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Pizza com helicóptero

A mais extravagante pizzaria do Brasil tem heliporto e cliente com referência

Aida Veiga

Fotos Ricardo Benichio
Helicóptero sobrevoa a casa paulista: igual ao da polícia


Nada que se diga dessa pizzaria é exagero. Tem gente que pousa de helicóptero próprio no heliporto ali do lado, como o cantor Eduardo Araújo. Outros, como os empresários Luiz Furlan e Antônio Ermírio de Moraes, enfrentam de peito aberto a estradinha de terra cortada na mata, protegidos pelo helicóptero da casa, digamos: um veículo de segurança dotado de equipamento para visão noturna, igualzinho ao da polícia americana. Os helicópteros são a mais visível das muitas extravagâncias que dão fama ao restaurante chamado A Tal da Pizza, situado na periferia de São Paulo. Reserva é obrigatória e clientes novos só são aceitos com indicação de antigos – gente como o presidente Fernando Henrique Cardoso ou a atriz Gabriela Duarte. A pizzaria, que funciona de quinta a domingo só para jantar, não tem garçom nem talheres, mas come-se (com a mão) pizza feita com finos ingredientes: anchova francesa, queijo roquefort dinamarquês, parmesão argentino. É o próprio cliente quem pede a pizza (preços de 23 a 29 reais) no balcão, pega a bebida no bar e paga a conta no caixa, com a comanda que ele mesmo preencheu. Neófitos e especialistas concordam que vale a pena. "É uma das primeiras do ranking", atesta o restaurateur Giancarlo Bolla. "A massa é leve e gostosa", elogia outro peso pesado do ramo, Rogério Fasano.



Freitas na filial do Rio: Rolls-Royce na decoração

Nesta semana, A Tal da Pizza chega ao Rio de Janeiro, terra natal de Luiz Freitas, dono de duas fábricas de cosméticos que, ao se mudar para São Paulo, há 38 anos, descobriu as delícias da pizza sem ketchup – hábito carioca mortal para uma redonda de qualidade. Convertido, o milionário Freitas desde então não mede esforços na auto-imposta missão de perpetrar a melhor pizza do planeta. Nos anos 70, ele e a mulher, Miriam, tiveram aula com os dez melhores pizzaiolos de São Paulo. "Mandava carro com chofer ir pegá-los e, por uma noite de papo, pagava o salário que recebiam em um mês", conta. Horas de conversa renderam segredos como o de usar pouco fermento: 8 gramas para 2 quilos de farinha, um terço da medida dos concorrentes menos sofisticados. Freitas aprendeu também que lingüiça de pizza não pode ser gordurosa. A sua, principal ingrediente do carro-chefe que leva o nome da casa, origina-se de porcos criados em pasto, não em meros chiqueiros, para não acumular gordura. De receita em receita, Freitas chegou a uma pizza tão boa que começou a chamar amigos para compartilhar. Durante quinze anos, bancou tudo. Quando o número de convivas chegou perto de 100 e a conta mensal atingiu 3.000 reais, a família resolveu transformar a boca-livre em negócio.

Massa com Evian – Em 1993, A Tal da Pizza original começou a funcionar onde está até hoje: nos fundos da casa da família, numa área de condomínios fechados à beira da Rodovia Raposo Tavares. As mesas foram se multiplicando e invadiram a garagem de carros antigos, outro hobby de Freitas. A primeira filial, pequena, foi aberta no ano passado em (onde mais?) Miami. Demorou meses para começar a funcionar porque Miriam não conseguia acertar na massa, problema solucionado quando trocou a água local, salgada demais, pela francesa Evian. A nova filial, no Rio, ainda não conta com helicóptero de segurança, o incrível dispositivo antiparanóia mantido ao preço de 8.000 reais por mês. Por enquanto terá apenas, como a matriz, uma dúzia de belas moças "importadas" de Santa Catarina para recepcionar a clientela. E um Rolls-Royce 1950, avaliado em 150.000 dólares, tirado da coleção do dono para decorar a nova casa.

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