Lula tem dito aos mais próximos
que em breve convidará Fernando Henrique Cardoso
para jantar com ele no Palácio da Alvorada. Como
prato principal, a discussão da reforma política
um daqueles assuntos, assim como a reforma tributária,
sobre os quais os políticos adoram perorar, mas
que nunca conseguem avançar um milímetro.
Inicialmente, Lula pensara em chamar todos os ex-presidentes
para debater o tema. Achou melhor, no entanto, restringir
a conversa ao seu antecessor. Aos mesmos interlocutores,
o presidente disse que quer aproveitar o reencontro recente
dos dois, no enterro de Ruth Cardoso, para tentar manter
uma relação menos conflituosa com FHC. Resta
saber se o ex-presidente aceitará o convite.
Eleições 2008
Aliança mineira em ação No sábado (12), as ruas de
Belo Horizonte, mais especificamente de Venda Nova, o bairro
mais populoso da capital mineira, verão pela primeira
vez como será na prática a união tucano-petista
(ou será o contrário?). Uma caminhada, seguida
de comício, reunirá Aécio Neves, Fernando
Pimentel e o candidato dos dois à prefeitura, Márcio
Lacerda. Militantes do PT e do PSDB marcharão juntos
e, mais surpreendente, agitando suas bandeiras uns ao lado dos
outros e não uns contra os outros.
Lei do silêncio Segundo as pesquisas, metade da
população nem sabe que haverá eleições
em outubro. Mas os que vivem no mundo da lua notarão
que algo mudou já neste fim de semana, quando começa
oficialmente a campanha. Com ela, entra em vigor uma série
de regras. Uma delas garante o sono da população.
O TSE determinou que os comícios ocorram sempre entre
8 horas e meia-noite e os carros de som só funcionem
das 8 às 22 horas. Carro de som até 22 horas,
o.k. Mas comício começando às 8 horas é
de doer. De doer os ouvidos.
Governo
O homem do colete Carlos Minc prepara para os próximos
dias sua aparição na primeira ação
do Ministério do Meio Ambiente com a Polícia Federal.
A área de atuação vem sendo guardada a
sete chaves, mas o ministro, que gosta de um holofote, está
ansioso.
Lobão diz que Lula apóia Aos mais próximos, Edison
Lobão garante que sua idéia de criar uma nova
estatal de petróleo, que ficaria com as bilionárias
áreas de exploração do pré-sal,
tem o apoio de Lula. E que o presidente se manifestará
sobre o assunto "na hora devida".
Aviação
Neeleman, o otimista Ninguém entende por que David
Neeleman, que está abrindo a Azul, nova empresa aérea
brasileira, é um entusiasmado com o setor. Se olhasse
para a Bovespa, o criador da JetBlue só veria nuvens
carregadas: as três ações que mais caíram
nos últimos doze meses são do ramo da aviação.
Pela ordem, Gol (queda de 76%), TAM (59% de desvalorização)
e Embraer (58% a menos). Deve ser aquela história de
enxergar um copo meio vazio como meio cheio...
Afasta de mim
esta pá
Fotos Lailson Santos e Instituto
Histórico e Geográfico Brasileiro
Pedro II, a pá e o carrinho:
ele não gostou de pegar no pesado
A pá com cabo de prata e
o carrinho feito de jacarandá da foto ao lado
que integram uma exposição sobre o barão
de Mauá que o Centro Cultural Banco do Brasil inaugura
na semana que vem no Rio de Janeiro foram protagonistas
de uma gafe histórica. Em 1852, Mauá ofereceu
pá e carrinho para que dom Pedro II desse o início
simbólico às obras da primeira ferrovia
brasileira, que ligaria o Rio de Janeiro a Petrópolis.
Nos dias de hoje, qualquer político brigaria para
dar o pontapé inicial numa obra de tamanha envergadura
e como brigam, aliás. Mas fazer um imperador,
ainda que simbolicamente, pegar no pesado, função
que cabia aos escravos, foi considerado ofensivo. Meio
contrariado, dom Pedro usou a pá pela primeira
e última vez na vida. Alguns historiadores especulam
que, a partir do episódio, as relações
entre Mauá e o imperador nunca mais foram as mesmas.
• Economia
A Odebrecht avança A Odebrecht está negociando
a compra da GDK, que atua na construção de gasodutos
e plataformas de petróleo e ficou mais conhecida dos
brasileiros por ter presenteado Silvinho Pereira com um Land
Rover de 73.000 reais.
Os generais no campo de batalha Além de Carlos Brito, presidente
da InBev, há outra turma de peso nos Estados Unidos,
na linha de frente da batalha pela compra da Anheuser-Busch.
É o trio composto por Marcel Telles, Beto Sicupira e
Jorge Paulo Lemann, os maiores acionistas individuais da InBev
e estrategistas da operação. Marcel e Sicupira
ficarão por lá até agosto quando,
supõe-se, termina o prazo que eles se deram para fechar
o negócio. Lemann tem ido e voltado, todas as semanas,
dos Estados Unidos para a Suíça, onde mora.
Invadindo a América A Vale não desistiu de fazer
sua megaaquisição internacional. Na ponta da mira
da empresa brasileira estão as americanas Alcoa (gigante
do alumínio) e Freeport Mcmoran (produtora de cobre e
ouro).
Varejo concentrado A concentração no
setor de supermercados aumentará até o fim do
ano. Mas nada de gigante comprando gigante. Wal-Mart, Carrefour
e Pão de Açúcar, os principais varejistas
do país, estão buscando supermercados regionais.
No topo da lista estão Zaffari (RS), Angeloni (PR), Bretas
(MG) e Comper (SC). Até o fim do ano, pelo menos uns
dois negócios serão concluídos.
• Cigarros
Fumaça nova A Souza Cruz está fazendo
testes em alguns mercados para lançar no Brasil a centenária
marca Dunhill, vendida em mais de 100 países.
• Cerveja
Sem álcool? Nem tanto Um alerta para quem quer sair por
aí enchendo a cara com cerveja sem álcool e depois
ir para casa dirigindo: você pode perder sua carteira
de motorista. Três latinhas são suficientes para
que o bafômetro acenda a luz vermelha. Uma peculiaridade
da legislação permite que as cervejas em questão
contenham teor alcoólico de até 0,5%. Somente
uma marca não faz uso dessa prerrogativa.
• Livros
Conselheira de Obama Em agosto, desembarca no Brasil
Samantha Power, uma das mais próximas conselheiras de
Barack Obama, com quem trabalhou entre 2005 e 2006. Sua vinda
nada tem a ver com as eleições americanas. Samantha
vem lançar na Bienal de Livros de São Paulo O
Homem que Queria Salvar o Mundo, a biografia do embaixador
Sérgio Vieira de Mello, morto em agosto de 2003, no Iraque.
Com Paulo Celso Pereira. Colaborou Marcelo Bortoloti