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A reação do Planalto

Presidentes em crise na capa de VEJA: já foi pior

Em algum momento do mandato, quase todos os presidentes enfrentam momentos difíceis. As capas de VEJA vistas nesta página apenas mostram como a crise é freqüente na vida de Brasília. João Figueiredo, o último general-presidente, viu seu governo virar pó quando se recusou a investigar o atentado a bomba no Riocentro e a ouvir o grito das ruas em favor de eleições diretas. José Sarney foi atropelado pela inflação e pela fragilidade de sua base parlamentar. Fernando Collor caiu vergado pelas denúncias de corrupção.

Como se pode perceber facilmente por um exercício de comparação, a crise política vivida nos últimos dias por Fernando Henrique Cardoso é muito menos aguda que as enfrentadas por alguns de seus antecessores no cargo. Nem por isso deve ser subestimada. Ela é sintoma de um mal-estar que se dissemina na sociedade e que decorre de duas causas. A primeira é econômica – a sensação experimentada por muitos de que o Brasil está regredindo e de que seu povo vive cada vez pior. Essa percepção é equivocada. O Brasil está passando por uma transformação enorme e positiva, mesmo que as altas taxas de desemprego, junto com a interrupção do crescimento observada após a desvalorização do real, possam dar a impressão oposta. A outra causa é de natureza política. Refere-se às denúncias que atingiram o governo FHC desde que ele se instalou. A lista inclui o caso Sivam, a compra de votos para a reeleição e as fitas do BNDES, além do último capítulo, o caso Eduardo Jorge. Nesses episódios, assessores próximos do presidente viram-se envolvidos em histórias comprometedoras.

É a seqüência de episódios que torna mais compreensível a crise atual. Para enfrentá-la, o Planalto passou a desenvolver ações de impacto nos últimos dias, ao mesmo tempo que recebia o apoio de lideranças políticas e empresariais. Nota-se, portanto, que o governo se movimenta vigorosamente para sair da zona de sombra, e seus aliados, convencidos de que o clima ruim não reflete a realidade do país, tratam de estender um cordão de solidariedade em torno do Planalto. Começou, enfim, a reação à inércia e ao pessimismo, facilitada pelo bom desempenho do ex-assessor Eduardo Jorge em seu depoimento de quinta-feira no Senado sobre os telefonemas do juiz Nicolau dos Santos Neto.

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