Saúde
A boia da prevenção
As atenções
dos especialistas no tratamento do alcoolismo agora
se voltam para os bebedores
de risco, aquelas pessoas que ainda
não são alcoólatras,
mas que ameaçam virar dependentes

Adriana Dias Lopes e Naiara Magalhães
Studio 504/Photodisc/Getty Images/RF; Istockphoto

No
Brasil, quase 70 milhões de homens e mulheres bebem. Incluem-se aí
desde as pessoas que tomam uma única dose de álcool ao longo de
um ano até os dependentes pesados, que não vivem sem a bebida. Entre
os dois extremos, existe um grupo que, até pouco tempo atrás, não
aparecia nas estatísticas nem nas preocupações médicas:
os bebedores de risco. É grande a probabilidade de você, leitor,
ser um deles. Estima-se que os bebedores de risco somem 30 milhões de brasileiros.
Aparentemente, são pessoas que mantêm uma relação tranquila
com a bebida. Vez por outra, cometem alguns deslizes, mas nada que desperte muita
atenção ou faça soar o alarme de que um hábito agradável
começa a degenerar em vício. Quem já não dirigiu depois
de um jantar regado a um bom vinho? Quem já não tomou alguns copos
de cerveja durante um tratamento de saúde à base de antibióticos?
Quem já não curtiu uma ressaca tão forte que perdeu o dia
na escola ou no trabalho? Pergunte a um bebedor de risco como é a sua relação
com o álcool e ele certamente dirá que bebe apenas socialmente.
Mas o limite que separa esse tipo de bebedor do abismo é muito tênue.
Metade deles está à beira do alcoolismo. Os bebedores só
não ultrapassarão a fronteira entre o abuso e a dependência
se operarem mudanças em relação ao hábito de beber.
Resume a psiquiatra Camila Magalhães Silveira, do Centro de Informações
sobre Saúde e Álcool: "Cuidar desses pacientes significa, no
fundo, prevenir o aparecimento do alcoólatra".
Essa abordagem
é totalmente inovadora no tratamento do alcoolismo. É um extraordinário
avanço o reconhecimento de que existe um processo indolor, uma progressão
em terreno inofensivo que conduz lentamente ao alcoolismo patológico. Seu
corolário é a noção de que essa fase crônica
pode ser diagnosticada e interrompida para que a pessoa um dia possa recuperar
a capacidade de desfrutar a bebida sem maiores riscos. Até a década
passada, os especialistas preocupavam-se, sobretudo, com as pessoas já
na fase da dependência, quando a luta contra o álcool é muito
mais difícil de ser vencida e a abstinência total e permanente é
a única chance de controle da doença. Para os bebedores de risco,
porém, a abstinência não é necessariamente o objetivo
a ser alcançado. Isso porque eles ainda não desenvolveram dependência
física do álcool. Os bebedores de risco podem passar dias sem tomar
uma cerveja, uma taça de vinho ou algumas doses de uísque. Mas para
eles a bebida tem um significado psicológico muito positivo. Ela lhes dá
prazer, mas, principalmente, maior autoconfiança. Necessária, sim.
Mas não imprescindível. São incapazes de divertir-se ou ficar
à vontade numa roda sem esvaziar um copo. Os estudos mais recentes sobre
os efeitos do álcool no organismo mostram que muitos desses homens e mulheres
podem continuar desfrutando o que julgam ser os efeitos benéficos da bebida
sem enveredar sem volta pelo caminho do alcoolismo. Para isso é fundamental
que tomem cons-ciência do grau de risco a que estão se expondo e
aprendam a quebrar o padrão de comportamento associado ao álcool.
A ajuda que os médicos podem dar aos bebedores constantes não viciados
é a "redução de danos". Aderir a ela implica reduzir
a quantidade e a frequência com que a pessoa bebe sem obrigá-la à
privação total.
É surpreendente ouvir de um médico
que alguém que já tenha tido problemas com o álcool possa
tomar um drinque de vez em quando, sem o risco de uma recaída. Aos alcoólatras
recuperados, o primeiro gole é terminantemente proibido. Isso não
vale, porém, para os bebedores de risco, porque eles ainda não caíram
nas engrenagens cerebrais inescapáveis que produzem o vício. A principal
ação do álcool no cérebro concentra-se em dois neurotransmissores
a dopamina e o GABA. Responsável pela sensação de
prazer, a dopamina vai às alturas na presença de álcool.
