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Edição 2068

9 de julho de 2008
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Cartas

"A ciência estética é um presente maravilhoso para todas as pessoas. Pena que ela não ensine bom senso nem discernimento crítico."
Jorge Jossi Wagner
Ribeirão Preto, SP

Cirurgia plástica

Como médico, especializado em oftalmologia, deparo freqüentemente com pacientes que querem mudar algo em seu corpo. Embora seja salutar a tentativa de ficar mais bonito, às vezes as coisas podem ser exageradas. Por isso é tão importante a procura de um médico ético e profissional, que não veja cifrões no rosto dos pacientes, mas sim pessoas que precisam ser orientadas para o que deve e o que não deve ser feito, mesmo que isso muitas vezes contrarie o interesse do paciente. Contra-indicar certos tipos de procedimentos, baseado em um bom exame clínico, é dever de todo profissional médico ("Quando o belo ganha a máscara da plástica" , 2 de julho).
Carlos Fabian Seixas de Oliveira
Médico
Campos dos Goytacazes, RJ

Excelente a qualidade da reportagem de capa sobre os riscos e benefícios dos tratamentos estéticos. Certamente a reconhecida capacidade técnica e a seriedade dos cirurgiões plásticos e dermatologistas citados contribuíram positivamente para o resultado. Como contribuição, gostaria de lembrar que nem sempre a lipoaspiração pode ser feita com anestesia local. A escolha da anestesia depende mais da extensão da cirurgia do que da espessura das cânulas. Mário Eduardo P.M. de Barros
Médico-assistente da Divisão de Cirurgia Plástica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina (USP)
Ribeirão Preto, SP

Cumprimento VEJA pela escolha do tema para a reportagem de capa e pela abordagem acerca dos exageros, cada vez mais constantes, em usar a medicina para buscar a perfeição do corpo. Parecer belo não é atingir o bem-estar total, o qual só se alcança com saúde física e mental equilibrada, alimentação cotidiana saudável, prática regular de exercícios e, também, uso racional dos recursos médicos e científicos.
Tiago Correia
Diretor de Comunicação e Marketing
Instituto Brasileiro de Qualidade de Vida – IBQV
www.ibqv.com.br
Brasília DF

Uma intervençãozinha aqui, outra ali não fazem mal a ninguém. Pelo contrário. Mas o equilíbrio é essencial. Dá gosto ver uma pessoa bem-cuidada, tenha a idade que tiver. Já rostos e corpos repuxados, revirados e plastificados são um espetáculo grotesco.
Helaine Povoa
Brasília, DF

Como especialista em cirurgia plástica desde 1994, foi com satisfação que li a reportagem, que com seriedade demonstra os perigos dessa visão "moderna" de "consertar tudo o que achamos feio". Profissionais sérios, com boa formação, que investem na atualização, são a cada dia confrontados com pacientes que recebem e aceitam informações errôneas de procedimentos ditos milagrosos. Muitos se submetem a cirurgias e a outros métodos invasivos em ambientes que são chamados "clínicas de estética", mas que funcionam sem regulamentação, em condições sanitárias precárias e com material de origem duvidosa, sem compromisso com a saúde do paciente. Não raro tais procedimentos são executados por não-médicos, que diante de complicações simplesmente abandonam o paciente ou o encaminham para que nós, habilitados a realizá-los de maneira apropriada, tentemos corrigir o que é muitas vezes irreparável.
Rosimara M. Bonfim C.
Cirurgiã plástica
Governador Valadares, MG

A cirurgia plástica passou a ser encarada como objeto de consumo e cada vez mais as pessoas se programam para "comprar" uma imagem e com ela alcançar sucesso. Cabe ao médico investido de princípios éticos e isento de vaidade não cair nessas armadilhas e saber quando indicar o procedimento.
Eliana Possati Lumbreras
Por e-mail

Fiz uma rinoplastia para dar nova aparência ao rosto e modelar traços do nariz, mas a intervenção cirúrgica o deformou completamente. O médico, membro da SBCP, optou por uma linha de procedimentos imperfeitos, que foi retirar cartilagem das narinas e substituí-la por uma artificial. O organismo rejeitou. Na seqüência foram feitas quatro intervenções, sem resultado satisfatório. Estou deformado, com profunda depressão pós-plástica. Necessito ter minha saúde física e psíquica de volta. De quem é a responsabilidade?
Cláudio Fontes
Recife, PE

 

Gilberto Carvalho

A humildade e a competência desse "baixinho" só fazem engrandecer a imagem do governo de nosso país. Parabéns a VEJA, pela sensibilidade na escolha, e ao entrevistado, pela postura e a retidão demonstradas no contexto da entrevista (Amarelas, 2 de julho).
Alberto J. da Silva
Araçatuba, SP

Excelente a entrevista de Gilberto Carvalho. E reveladora. Mostra a intimidade do presidente e deixa claro que ele é autoritário e centralizador, o que torna impossível acreditar que não soubesse dos planos e finalidades do mensalão. Mostra também sua vulnerabilidade ao dragão da inflação, o único que pode ameaçar sua popularidade.
Gilberto Dib
São Paulo, SP

