Genes na rede
Empresa
recruta doadores
de
DNA pelo computador
Quando
o seqüenciamento do genoma humano foi completado, em junho
deste ano, cientistas de todo o mundo sabiam que uma tarefa ainda
mais árdua estava por vir. Começava a corrida pela
descoberta de novos genes, que agora passa a ser turbinada também
pela internet. Na semana passada, a recém-criada empresa
americana DNA Sciences colocou na rede mundial de computadores uma
página que pretende recrutar doadores voluntários
de DNA para pesquisar os vínculos entre doenças e
as características genéticas de cada pessoa. Os resultados
desse projeto, batizado de The Gene Trust (Fundo Genético),
podem levar ao desenvolvimento de remédios mais eficazes
e com menos efeitos colaterais. Para chegar a esse estágio,
no entanto, os cientistas devem determinar, entre as centenas de
milhares de variações genéticas do homem, quais
contribuem para cada doença, investigando muitas pessoas
e formando gigantescos bancos de dados genéticos em todo
o mundo.
Dirigida
pelo cientista que descobriu a estrutura do DNA, James Watson, a
DNA Sciences espera conseguir pela internet de 50.000
a 100.000 doadores, por enquanto apenas
moradores dos Estados Unidos. Ao acessar a página, os voluntários
respondem a questionários on-line sobre seu histórico
médico e o de sua família. Depois de aprovados na
seleção, recebem a visita de um funcionário
da empresa que faz a coleta de amostras de sangue, do qual o DNA
será extraído e encaminhado para uma bateria de análises.
O projeto só termina quando forem descobertos todos os aspectos
genéticos de determinada doença, o que deve demorar
um bom tempo, já que o custo das pesquisas é muito
alto. É necessário 1 dólar para testar uma
variação de uma única letra do código
genético de um paciente. Há centenas de milhares de
variações em cada paciente. Para testar 100.000
delas em 1.000 pacientes, por exemplo,
o estudo custaria 100 milhões de dólares.
O
lucro, por outro lado, promete ser alto. O resultado das pesquisas
será vendido a laboratórios interessados em produzir
drogas mais personalizadas e com menores efeitos colaterais. Estima-se
que em 2020 o mercado farmacêutico terá um faturamento
de mais de 3,2 trilhões de dólares, seis vezes maior
que o de hoje. Boa parte desse dinheiro virá das drogas de
nova geração. Mas as pessoas que doarem seu código
genético à DNA Sciences não devem receber nenhuma
migalha desse imenso bolo. "Elas terão acesso gratuito aos
testes de diagnóstico que desenvolvermos", garante Hugh Rienhoff
Jr, médico da DNA Sciences. Uma recompensa bastante relativa,
já que terão de arcar com os custos altos dos tratamentos
que ajudaram a desenvolver.
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