será? As eleições fazem milagres mesmo. Pouco
tempo atrás quem é que acreditaria que a Central Única
dos Trabalhadores fosse a Brasília para conversar com funcionários
do governo neoliberal de FHC? (Cartas, 2 de outubro.)
Se fossem
autorizadas a produção e a comercialização
de automóveis com motor a diesel, muito mais econômicos,
mais ecológicos e com combustível extraído do petróleo
pesado, além da obrigatoriedade da utilização nos
transportes coletivos das grandes cidades de ônibus com motor movido
a álcool, cuja tecnologia dominamos e que são ecologicamente
muito mais limpos que os movidos a diesel, deixaríamos de importar
tanto petróleo leve e nossas cidades teriam uma atmosfera melhor
("Por que falta petróleo no Brasil", 2 de outubro).
Como se
explica que um pesquisador que trabalha com macacos há cerca de
vinte anos no Brasil não tenha autorização de coleta?
A resposta deve ser encontrada na atual legislação e na
incrível inoperância do Ibama e dos órgãos
competentes. Além disso, que o pesquisador mantinha macacos em
sua casa, isto é verdade, mas Marc van Roosmalen durante muitos
anos usou esse minizôo para tratar macacos doentes que seriam reintroduzidos
em uma área a poucos quilômetros de Manaus. O envio do material
ao exterior só reflete o despreparo do Inpa e de uma série
de universidades brasileiras para fazer análises sofisticadas ("A
lei da selva", 2 de outubro).
Adorei a
proposta de fechar as universidades e transferir alunos e professores
para as dependências do Senai, pois sou professora da UFPR há
vinte anos e tenho visto e ouvido coisas inacreditáveis para um
ambiente acadêmico e, além do mais, meu salário
jamais me permitiria comprar um vestido Armani. Quem sabe no Senai? ("No
deserto do Senai", 25 de setembro.)
A alegria
brasileira, invejada por todos, é nossa única riqueza independente
de especulações internacionais. A alegria faz parte de nossa
cultura, e o otimismo, de nossa rotina ("O país do 'tudo bem' ",
2 de outubro).
Quem se
propõe a fazer uma viagem dessas não pode esperar muito
conforto. Mas a reportagem "De Manaus ao Caribe. De ônibus" (2 de
outubro) deixou de citar que a rodovia corta a Floresta Amazônica
em toda a sua beleza e seu esplendor. O turista tem a oportunidade também
de ver a transição entre a floresta e o lavrado (campos
e capoeiras) de Roraima, e entre o lavrado e a savana venezuelana, e daí
para a vegetação típica da Cordilheira dos Andes,
com muitas cachoeiras e cascatas para banhos afrodisíacos.
CORREÇÕES:
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