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Saúde
Sem fumaça
A técnica
mais eficiente para abandonar o cigarro

Montagens Weigand
Só a força de vontade não basta.
A melhor maneira de parar de fumar é aliar os
adesivos e reposição de nicotina a uma terapia
de grupo |
Abandonar o cigarro
é o sonho de oitenta em cada 100 fumantes, mas apenas
dois ou três conseguem livrar-se do vício apenas pela
força de vontade. Uma pesquisa feita pelo Grupo de Apoio
ao Tabagista, GAT, do Hospital do Câncer de São Paulo,
confirmou que o método mais eficaz para quem deseja
largar o cigarro é uma associação das técnicas de
reposição de nicotina, como os adesivos e as gomas de
mascar, com uma psicoterapia de grupo, nos moldes dos
Alcoólicos Anônimos. "É o tratamento que tem
apresentado os resultados mais animadores", diz a
psiquiatra Maria Tereza Cruz Lourenço, que trabalha com
apoio aos fumantes no Hospital do Câncer. A terapêutica
começou a ser testada no Brasil há dois anos,
popularizou-se de um ano para cá e vem registrando uma
taxa de sucesso superior à dos processos tradicionais.
Dos fumantes que procuram o Hospital do Câncer em busca
da cura do tabagismo, 30% conseguem parar utilizando esse
método. No Hospital das Clínicas de São Paulo, o
pioneiro no uso da terapia, esse índice chega a 40%.
Todos os hospitais do câncer do Brasil mantêm programas
do gênero, e o êxito de cada um deles sempre é
superior aos 20% obtidos pelo grupo das pessoas que
tentam parar de fumar através do método de reposição
de nicotina sem o acompanhamento psicoterápico. Os
tratamentos contra tabagismo custam cerca de 300 reais, o
equivalente a 200 maços de cigarro. É barato. Os
fumantes habituais gastam em cigarro muito mais do que
isso durante um ano.
Adesivos
A nicotina é uma droga e nenhum adesivo
ou qualquer outro tipo de repositor deve ser usado sem
acompanhamento médico. Há casos de fumantes que os
utilizaram por conta própria e tiveram problemas de
náuseas e tonturas por ter sido expostos a quantidades
da substância superiores às que estavam acostumados a
consumir ao fumar. Além da necessidade de uma dose
correta, o problema dos repositores de nicotina é que
eles atacam a dependência, mas deixam o combate ao
hábito de acender o cigarro por conta do próprio
fumante. E quem fuma ou já fumou sabe como é difícil
se livrar desse costume.
Combate ao hábito Outros tratamentos,
como o uso da acupuntura, apresentam taxas de sucesso
elevadas nas primeiras semanas. Como não há um
seguimento posterior, ninguém é capaz de assegurar por
quanto tempo as pessoas submetidas a essa terapia se
mantêm longe do cigarro. Na psicoterapia associada ao
repositor de nicotina, o acompanhamento é minucioso. No
primeiro mês, o fumante usa o adesivo e participa de
sessões em que sua experiência é compartilhada com as
de outras pessoas igualmente interessadas em abandonar o
vício. Nessa fase, mais de 60% dos pacientes deixam de
fumar. Depois, o repositor é abandonado, e as conversas
prosseguem. Para ser considerado um ex-fumante, o
paciente precisa passar um ano inteiro sem tocar em
cigarro. Uma tragada é suficiente para seu caso ser
considerado malsucedido. O importante, de qualquer forma,
é tentar e, se não der certo, insistir. As
estatísticas mostram que não existe fórmula milagrosa
para quem deseja parar de fumar. Mas elas também indicam
que a chance de êxito aumenta a cada tentativa.

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