Futuro

Estágios três em um

Universitários recebem para conhecer
outro país e se aperfeiçoar em um idioma


Foto: Antonio Milena

Nelise Damasceno
Quiles, de 20 anos, babá
em Nova York: "Foi a
maneira mais barata que
encontrei para estudar fora"

Existem algumas formas de tornar mais barata a experiência de passar um tempo no exterior, ter contato com outra cultura e ganhar fluência em um novo idioma. O estágio para universitários é uma delas. Ao contrário dos intercâmbios comuns, em que a família do estudante paga para mantê-lo, essa modalidade garante uma renda mensal suficiente para as despesas básicas com alimentação, transporte e acomodação. O estudante precisa pagar a passagem aérea e algumas taxas que não chegam a 500 reais. Em troca, poderá trabalhar fora do país por um período de dois a quatro meses e ainda receber por isso. As vagas são oferecidas por empresas, institutos de pesquisa e universidades de mais de sessenta países do mundo.

Desde que a Central de Intercâmbio, a agência encarregada de selecionar e encaminhar os estudantes para os estágios, passou a oferecer esse tipo de serviço, há doze anos, 4.000 universitários brasileiros já participaram do programa. Para o próximo ano serão oferecidas 500 vagas (foram 350 na seleção passada), e as inscrições vão até o final de outubro. "Quem faz um desses estágios melhora sua chance de encontrar trabalho no mercado brasileiro", diz o estudante de farmácia Alexandre de Souza Carvalho, de 24 anos. No ano passado ele passou quatro meses na Alemanha e trabalhou no HKI, um instituto que pesquisa novos remédios. O salário era de 800 dólares por mês.

Experiência — Quem for aprovado na seleção estará viajando entre maio e dezembro de 1999. Para participar, o candidato deve indicar sua área de interesse e onde gostaria de trabalhar. Ele pode optar por até vinte empresas. O histórico escolar será avaliado, mas o principal requisito é possuir alguma experiência prática na área em que pretende fazer o estágio. Terá preferência o estudante que estiver mais próximo da conclusão do curso. O idioma também será avaliado, mas um conhecimento intermediário é suficiente para a aprovação. As áreas técnicas respondem por 90% das vagas oferecidas. Os estudantes das carreiras de engenharia, informática e arquitetura, por exemplo, têm oportunidades maiores em relação aos que cursam as áreas de saúde e ciências humanas.

Preços — Para participar da seleção o estudante precisa pagar uma taxa de inscrição de 50 reais. Os aprovados gastarão, além da passagem, 230 reais de taxa de intercâmbio e 96 reais de seguro saúde obrigatório. Cada um deixará um depósito em caução, no valor de 270 reais. O dinheiro será devolvido na volta, desde que o estudante não retorne antes do prazo combinado nem prolongue sua permanência no exterior após a conclusão do programa.

Babá no exterior — Outros dois programas lançados recentemente no Brasil também oferecem a universitários a chance de trabalho temporário no exterior. O da agência americana IEP permite que o estudante trabalhe na Califórnia, na costa oeste dos Estados Unidos, em hotéis, lojas de departamento, restaurantes e lanchonetes, parques temáticos ou agências de viagem. O outro é do Council, também americano. Nele, o estudante poderá atuar em sua área de interesse. Mas é ele quem terá de encontrar uma vaga de estagiário e não terá garantia de recebimento da bolsa. Algumas agências oferecem oportunidade de intercâmbio para universitários em início de curso e estudantes do ensino médio que se interessarem por morar nos Estados Unidos cuidando de crianças. "Foi a forma que encontrei de estudar em outro país", diz Nelise Damasceno Quiles, de 20 anos. Ela foi selecionada pela agência Experimento e trabalhou durante um ano como babá numa casa de família americana, em Nova York. Teve moradia e alimentação de graça, mais 560 dólares por mês. "Valeu a pena."




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