O roubo do
galã
O
famoso ator é seqüestrado pelo lendário
bandoleiro. Parece novela, mas é só a Índia
Fotos AP
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FF
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| Veerappan,
o bandido (à esq.), e o galã Rajkumar:
duas lendas do sul da Índia |
Um
seqüestro envolvendo duas das figuras mais populares da Índia
está causando grande comoção e, à moda
indiana, já descambou em tumulto e perseguição
étnica. O caso tem todos os componentes de uma novela barata,
dessas que a indústria cinematográfica indiana produz
às centenas. Adaptado à realidade brasileira, seria
como se o cangaceiro Lampião seqüestrasse Tarcísio
Meira e o levasse a um cativeiro no sertão. O crime ocorreu
na semana passada, quando a quadrilha do bandido Veerappan aprisionou
o ator Rajkumar, um dos maiores galãs do cinema indiano.
Ele foi pego em sua fazenda localizada em Gajanur, a 200 quilômetros
de Bangalore, capital do Estado de Karnataka, no sul do país.
Apesar dos esforços, as autoridades não tinham até
a última sexta nenhuma perspectiva de colocar as mãos
nos fios do imenso bigode do bandoleiro. Há duas décadas
o fora-da-lei consegue escapulir da Justiça. Com 56 anos
e à beira da aposentadoria, a polícia indiana suspeita
de que ele tenha seqüestrado uma lenda como Rajkumar para negociar
uma anistia com o governo. O crime indignou a população
de Bangalore, que saiu às ruas para depredar vitrines e incendiar
carros de pessoas da mesma etnia do bandido. Foi decretado estado
de sítio na cidade.
O
galã seqüestrado é um dos maiores astros de "Bollywood"
fusão de Hollywood com Bombaim, a cidade que concentra
o forte da indústria cinematográfica indiana. A Índia
produz anualmente o dobro de filmes que os Estados Unidos e lança
dezenas de artistas, cuja popularidade não vai além
do Himalaia. Como a maioria dos habitantes do sul da Índia,
o ator Rajkumar não usa sobrenome. Aos 72 anos, já
atuou em 220 filmes, boa parte deles falado em kanada, a língua
de Karnataka. Por isso, é identificado como um ícone
da resistência cultural ao hindi, língua oficial do
país. A biografia de Veerappan é igualmente curiosa.
O bandoleiro gosta de posar de Robin Hood, distribuindo parte do
que rouba aos pobres. Seu lado romântico termina aí.
Ele já matou 141 pessoas e dizimou 2.000
elefantes para contrabandear 2,5 milhões de dólares
em marfim. Ator e bandido nasceram na mesma cidade mas são
de etnias diferentes. Rajkumar é kanada, maioria em Karnataka,
enquanto Veerappan é tâmil, minoria que reclama de
opressão no Estado. As autoridades em Nova Delhi, a capital
indiana a mais de 2.000 quilômetros
da confusão, temem agora que a história provoque um
grande conflito étnico no sul da península.
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