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ao espectador
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Fotos divulgação![]() |
| INCHAÇO FAMILIAR Jim Bob Duggar e a mulher, Michelle, ambos com bebês no colo em meio à filharada (à esq.), e os recém-separados Kate e Jon (cada qual numa ponta do banco), com seus oito rebentos: altos gastos, desafios logísticos e problemas |
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Ao comprarem roupas de presente para a mãe, os filhos da americana Michelle Duggar preocupam-se com o efeito sanfona. "Temos de lhe dar peças que se adaptem às mudanças no seu corpo. Afinal, ela está sempre grávida ou de resguardo", já declarou um deles. Mãe de dezoito filhos, Michelle passou doze dos últimos 22 anos em gestação. Seguidora de uma seita protestante fundamentalista do Arkansas, ela vê a maternidade como missão divina: "Se Deus me projetou para dar à luz, eu não poderia contrariar Seu desejo". Michelle, o marido, Jim Bob, e sua prole são estrelas de 17 e Mais, programa que focaliza os desafios de manter uma família tão numerosa (o título, que faz menção ao número de filhos que ela tinha quando a temporada em questão foi gravada, está desatualizado: Michelle, de 42 anos, espera o 19º). Em exibição desde sexta-feira passada no canal pago Discovery Home & Health, a atração vem engrossar um novo filão: o dos reality shows que exploram a aventura de ter muitos filhos. Fórmula idêntica é seguida por Jon e Kate Mais 8, outro sucesso do canal. Seus protagonistas, os americanos Jon e Kate Gosselin, desdobram-se na criação de oito crianças. O casal cativou o público com seu perfil certinho ela, de mãe eficiente; ele, de marido que acata as ordens sem reclamar. Recentemente, contudo, um novo tópico foi introduzido na pauta: como lidar com o divórcio numa situação assim. Pois a harmonia acabou quando um paparazzo flagrou Jon com uma amante. Os dois anunciaram a separação há algumas semanas, num episódio que bateu recorde de audiência nos Estados Unidos.
Clãs desse tamanho um dia foram a regra. Nos Estados Unidos do início do século XX, não era incomum encontrar famílias como os Duggar. No Brasil, até menos de cinquenta anos atrás, as mulheres tinham em média seis filhos. Mas vários fatores como o deslocamento do campo para a cidade, a ascensão feminina no mercado de trabalho e a invenção dos anticoncepcionais mudaram esse quadro radicalmente. Hoje, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, a média fica em torno de dois filhos por casal. No passado, ter muitos filhos vinha a calhar. "Uma família numerosa significava mais braços para trabalhar", diz o sociólogo Claudio Crespo, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Na vida moderna, entretanto, dá-se o oposto: um novo filho representa mais gasto. O apelo desses programas está em oferecer uma janela para um artigo que se tornou exótico quase uma relíquia antropológica.
O reality show sobre os Duggar mostra o inchaço familiar levado ao extremo. O casal sustenta que a decisão de ter tantas crianças veio de uma epifania. "No começo do casamento, depois de Michelle sofrer um aborto causado por contraceptivos, a Bíblia abriu nossos olhos para o pecado", diz Jim Bob. A casa do clã é como um albergue. Está equipada com cozinha e lavanderia industriais, além de nove banheiros. O povaréu se desloca num ônibus dirigido por Jim Bob. Os pais ministram a educação da garotada. Todos aprendem a tocar instrumentos de cordas. Nas aulas de ciências, a teoria da evolução de Darwin é demonizada Jim Bob prefere lhes ensinar a origem das espécies segundo os parâmetros criacionistas. Os gastos são, claro, elevados só de fraldas, a família já consumiu 90 000 unidades. Os pais dizem manter a família com o aluguel de salas comerciais. Mas o fato é que o programa se tornou uma bela fonte de renda. Os Duggar embolsam o equivalente a 80 000 reais por episódio (mais famosos, Jon e Kate faturam o dobro). O casal proíbe os filhos de ver TV, mas não acha contraditório participar de algo profano como um reality show.
No caso de Jon e Kate, a prole gigantesca não teve motivação religiosa foi um efeito colateral dos avanços da ciência. Tratamentos de fertilidade fizeram com que ela engravidasse de gêmeas e, quatro anos depois, de sêxtuplos. Por razões de consciência, Kate não quis abortar alguns dos embriões, como sugeriam os médicos e assim o clã foi ampliado com mais três meninos e três meninas. O casal ilustra outro dado da realidade: o excesso de filhos pode ser fatal para o casamento. "Com muitas crianças em casa, cresce o risco de a relação desandar", disse a VEJA a terapeuta de casais americana Michele Weiner Davis. Para ela, os Gosselin seguiram um roteiro previsível. Kate se agarrou às crianças numa tentativa de se manter no controle. E o marido pulou fora do barco na primeira oportunidade. Jon teve um affair com a repórter de um tabloide e, três semanas após a separação, assumiu o namoro com uma moça de 22 anos (contra 34 de Kate e 32 dele), filha do médico que fez uma plástica no abdômen da ex-mulher. Enquanto o ruidoso processo de divórcio se inicia, a lavagem de roupa suja prossegue na TV.