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Anticoncepcional suspende menstruação
por cinco anos



Marcelo Paton
Claudia: implante para se ver livre da TPM


Depois de reinar soberana durante décadas como o método mais prático de anticoncepção, a pílula começa a perder lugar para uma nova geração de contraceptivos de longa duração, capazes de livrar a mulher da obrigação de engolir um comprimido por dia, sem poder falhar um, e também da cota mensal de sangue vertida no altar da feminilidade. Até agora, os métodos conhecidos e usados no Brasil eram dois: a injeção de progesterona sintética, que suspende a menstruação por três meses e pode ter uma aplicação emendada na outra, e o implante do mesmo hormônio sob a pele do braço ou da nádega, eficaz por um ano. Ambos serão atropelados neste mês pela chegada ao mercado brasileiro do Mirena, um dispositivo introduzido no útero que interrompe o ciclo menstrual e impede a gravidez por cinco anos.

Lançado há dois anos na Europa, o Mirena tem muito em comum com o implante subcutâneo, método adotado e aprovado por gente famosa, como as atrizes Ana Paula Arosio e Mylla Christie e a modelo Claudia Liz. Claudia, de 31 anos, pôs o seu há dois meses porque não agüentava mais conviver com a tensão pré-menstrual, a abominável TPM. "Dez dias antes de menstruar, eu já tinha enxaqueca e ficava irritada", diz. "Agora, estou livre disso." Tanto o implante quanto o novo dispositivo consistem num cilindro contendo progesterona sintética, que é liberada no organismo em pequenas doses. O implante subcutâneo, porém, exige uma microcirurgia com anestesia local, deixa cicatriz, causa grande desconforto nos primeiros dias e libera o hormônio na corrente sanguínea. O Mirena é colocado diretamente no útero, através da vagina, sem intervenção cirúrgica. A dosagem hormonal é mínima. "Num mês, equivale a tomar três pílulas", diz o ginecologista Luis Bahamondes, professor da Faculdade de Medicina da Unicamp, que, desde 1998, testou o produto em 256 mulheres, sem constatar efeitos indesejados. A aplicação só pode ser feita por ginecologista e provoca cólica por algumas horas. Em princípio, trinta dias depois de retirado a mulher está novamente apta a engravidar. Barato não é: o Mirena deverá custar cerca de 600 reais, fora a consulta médica. Devido, porém, à simplificação no método de aplicação, sai mais em conta que o implante, cujo preço varia entre 800 e 2.000 reais.

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