O GABA, por sua vez, um tranquilizante produzido no cérebro, tem seus níveis
reduzidos pela bebida. Com a dopamina no alto e o GABA em baixa, o registro na
memória da satisfação proporcionada pelo álcool é
muito intenso, o que faz com que o cérebro queira repeti-la. Está
aberto o alçapão do vício. É na borda dele que se
equilibram os bebedores de risco. Eles não estão condenados a cair
no abismo.
Os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos,
os prestigiosos NIH, sugerem alguns passos vitais para o bebedor de risco controlar
a bebida e não deixar que ela o controle:
Estipular uma meta
máxima de doses por dia o ideal é que ela não extrapole
uma dose para as mulheres e duas para os homens.
Evitar beber em
casa ou sozinho.
Dar uma hora de intervalo entre uma dose e outra
de bebida alcoólica e, enquanto isso, tomar refrigerante, água ou
suco.
Diz o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, da Universidade Federal de São
Paulo: "Essas mudanças de hábito ajudam o paciente a beber
quantidades menores de álcool e a incorrer menos frequentemente em comportamentos
prejudiciais à vida dele".
De cada dois bebedores de risco,
no entanto, um precisa de ajuda extra para controlar o consumo de álcool.
Para eles, a medicina tem boas-novas. Lançado na década de 70, o
relaxante muscular Baclofen passou a ser estudado para o controle do consumo de
álcool. O remédio age em uma das mais determinantes substâncias
associadas ao vício, o neurotransmissor GABA, simulando a ação
do álcool (veja o quadro). O uso do baclofen contra
o abuso de álcool nasceu de uma experiência pessoal de um médico
francês. Em 2002, Olivier Ameisen, renomado cardiologista da Universidade
Cornell, em Nova York, começou a testar o Baclofen em si próprio,
depois de se submeter a vários programas de reabilitação
dos encontros no grupo Alcoólicos Anônimos a internações
em clínicas especializadas. Sua experiência com o medicamento está
narrada no livro Le Dernier Verre (O Último Copo), best-seller na
Europa e nos Estados Unidos. "Eu precisava dos efeitos do álcool para
existir em sociedade", conta ele no livro. Uma notícia de jornal despertou
sua atenção: havia indícios de que o Baclofen poderia ser
usado no combate à dependência de cocaína. "Por que não
para o alcoolismo?", pensou Ameisen. O médico, então, decidiu
tomar o remédio. Ele testou várias dosagens, até estabelecer
o ideal em 50 miligramas por dia. O Baclofen ajudou Ameisen a se satisfazer com
doses menores de álcool: "Hoje posso tomar um copo de vinho e não
ficar com aquela vontade irresistível de beber mais".
Apesar
do sucesso obtido por Ameisen, o uso do medicamento para o controle do consumo
de álcool ainda não obteve aprovação das autoridades
mundiais de saúde. Mesmo assim, alguns médicos vêm recorrendo
ao remédio na tentativa de livrar seus pacientes dos perigos da bebida.
Os resultados mais promissores foram produzidos por experiências realizadas
em ratos. Para que o Baclofen possa ser prescrito para bebedores de risco ou alcoólatras,
é preciso ainda determinar com pesquisas mais amplas com pelo menos
3 000 voluntários as doses de segurança do medicamento.
Dosagens acima de 30 miligramas por dia podem levar a problemas respiratórios
e quadros severos de fraqueza muscular. Um trabalho da Escola de Medicina da Universidade
da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, mostrou que apenas 30 miligramas diários
do Baclofen não têm o efeito antibebida observado pelo cardiologista
Olivier Ameisen com suas doses de 50 miligramas. Um estudo recente feito pela
Faculdade de Medicina da Universidade do Chile mostra que os efeitos antibebida
do Baclofen são notáveis quando a droga é ingerida na proporção
de 1 miligrama por quilo de peso.
A presença crescente de mulheres
classificadas como bebedoras de risco é um fenômeno que vem preocupando
as autoridades de saúde. Na última década, houve um aumento
de 50% no número de mulheres que se encaixam nesse perfil. Entre os homens,
o crescimento foi de 30%. "Se o quadro não mudar, em breve elas devem
superar os homens nas estatísticas do alcoolismo", diz o psiquiatra
Ronaldo Laranjeira. O fenômeno fez disparar o alarme na Associação
Americana de Psiquiatria. As conclusões serão publicadas na próxima
edição de seu guia, o Manual de Diagnóstico e Estatística
de Distúrbios Mentais (DSM-V), com previsão de lançamento
para 2012. A instituição formou um grupo de pesquisadores internacionais
para estudar a possibilidade de criar parâmetros específicos para
avaliar o abuso e o vício do álcool entre o sexo feminino. Há
diferenças cruciais no modo como homens e mulheres se relacionam com a
bebida. Como regra geral, elas passam a beber descontroladamente para, como se
diz popularmente, "afogar as mágoas" de amores perdidos. As mulheres
buscam consolo emocional na bebida e mais comumente do que os homens bebem em
casa quando se sentem solitárias. Eles, como é de supor, começam
a beber por diversão ou pela emulação do comportamento dos
colegas nos bares. Os efeitos da bebida são mais devastadores para o sexo
feminino do que para o masculino. As doenças decorrentes do alcoolismo
matam proporcionalmente duas vezes mais mulheres do que homens alcoólatras.
