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A morte de um cometa

Astro explode em dois pedaços
ao se aproximar do Sol

Bia Barbosa

Nasa

Foram dez meses de espera. Desde setembro do ano passado, quando o cometa Linear foi descoberto, cientistas e astrônomos amadores de todo o mundo estavam a postos para assistir à sua passagem pelos arredores da Terra. Era a primeira visita desse cometa ao sistema solar, e o show astronômico prometia ser tão espetacular quanto o do Hale-Bopp, há três anos. O que se viu foi outra coisa. O Linear se transformou numa inusitada exibição de como morre um cometa. Isso ocorre quando esses corpos celestes perdem sua aura luminosa (efeito causado pelos cristais de gelo em sua superfície) e se tornam mais uma pedra sem graça voando pelo espaço. Um cometa também pode explodir – foi o que aconteceu com o Linear. Sua agonia foi fotografada pelo telescópio Hubble, em órbita em torno da Terra, e confirmada por observatórios na superfície nos últimos dez dias. É a primeira vez que os astrônomos vêem isso com tal grau de detalhes.

O Linear está morrendo exatamente no momento em que, em virtude da proximidade com o Sol, deveria estar em sua fase mais brilhante. "As últimas observações feitas da Terra mostram que ele agora é apenas um rastro de poeira cósmica", diz Harold Weaver, coordenador das análises feitas pelo Hubble. Desde que atingiu seu ponto máximo de aproximação do Sol, há duas semanas, o núcleo gelado do cometa está sendo fragmentado pela enorme força da gravidade e pelo intenso calor solar. A primeira grande ruptura do Linear ocorreu no início de julho, foi captada pelo Hubble e só divulgada agora. O que se vê nas fotos impressiona. O cometa estava a 120 milhões de quilômetros da Terra quando sua intensidade luminosa aumentou 50% no curto período de quatro horas. Um dia depois, uma enorme nuvem de poeira gelada se formava em torno do núcleo. O maior espetáculo aconteceu no dia 7, quando um pedaço do cometa saltou como se fosse a rolha de uma garrafa de champanhe. A força da explosão foi comparável à de uma erupção vulcânica, só que a temperaturas inferiores a 70 graus negativos.

 
Nasa

Cometa Shoemaker-Levy: colar de luzes formado na órbita de Júpiter

É comum um cometa ser dilacerado pela proximidade de um corpo celeste imensamente maior. Foi o que aconteceu em 1992, quando o Shoemaker-Levy 9 se partiu em 21 pedaços antes de se chocar com o planeta Júpiter, dois anos depois, num dos fenômenos celestes mais espetaculares das últimas décadas. Os cientistas acreditam que o campo gravitacional de Júpiter atraiu o astro com tal intensidade que o esfacelou. Os pedaços continuaram vagando pelo espaço, na órbita regular do cometa, como se fossem um colar luminoso. Tudo isso terminou no momento em que o Shoemaker-Levy, ao passar novamente pelo grande planeta, foi definitivamente tragado pela gravidade e se chocou contra a superfície. O destino do Linear será diferente. Deve ser completamente pulverizado ou perder todo o brilho, tornando-se um reles asteróide.

 
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