VEJA conseguiu a incrível entrevista com o "baixinho" do Lula, que quer ofender a inteligência dos brasileiros com a conversa de que o presidente não é íntimo de José Dirceu.
Márcio Manfrin
Arapongas, PR

Um advogado de defesa ou um feroz cão de guarda não faria melhor que o Gilberto Carvalho fez ao Lula. Só faltou usar uma camiseta do Lula na foto que saiu na entrevista.
Silvio Roberto de Paula
Franca, SP

Lamentável o comentário do assessor Gilberto Carvalho sobre a preferência do presidente pela "soja ao cerradinho", especialmente num período em que a comunidade internacional questiona a nossa capacidade de equilibrar crescimento com preservação ambiental. Lula perde a chance de entrar para a história como o presidente que apostou no desenvolvimento sustentável do Brasil.
Fernanda Britto
Vitória, ES

 

Políticos com ficha suja

A opinião do ministro Carlos Ayres Britto contra a candidatura de políticos com biografia desabonadora é igual à minha, de um simples cidadão brasileiro que deseja um país justo ("Caça aos ‘fichas-sujas’", 2 de julho). A diferença é que ele tem a caneta na mão para começar o que realmente deve ser feito: desengavetar os processos e julgá-los de acordo com a Constituição, com imparcialidade e celeridade.
Sérgio Meira
João Pessoa, PB

No Brasil, os candidatos a cargos públicos da carreira da magistratura, do Ministério Público e até mesmo da advocacia pública, para citar apenas alguns exemplos, devem passar por uma "sindicância de vida pregressa". Trata-se de uma fase do concurso público contra a qual não há questionamentos significativos. Não consigo entender por que se acha tão absurdo exigir "ficha limpa" de candidatos a cargos eletivos.
Tébio Luiz Maciel Freitas
Aracaju, SE

O melhor exemplo de democracia seria se, independentemente da ação da Comissão de Constituição e Justiça do Senado e da avaliação dos partidos políticos, os candidatos com ficha suja soubessem que, mesmo podendo se candidatar a qualquer cargo público, não teriam chance de se eleger por meio do voto consciente dos cidadãos brasileiros.
Marília Vieira
Varginha, MG

 

Caso Gautama

O senador Romero Jucá (PMDB), líder do governo no Senado, está sempre pronto a dar explicações e tirar o governo da linha de fogo. Sua função é apagar incêndios. Jucá terá de se explicar sobre o envolvimento de seu nome em transações de Zuleido Veras, um negócio para lá de bom a que, convenhamos, só peixe grande tem acesso ("O misterioso RJ", 2 de julho). Mas quem sairá em defesa de Jucá? Dizer que RJ refere-se às iniciais de Rio de Janeiro é subestimar a inteligência dos brasileiros leitores, eleitores e pagadores das fraudes.
Izabel Avallone
Alto da Boa Vista, SP

 

TCE do Rio de Janeiro

Parabéns pela reportagem "Compraram o tribunal" (2 de julho), referente aos conselheiros do TCE/RJ que vendiam decisões a prefeituras. VEJA há muito vem prestando relevante serviço ao aperfeiçoamento das nossas instituições públicas ao dissecar os casos de corrupção. Se a Polícia Federal decidir investigar os tribunais de contas dos municípios da Bahia, do Ceará, do Pará e de Goiás e os demais tribunais de contas dos estados, haverá grande possibilidade de encontrar conselheiros comprados por "empresas de consultoria". A Atricon, associação que congrega os conselheiros dos tribunais de contas de todo o Brasil, poderia informar que medida tomará nesse episódio. Esses senhores de rosto sisudo, de aparência circunspecta, precisam ser fiscalizados constantemente, pois normalmente não o são.
Euvaldo da Silva Caldas Neto
Salvador, BA

A respeito da reportagem "Compraram o tribunal", sobre o Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, na qual se diz que "os mercadores de sentença tinham tentáculos em outros locais", relacionados com o grupo SIM, que tinha como um dos clientes o prefeito da cidade mineira de Timóteo, esclareço que a minha participação no fato consistiu apenas nisto: estou aposentado há dois anos e meio. Aposentado, abracei a advocacia, para continuar servindo ao direito e à Justiça. O prefeito de Timóteo teve o seu mandato cassado pelo TER-MG. Interpôs ele recurso especial para o TSE e pediu cautelar para o fim de conferir efeito suspensivo ao recurso, medida invariavelmente requerida em casos tais. Alguns cidadãos – cerca de dois advogados, o prefeito de Timóteo e mais uma ou duas pessoas que não identifiquei – estiveram em nosso escritório de advocacia, em Brasília, levados pelo deputado Virgílio Guimarães, do PT-MG, político sério, com quem mantenho relações de amizade. Desejavam que eu assumisse o patrocínio da causa. Declarei que não poderia aceitar, porque me encontrava cumprindo a "quarentena" de três anos junto ao TSE. Aconselhei-os a procurar advogados especializados. Mencionei alguns nomes. Despedimo-nos e nunca mais tomei conhecimento do caso. Não sei o que significa grupo SIM, não conheço nenhum dos integrantes dessa sociedade, jamais estive com qualquer deles. Realmente, mantenho relações de amizade com o senhor Wander Tanure, ex-servidor da Justiça Federal de Minas. Todavia, o senhor Tanure jamais conversou comigo a respeito desse assunto. E o que deve ser ressaltado é que não aceitei o patrocínio da causa do prefeito de Timóteo. Registro, também, que jamais tratei, no TSE, ou com qualquer de seus juízes, a respeito de qualquer causa sob apreciação daquela corte. Essa é a verdade inteira.
Carlos Velloso
Brasília, DF