Entre elas, os estragos à saúde provocados pelo vício da
bebida costumam aparecer dez anos antes do que entre eles. O álcool é
metabolizado no fígado e no estômago pela enzima ADH (álcool
desidrogenase). Por uma determinação genética, o organismo
das mulheres secreta menos ADH do que o dos homens. Como resultado disso, com
a mesma dose de bebida, a quantidade de álcool na corrente sanguínea
delas é sempre maior do que na deles. Aumenta a fragilidade da mulher à
bebida o fato de os tecidos do corpo feminino serem formados com menos água
(-20%) e mais gordura (+11%) do que os do organismo masculino. Essa combinação
é uma armadilha para a mulher. Com menor concentração de
água, o álcool dilui-se menos e, com mais gordura, ele se mantém
por mais tempo no organismo delas (veja o quadro).
Um dos fatores que contribuíram para aumentar o número de mulheres
com problemas com o álcool é a preocupação exagerada
com a estética. Muitas lançam mão da bebida para substituir
a comida e, assim, perder peso. Estima-se que 27% das mulheres adultas que abusam
do álcool façam isso. Os americanos criaram inclusive um termo para
classificá-las: drunkorexic (anorexia alcoólica, em português).
Essas mulheres passam o dia em jejum a fim de controlar as calorias e, depois,
abusam do álcool para aliviar a ansiedade e aplacar a fome. O álcool
de fato sacia e não só pelas calorias. Ao entrar no organismo,
ele irrita a parede do estômago e dos intestinos, desenca-dean-do um processo
inflamatório. A inflamação, por seu turno, estimula a produção
da leptina, enzima que na mucosa gástrica do aparelho digestivo é
responsável pela sensação de saciedade.
O grande
desafio da medicina é fazer com que os bebedores de risco se reconheçam
como tais e procurem ajuda. Diz o psiquiatra André Malbergier, do Instituto
de Psiquiatria da Universidade de São Paulo: "Na maioria das vezes,
eles consomem aquela quantidade de álcool aceita socialmente e só
chegam aos consultórios quando o álcool ataca a saúde, provocando
gastrite e dor de cabeça crônica". Teremos cumprido nosso objetivo
se ao acabar de ler esta reportagem você se reconhecer como um bebedor de
risco e isso levá-lo ou levá-la a procurar ajuda profissional. Saúde!
Com reportagem de Kalleo Coura
"Há sete anos não sei o que é
sentir o gosto do álcool"
"Quis ser radical na escolha
do meu tratamento. Não podia mais conviver com a preocupação
do meu marido e das minhas filhas em relação a mim. Além
disso, tinha medo de decepcioná-los. Por isso, optei por ser medicada e
me livrar da bebida de uma vez por todas. Durante três meses usei a medicação
e, por quatro anos, frequentei um grupo de apoio. Há sete anos não
sei o que é sentir o gosto do álcool. Nenhum tratamento teria sido
eficaz, porém, sem a compreensão e a paciência da minha família.
Sem eles, na verdade, não teria nem mesmo notado que estava me tornando
alcoólatra."
Maria Cristina de Camargo, 57 anos
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Fotos Lailson Santos
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"Sempre usei a bebida como muleta na minha
vida"
"Aos 15 anos, saía para beber com amigos nos fins
de semana e dizia a meus pais que estava indo à sorveteria. Bebia para
me soltar. Nos tempos da faculdade de administração, todos os dias
ia beber cerveja com os amigos. Por várias vezes, saí carregada
de festas e não me lembrava de nada no dia seguinte. Quando fiquei grávida,
diminuí a quantidade de bebida, mas não parei de beber. No fim do
meu casamento, passei a beber muito, todos os dias. Cheguei ao ponto de abandonar
a faculdade e não cuidar da minha filha como deveria. Sempre usei a bebida
como muleta. Em outubro, meu pai me levou para uma clínica de recuperação.
