Lauro
Jardim
MINISTÉRIO
PÚBLICO
Em
alta
O prestígio dos procuradores do Ministério Público
não pára de crescer. Uma pesquisa nacional do instituto
Vox Populi revelou que 30% da população considera
que o MP tem "menos autonomia do que deveria", contra 19% que
acham o contrário. Já tem gente no Legislativo doido
para cortar as asinhas dos procuradores.
Toma
lá, dá cá
A partir de agora, uma das palavras de ordem entre os aliados
de FHC é partir para cima dos procuradores do Ministério
Público que se especializam em denunciar irregularidades
no governo. Exigirão provas a cada acusação
feita.
ECONOMIA
Em
nome dos filhos
Há dois anos, a corretora Link virou um fenômeno
na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Recém-nascida,
em poucos meses já era uma das maiores da praça.
Houve muito barulho na época porque entre seus sócios
estavam dois filhos do então ministro das Comunicações,
Luiz Carlos Mendonça de Barros. Sabe-se lá por quê,
os negócios dos rapazes pioraram depois que Mendonça
deixou o governo: hoje, a Link caiu muito no ranking da BM&F.
Mas pai é pai e nenhum gosta de ver seus filhos no relento.
Recentemente, o ex-ministro visitou pelo menos dois bancos estrangeiros
estimulando-os a confiar suas operações na BM&F
à Link.
O Mercosul é um ringue
Espera-se por estes dias nova trombada diplomática e comercial
entre Brasil e Argentina. No centro da confusão, um decreto
do governo argentino aumentando na prática para 55% o porcentual
de nacionalização de peças dos carros fabricados
lá. O combinado era 30%.
Aos poucos
O Banco Central está discretamente trabalhando para que
o dólar suba um pouco. O objetivo é melhorar a balança
comercial, único dos indicadores econômicos que não
anda bem das pernas.
GOVERNO
Escolhido
a dedo
A Febem é uma das pedras mais pontiagudas no sapato do
governador Mário Covas. Tivesse ele feito o dever de casa
de governante, poderia ter evitado a pane. Explica-se: Covas entregou
a Benedito Duarte a presidência da unidade de menores de
São Paulo. Duarte integra a lista dos executivos processados
por gestão temerária no falecido Banco Nacional.
Tem, portanto, vocação para a confusão.
No escuro
A Polícia Federal está tonta. Ainda não encontrou
nenhuma pista do Lalau. Isso mesmo: nenhuma.
POBREZA
Na
mesma
O economista Marcelo Neri, da FGV-RJ, andou fazendo umas contas
com base em dados do IBGE, divulgados há dez dias. Descobriu
que entre 1996 e 1999 houve uma quase imperceptível redução
da proporção de pobres no país. Caiu de 29,8%
para 29,3%. Há duas maneiras de ler esses números.
A primeira: é dramático constatar que esse quadro
está praticamente estacionário. A segunda: são
resultados surpreendentes por cobrir um complicadíssimo
período de crises a asiática, em 1997, a russa,
em 1998, e a desvalorização do real, no ano passado.
MEIO
AMBIENTE
A
Amazônia arde menos
Os novos relatórios sobre o desmatamento da Amazônia
podem vir com dados menos ruins que os habituais. Um levantamento
recém-concluído na região pelo Ibama mostra
que, em julho, os focos de calor, que redundam em queimadas na
maioria das vezes, diminuíram 20% em relação
ao mesmo período de 1999.
EMPREGO
Farol baixo
O mercado de trabalho não está nada bom para os
futuros economistas. Quem afirma são os próprios
alunos. O relatório do Provão, que será apresentado
na sexta-feira, revela que apenas 19% dos formandos consideram
que o nível de emprego está em expansão para
os economistas.
CIGARROS
Fumaça antiga
Na semana passada, a OMS atacou a indústria do tabaco,
acusando-a de patrocinar uma milionária tentativa de desmoralizar
os órgãos que combatem o fumo. Isso fez um ex-executivo
brasileiro do setor lembrar-se de uma historinha exemplar. No
final dos anos 80, enviado por multinacionais do cigarro, o cientista
americano Frank Colby desembarcou numa reunião da Associação
Brasileira da Indústria do Fumo. Propôs que as empresas
que operam por aqui bancassem bolsas de estudos no exterior para
cientistas dispostos a desenvolver estudos que alimentassem a
controvérsia sobre os malefícios do cigarro. Sua
proposta não foi aceita, mas mostra que a estratégia
é antiga e mundial.
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Na
marra
Nani
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| Zona
eleitoral: trabalhos forçados |
Faltam modos a certos burocratas brasileiros. Um exemplo
disso são os convites mandados pela 251ª Zona
Eleitoral do Estado de São Paulo para os jovens que
deverão ser mesários nas próximas eleições.
São um libelo à falta de educação.
Feitos em tom de intimação, terminam com a
ameaça de até um ano de prisão a quem
não comparecer ao trabalho. Esquecem que boas maneiras
também são um dever cívico.
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