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EUA: pontas de lanças |
A interminável novela da chegada do homem às Américas ficou ainda mais longa exatamente 20.500 anos. Contribuindo para alimentar o bate-boca científico sobre a data e o percurso que trouxeram o Homo sapiens ao continente americano, uma equipe de pesquisadores da Universidade do Sul do Chile e da americana Universidade de Kentucky reúne elementos para provar um novo calendário. Os resquícios mais antigos de assentamentos humanos, dizem, não estão nem no sul dos Estados Unidos (o sítio arqueológico do Novo México, datado de 11.500 anos) nem no morro na margem direita do Riacho Chinchihuapi, próximo ao Monte Verde, no Chile, onde no ano passado, depois de muita controvérsia, a comunidade científica confirmou a existência de vestígios humanos de 12.500 anos. Pela datação de recém-descobertos pedaços de madeira carbonizada que supostamente alimentaram a fogueira de caçadores pré-históricos em uma área um pouco mais ao sul do Monte Verde, o homem teria chegado ao continente muito antes, há 33.000 anos.
A nova descoberta foi feita por um
chileno, o geólogo Mario Pino. Ele faz parte da equipe
do arqueólogo americano Tom Dillehay, o primeiro a
identificar restos de um assentamento pré-histórico na
região do Monte Verde, a 800 quilômetros de Santiago.
Durante oito anos, Dillehay pacientemente reuniu
artefatos de madeira amarrados com cordas, ossadas e
pegadas em Monte Verde. O chileno Pino, em nova
expedição, fincou sua pá em um pequeno morro um pouco
mais adiante e, sem escavar muito profundamente, achou
restos de carvão impregnado por camadas de barro
chamuscado. Encontrou também pedaços de rocha
trabalhados aparentemente por mãos humanas. "Não
há dúvidas sobre a idade das minhas descobertas",
afirma Mario Pino. "Elas têm 33.000 anos." A
prova definitiva, porém, como sempre acontece nesses
casos, ainda demora. Em janeiro de 2001, uma escavadeira
removerá 3 metros de terra do topo do morro. Lá embaixo
os arqueólogos esperam encontrar seu tesouro, preservado
por uma avalanche ocorrida em priscas eras.
Novas dúvidas As recentes descobertas no Chile não só alteram e antecipam a data de chegada do homem à América como sacodem as teorias sobre o caminho que percorreu. Sabe-se que o homem moderno surgiu na África há 100.000 anos e, de alguma forma, ao longo dos milênios, cruzou a distância até o continente americano, o último trecho de terra a ser povoado. A teoria mais aceita indica que o Homo sapiens atravessou a Europa e entrou na América pelo extremo norte, cruzando o Estreito de Bering, durante a última era glacial. Sendo assim, como se explica que o sítio arqueológico mais antigo de que se tem notícia por estas bandas esteja fincado muito abaixo, no Chile? Uma das possíveis explicações é que existam outros vestígios, mais antigos ainda, a ser descobertos na América do Norte, passagem obrigatória da longa caminhada. Ou o percurso foi por uma via totalmente diferente? Na remontagem do povoamento do planeta, cada peça nova aumenta o quebra-cabeça.
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