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EXPOSIÇÃO

Tela de Kandinsky: pré-abstracionismo

Expressionismo Alemão, no Paço Imperial do Rio de Janeiro, até 24 de setembro – Esta é a maior mostra já realizada no Brasil sobre o movimento artístico nascido na Alemanha nos primeiros anos do século XX. Aos artistas expressionistas, não interessava criar imagens fidedignas do mundo real. O que ia para suas telas era o resultado das emoções por eles experimentadas na hora de pintar. Visualmente, isso significava uma explosão de cores fortes e objetos deformados, que se tornaram marca registrada de artistas como o alemão Franz Marc (1880-1916) e o austríaco Oskar Kokoschka (1886-1980). Na exposição carioca, cuja inauguração está marcada para o dia 8, serão mostradas 279 pinturas e gravuras de artistas do expressionismo. Além de Kokoschka e Marc, estarão representados outros nomes importantes, como Ludwig Kirchner, August Macke e Otto Dix, além de dois pintores que passaram a ser considerados gênios do modernismo: Paul Klee e Wassily Kandinsky. Esses dois, embora tenham estreado no movimento, mais tarde foram em busca de novas técnicas. Kandinsky, por exemplo, evoluiu para a pintura abstrata, criando composições cheias de traços geométricos que se tornaram presença obrigatória nos melhores museus do mundo. Completam a exposição noventa trabalhos de Lasar Segall, Lívio Abramo e Oswaldo Goeldi, com o melhor do expressionismo brasileiro.

 

DISCO

Excuses for Travellers, Mojave 3 (Roadrunner) – O Mojave 3 produz melodias tão pungentes que derretem qualquer coração de pedra. Os três integrantes deste grupo surgido na Inglaterra têm fama de esquisitões. A imprensa britânica costuma classificá-los como "encaradores de sapato", por causa de sua timidez. Eles tocam olhando para as próprias botas. Raramente fitam a platéia ou trocam palavras com ela. Mas o jeitão acabrunhado do grupo em nada prejudica seu desempenho no CD. As baladas do Mojave 3 em Excuses for Travellers, terceiro disco do trio e o primeiro a ser lançado no Brasil, são de primeiríssima qualidade. Elas soam como um cruzamento entre a música folclórica inglesa e o country americano. É como se o trovador canadense Neil Young se fizesse acompanhar da guitarra celta de Jimmy Page. Em boa parte do disco, sobressai o talento de Neil Halstead, vocalista, guitarrista e líder do Mojave 3. Mas também vale a pena destacar a sensual voz sussurrante da baixista Rachel Goswell, na linda faixa Bringin' Me Home.

 

LIVRO

Freedomland, de Richard Price (tradução de Eneida Santos; Rocco; 648 páginas; 58 reais) – Anos atrás, o jornalista e romancista Tom Wolfe criticou os escritores americanos atuais por falharem em descrever a complexa realidade do país. O único que ele absolveu foi Richard Price. De fato, os livros de Price compõem painéis grandiosos da vida nos Estados Unidos. O ponto de partida de Freedomland é o suposto rapto de uma criança por um homem negro. As acusações da mãe trazem à tona conflitos raciais, questões sobre o poder da mídia e lutas políticas. Price, que também é um respeitado autor de roteiros cinematográficos, conduz a narrativa de maneira ágil, sem no entanto deixar de lado os detalhes que dão solidez e realismo à trama.

 

TELEVISÃO

United Artists
Woody Allen: rindo da cultura russa

Raridades de Woody Allen
(Sábado no MGM) – Três momentos inspirados do cineasta nova-iorquino foram condensados neste pot-pourri de filmes que vai ao ar no dia 12. Logo na abertura, às 21h, vem o melhor de todos: A Última Noite de Boris Grushenko (1975). Rara de ver na televisão e nunca lançada em vídeo, a fita empreende uma hilariante sátira à cultura russa – tudo costurado com citações à obra de Tolstoi e a música de Sergei Prokofiev. Rodada em 1980, a comédia dramática Memórias, atração das 23h, revela Woody Allen em sua face mais corrosiva, provocando riso nervoso a partir de uma trama de cores autobiográficas. Fechando o miniciclo, à 1h, Tudo o que Você Sempre Quis Saber sobre Sexo mas Tinha Medo de Perguntar, que traz Woody Allen numa de suas melhores caracterizações: como espermatozóide, de touca, óculos e rabinho.

 

CINEMA

Divulgação
A Humanidade: asfixiante


A Humanidade
(L'Humanité, França, 1999. Estréia nesta sexta-feira em São Paulo) – O diretor francês Bruno Dumont, de A Vida de Jesus, não é afeito a tornar as coisas fáceis para a platéia. Neste seu segundo filme, ele usa um crime medonho – o estupro e assassinato de uma menina – como prisma através do qual serão observados três personagens: um policial tímido, que mal pode suportar a violência de seu dia-a-dia, a operária por quem ele é apaixonado e o namorado brutamontes desta. Passado no interior da França, o filme é um retrato asfixiante da falta de perspectivas. Mas recompensa o espectador com sua sensibilidade e com a bela atuação de Emmanuel Schotté no papel do policial.

 

OS MAIS VENDIDOS — Crítica

Oitavo colocado na categoria "auto-ajuda" da lista de mais vendidos de VEJA, o livro As 48 Leis do Poder, de Robert Greene e Joost Elffers (tradução de Talita Rodrigues; Rocco; 459 páginas; 48 reais), é um lobo entre cordeirinhos. Enquanto as outras obras da seção tendem para o "bem", propondo caminhos para a paz e a felicidade, Greene faz o inverso. Ele é cínico e amoral. Deseja ensinar o leitor a ser um crápula, para que assim ele suba na vida. Sua premissa é clara: todo mundo quer o poder. Portanto, aja logo para consegui-lo, em vez de deprimir-se e deprimir os outros com sua fraqueza. O autor diz que seu livro é um "manual da dissimulação". Explica que o mais importante é manipular o próximo sem perder a pose: "Temos de parecer justos e decentes. Por conseguinte, precisamos ser sutis – agradáveis, porém astutos, democráticos, mas não totalmente honestos".

 
Rep. Enc. Gr. Person Hist. Univ.
Rep. Enc. Gr. Person Hist. Univ.
Maquiavel e Napoleão: lobos entre cordeirinhos

À primeira vista, essa franqueza parece até salutar. Mas pense bem. Fiel à sua filosofia, Greene só pode estar usando o jogo limpo como disfarce. No fundo, ele deve estar tentando engambelar o leitor. E é claro que esse é o caso. Até a fórmula do livro é batida, já foi usada em centenas de obras de aconselhamento profissional. Basicamente, é o seguinte: para cada lei (como "Faça os outros trabalharem por você, mas sempre fique com o crédito"), Greene aduz alguns exemplos célebres e depois extrai a moral ou a falta de moral da história. Assim, lá estão os heróis de sempre, de Napoleão a Maquiavel. Vale a pena notar, aliás, que Greene não hesita em quebrar uma de suas leis – "Nunca siga os passos de um grande homem" – para poder citar tantos famosos. Seu livro não passa de um embuste, revestido com as cores da ousadia.

Carlos Graieb

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Sulina, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Maceió: Sodiler; Recife: Sodiler, Saraiva; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Livraria Curitiba, Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Leitura, Siciliano.

 

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