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LIVROS
• No texto final deste livro, que não é um
conto, mas um manifesto, o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1978
explica por que gostava de escrever para crianças: "Elas ainda preferem
clareza, lógica e até mesmo uma coisa tão obsoleta como
a pontuação. Mais ainda, o jovem leitor exige uma história
real, com começo, meio e fim, a forma como os contos são narrados
há milhares de anos". E é exatamente isso que Singer oferece:
ficções de uma perfeição lapidar, cheias de graça,
emoção e sabedoria. São ao todo 38 narrativas curtas nesta
excelente edição, que traz também um glossário de
termos do judaísmo e do iídiche língua na qual Singer
(1904-1991) escreveu toda a sua obra, muito embora tenha vivido a maior parte
de seus anos nos Estados Unidos.
• Na trilha do best-seller O Código Da Vinci, de Dan Brown, entrou na moda o que se poderia chamar de "thriller acadêmico". A fórmula consiste em combinar a obra de um mestre da literatura ou das artes (como Da Vinci) com um crime enigmático nos dias atuais. Prelúdio para a Morte, da escocesa Val McDermid, competente autora de policiais, destaca-se como um dos poucos livros do gênero cujo enredo (ainda que altamente improvável) é bem construído. A história começa com a descoberta de um cadáver, na Inglaterra, cujas tatuagens parecem guardar relação com o motim do navio inglês Bounty, no século XVIII episódio que teria inspirado um épico perdido do poeta romântico William Wordsworth. Jane Gresham, a heroína da história, é uma especialista em Wordsworth que, em busca do poema misterioso, se defronta com uma série de crimes.
O SAL DA TERRA, de Richard Ford (tradução de Maria Beatriz de Medina; Record; 602 páginas; 69,90 reais)
• Em O Cronista Esportivo, de 1986, e Independência, romance vencedor do Prêmio Pulitzer de 1996, o americano Richard Ford maravilhou a crítica e os leitores com um personagem que nada tinha de extraordinário: Frank Bascombe, um corretor de imóveis de 38 anos que apreciava sua existência comum com doses equilibradas de conformismo e autoironia. Em O Sal da Terra, o mesmo personagem aparece em 2000, aos 55 anos, convencido de que sua vida afinal chegara a um platô de otimismo que ele mesmo batizara de Período Permanente. Mas, em um feriado de Ação de Graças data de tradicionais celebrações familiares nos Estados Unidos , ele descobre-se imerso em crises: sua segunda esposa vai deixá-lo, os filhos estão cheios de problemas e ele tem câncer de próstata. Ao lado do Coelho de John Updike, Bascombe é um dos melhores retratos literários já feitos da classe média americana. Trecho do livro.
DISCOS NAZARETH, Rosana Lanzelotte, Caito Marcondes e Luis Leite (Biscoito Fino) • O compositor carioca Ernesto Nazareth (1863-1934) tinha formação erudita. Mas entrou para a posteridade como autor de "tangos brasileiros" um rótulo que ele mesmo inventou , lundus, choros e maxixes, que ouvia nas ruas do Rio de Janeiro e vertia para o piano. Nazareth criou 218 obras, que foram recuperadas graças a um projeto da cravista carioca Rosana Lanzelotte. Nazareth, o disco, traz dezesseis trabalhos do compositor, interpretados por Rosana, pelo violonista Luis Leite e pelo percussionista Caito Marcondes. Há peças conhecidas, como Batuque e Fon Fon, além de obras inéditas. É o caso de Cuyubinha e Furinga. Ainda neste mês, Rosana vai disponibilizar as faixas do CD para audição e todas as partituras de Nazareth no site www.ernestonazareth.com.br.
• Quando Rick Rubin, produtor de bandas como Red Hot Chili Peppers e Metallica, assumiu a direção do selo Columbia, um de seus primeiros atos foi contratar o trio de pós-punk Gossip. Não poderia ter feito escolha mais acertada. O trio é liderado por Beth Ditto, uma cantora lésbica, desbocada e muitos quilos acima do peso. Tem uma sonoridade particular, que vai do punk rock e aqui o guitarrista Brace Paine se revela um excelente criador de fraseados pegajosos à disco e à música pop. Music for Men tem produção de Rubin, que eliminou uma ou outra impureza do Gossip (tirou o excesso de distorção, por exemplo), mas deixou a personalidade do grupo intacta. Heavy Cross, o primeiro single do novo CD, tem o peso dos antigos trabalhos do Gossip. E Beth até reafirma o gosto pela provocação na letra de 8th Wonder na qual canta "Se tem algum risco / Eu topo...".
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