Meu maior sonho é abraçar minha filha, já livre do vício."*
Ana
Paula do Carmo, 40 anos
*Há dois meses, ela recebeu alta da
clínica |
"Tinha
de beber para
me sentir normal"
"Eu comecei a beber aos 12 anos,
com meus amigos. Depois da aula, nós íamos para o centro da cidade
e bebíamos vinho, cerveja, vodca... No fim da tarde, voltava para casa,
tomava um banho e já saía para beber de novo. Quando estava sóbrio,
eu me sentia estranho; tinha de beber para me sentir normal. Aos 15 anos, meus
pais me internaram pela primeira vez. Mas, naquela fase, eu não queria
me tratar. Só agora tenho vontade de voltar a estudar, começar a
trabalhar, melhorar a relação com minha família. Eu já
magoei demais minha mãe. Ela ficava desesperada de me ver bebendo tanto.
A lembrança do sofrimento de minha mãe é que me dá
forças para
tentar largar o álcool. Não quero mais fazê-la
sofrer."
Newiton de Moura Silva, 20 anos |
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"Quero receber alta dos
médicos, da minha família e de mim"
"Ao contrário
da maioria dos homens, comecei a beber tarde, aos 25 anos, quando estava na faculdade
de matemática. Durante um bom tempo, conseguia beber apenas socialmente.
O álcool virou um problema quando fui demitido, aos 35 anos. Na ocasião,
eu já tinha minhas três filhas e fiquei com muito medo de não
conseguir outro emprego. Quando me dei conta, estava bebendo durante a semana
e de dia o que eu nunca havia feito antes. Um ano depois, quando consegui
um novo trabalho, bebia nove doses de destilado diariamente uísque,
vodca ou pinga. Eu acordava e tomava duas doses. Era assim que eu tentava controlar
os tremores nas mãos. Tinha muito receio de que o pessoal do escritório
percebesse a minha crise de abstinência. Hoje estou me tratando. Quero me
recuperar e receber alta tripla: dos médicos, da minha família e
de mim mesmo."
Cícero Eduardo, 51 anos
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Doces e perigosas
Antônio
Gaudério/Folha Imagem
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Falsa ilusão
As bebidas ice dão
a sensação de que se consome pouco álcool. Deveriam virar
caso de saúde pública
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A iniciação
ao álcool é cada vez mais precoce. A atual geração
de adolescentes começa a beber regularmente aos 14 anos quase três
anos antes da média exibida pelos jovens há cinco anos. Os dados
são do I Levantamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool
na População Brasileira, de 2007, realizado pela Secretaria Nacional
Antidrogas. A mudança preocupa porque, quanto mais cedo uma pessoa começa
a beber, maior é a probabilidade de ela vir a ter problemas com o álcool:
9% dos adultos que deram os primeiros goles aos 14 anos passaram depois à
categoria de dependentes. Entre os que começaram a beber após os
21 anos, esse índice é de apenas 1%, segundo a publicação
Uso e Abuso de Álcool, lançada pela Universidade Harvard em 2008.
As meninas é que causam mais preocupação. As adolescentes
de hoje compõem a primeira geração de mulheres que se igualam
aos homens nos índices de alcoolismo. E essa não é uma tendência
exclusivamente brasileira. "No mundo todo, as moças estão alcançando
os rapazes no que se refere aos problemas relacionados ao álcool",
disse a VEJA o epidemiologista americano James Anthony, professor da Universidade
Esta-dual de Michigan. Entre outros motivos, elas se sentem estimuladas a competir
com os garotos, como se a bebida fosse também uma área em que devesse
prevalecer a equidade entre os sexos. "Como se um sinal de mulher bem-sucedida
fosse beber feito um homem", acrescenta o psicoterapeuta Celso Azevedo Augusto.
Começar
a beber exige persistência dos adolescentes, por causa do gosto forte e
amargo do álcool. Mas esse obstáculo foi superado por uma invenção
que deveria virar caso de saúde pública: os ices. As misturas docinhas
de vodca com suco de fruta ou refrigerante fazem a alegria da moçada. São
o combustível das baladas e festinhas caseiras, que invariavelmente terminam
em muito vômito. "Os ices não apenas introduzem os jovens no
consumo de álcool como os ajudam a ingerir doses cada vez maiores",
diz o neurocirurgião Arthur Cukiert, do Hospital Brigadeiro, em São
Paulo. Vendidos em todo lugar e vistos pelos pais como "menos ofensivos",
podem ser mais devastadores do que outras bebidas. "Apesar de terem teor
alcoólico semelhante ao das cervejas, são consumidos como limonada",
diz a psicóloga Ilana Pinsky, professora da Unifesp. Um perigo. Mais um.
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Fotos SPL/Corbis/Latinstock
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