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| Fotomontagem sobre foto de Alexandre Rielo |
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| A Interpol invadiu casas de suspeitos, que trocavam fotos digitais de crianças com menos de 2 anos, nuas ou estupradas. Os bancos de dados tinham mais de 100.000 imagens que eram distribuídas no mundo inteiro. Na guerra pela limpeza da rede, sites como o PedoWatch tentam combater os pedófilos |
Uma operação policial de escala planetária desbaratou na semana passada uma quadrilha cujo negócio era vender fotografias de crianças nuas pela Internet. Algumas delas tinham menos de 2 anos de idade. Em alguns casos, as fotos mostravam cenas de sexo explícito com menores. Os compradores eram sites espalhados pelo mundo: 32 nos Estados Unidos, dezoito na Alemanha, dezesseis na Itália, oito na Noruega, além de Grã-Bretanha, Bélgica, Finlândia, Áustria, França, Suécia, Austrália e Portugal. O negócio fazia tanto sucesso que essa rede já contava com um banco de 100.000 fotografias, o que a tornava a maior central pornográfica da Internet. Os produtores desse material e seus distribuidores formaram uma espécie de confraria, conhecida pelo nome de "Wonderland", que significa país das maravilhas. Era uma alusão ao conhecido livro sobre as aventuras da menina Alice, escrito por Lewis Carroll, escritor, matemático e pastor anglicano que chocou a Inglaterra vitoriana com seu hobby de fotografar meninas de 9 anos em poses sensuais. Depois de rastrear os responsáveis pelo "Wonderland", a polícia britânica e a Interpol lideraram uma blitz internacional que resultou na prisão simultânea de 100 pessoas em catorze países. Estarrecida, a polícia acabou descobrindo que, para ser fotografados, muitos meninos e meninas haviam sido abusados sexualmente. Pior: os molestadores eram seus conhecidos ou parentes.
"O conteúdo destas fotos é de virar o estômago de qualquer pessoa normal", disse o detetive britânico John Stewardson, um dos superintendentes da ação policial, batizada de Operação Catedral. O combate a esse impressionante tráfego de pornografia infantil começou há alguns meses. Setenta oficiais da Interpol de trinta países se reuniram na França, em maio, para armar a operação, com ajuda de especialistas em computadores, advogados e representantes dos provedores da Internet. Aos experts da computação coube a tarefa de seguir o fio da meada que levava de um endereço a outro da rede para localizar as pessoas que os operavam. O primeiro desses ninhos pornográficos foi localizado em Sussex, no sul da Inglaterra. Em silêncio, o trabalho continuou. As pistas então conduziram a computadores nos Estados Unidos. Nos últimos meses, sempre auxiliada por técnicos em informática, a polícia penetrou em inúmeros bancos de dados e acabou por desvendar o resto dos supostos membros do clube. "O crime na Internet é global e portanto requer uma abordagem mundial", explicou o diretor-assistente de inteligência e conexões criminais da Interpol, Ralph Mutschke.
Tarados cibernéticos Os presos serão julgados pelas leis de seus respectivos países. No momento, a maior preocupação da polícia é dar assistência psicológica às crianças estupradas. A Interpol acredita que o tamanho e a eficácia da Operação Catedral passem a inibir futuros exploradores da pornografia infantil na rede de computadores. O crime organizado tem-se espalhado pela Internet com impressionante velocidade. Ainda não foi criado um código penal específico para esse caso e leis são debatidas no mundo inteiro. Muitos são contrários à censura dos sites, alegando que as restrições poderiam abrir caminho para um controle de tudo que é veiculado na Internet, festejada como a mais democrática das formas de comunicação. Por outro lado, grupos antipornografia acusam políticos e policiais corruptos de lentidão na caça aos criminosos ou mesmo cumplicidade no comércio das fotos pornográficas. Em julho passado, na Holanda, um dos assessores do ministro da Justiça foi demitido por copiar fotografias de crianças nuas no computador do seu escritório. Na mesma semana, a polícia holandesa vasculhou o apartamento de um pedófilo alemão, assassinado pouco antes na Itália, e encontrou fotos digitais de bebês de 1 ano violentados e sodomizados. Haviam sido feitas para distribuição na Internet.
Para alguns especialistas, a pornografia infantil na rede é perigosa não apenas porque crianças são molestadas para a produção de fotos mas porque os pedófilos usam as imagens para convencer outras a fazer sexo com adultos. "Se crianças, pela Internet, têm acesso a fotos pornôs de outras crianças, elas não conseguem perceber que isso é um desvio absurdo do comportamento sexual", diz David Greenfield, Ph.D. em psicologia da Universidade de Hartford. Apavorados com os novos casos, policiais americanos estão sofisticando ainda mais seus métodos de caça a tarados cibernéticos. "Os pedófilos pensam que podem se esconder atrás de provedores, arquivos e codinomes, mas nós vamos encontrá-los e entregá-los à Justiça", garante o agente federal americano Raymond Kelly, responsável pela Operação Catedral nos Estados Unidos. Para os pais, fica o alerta do psicólogo Burt Hollenbeck Jr, da Universidade de New Hampshire, que já recebeu em seu divã mais de 400 pedófilos. "Todo sujeito atrás de um PC tem uma identidade, e não é o homem do capote preto", diz ele. "Quem procura fotos pornôs de crianças pode ser o professor do seu filho, o vizinho ou o amigo da família."
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