A respeito de reportagem da última edição de VEJA, esclareço que, como presidente do TCE-RJ à época, denunciei em 2005 a existência de um grupo que se apresentava a autoridades municipais para vender supostos serviços de consultoria às prefeituras, utilizando-se do nome do Tribunal de Contas do Estado. Enviei ofícios ao então secretário de Segurança Pública do Estado, à delegada titular da 4ª DP, bem como a todos os prefeitos e presidentes de câmaras municipais, advertindo sobre a ação dessa quadrilha. Além dos ofícios, fiz a denúncia pessoal-mente a prefeitos e vereadores por ocasião de seminários realizados pelo TCE em diversos municípios, o que está documentado em vídeos institucionais. Especificamente em relação ao município de Carapebus, informo que, em 2003 e 2004, sob minha presidência, o tribunal rejeitou as contas do prefeito, bem como suas contas na condição de ordenador de despesas. Respeito e louvo o trabalho da Polícia Federal, assim como o da imprensa em geral, para os quais estou à disposição para as contribuições que forem necessárias.
José Gomes Graciosa
Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro
Rio de Janeiro, RJ

 

Ruth Cardoso

Logo que tomei conhecimento da morte de Ruth Cardoso, pensei na abordagem de VEJA sobre o assunto. Mais uma vez, essa revista traz aos seus leitores uma análise profunda, objetiva e verdadeira daquela que influenciou diretamente os destinos do Brasil ("A revolucionária discreta", 2 de julho). Admirava extremamente Ruth Cardoso. Frutos de seu exemplo certamente hão de vir!
Antonio Claret Megale de Freitas
Santo André, SP

Estou profundamente consternada com a perda da presença física de Ruth Cardoso. Foi uma luz, um guia para as pessoas carentes deste país, ensinando-as a "pescar". Para mim, referência e modelo de mulher em sua plenitude.
Maria do Socorro Nunes Ferreira Correia
Fortaleza, CE

Ruth Cardoso é exemplo histórico e cristalino, dotada de intelecto singular e qualidades admiráveis. Uma mestra que acrescentou ensinamentos fundamentais à ciência. Uma voluntária solidária de nobre virtude cívica. Como disse Guimarães Rosa: "As pessoas não morrem, ficam encantadas".
Rose Cristine Salomão Carvalho Amorim
Brasília, DF

A ex-primeira-dama, intelectual e antropóloga Ruth Cardoso vai fazer muita falta ao Brasil. O seu trabalho na área social, dentro e fora do governo, foi impecável e denodado.
Valdomiro Nenevê
São José dos Pinhais, PR

Brilhante o ensaio "Primeira e dama" (2 de julho). Roberto Pompeu de Toledo foi o porta-voz de milhares de brasileiros não contabilizados pelo anonimato, que sentiram a morte de dona Ruth Cardoso e se solidarizam com seu marido e sua família.
Maria Helena Gouveia
São Paulo, SP

Roberto Pompeu de Toledo escreveu com sensibilidade e transmitiu a emoção que me tomou quando soube da morte de Ruth Cardoso.
Liz Wood
Curitiba, PR

Roberto Pompeu de Toledo entende de doença e morte como também de elegância e respeito. Apenas os predestinados podem usufruir a morte limpa, absolutamente asséptica: o infarto fulminante é para poucos.
Mara Narciso
Montes Claros, MG

 

Masp

Com relação à reportagem "Um museu aos pedaços" (2 de julho), esclarecemos que os dirigentes do Masp foram convidados pela Promotoria do Meio Ambiente do Ministério Público Estadual para tomar conhecimento de um parecer contábil sobre as contas da instituição e debater suas conclusões. Os dirigentes assistiram à exposição sobre as demonstrações contábeis do museu nos últimos dezoito anos (1990 a 2007), contendo alegações e críticas voltadas essencialmente às práticas adotadas pela entidade. É importante salientar que nesse parecer não foi constatado nenhum desvio de recursos ou indícios de má-fé na administração do Masp, que pediu prazo de trinta dias para se manifestar a respeito do documento, o que lhe foi negado pela promotoria. Após a apresentação, o MP solicitou-nos que assinássemos um termo de compromisso, o qual, entretanto, não se relacionava com a eventual correção de práticas contábeis, mas com a tomada de providências, objetivando mudanças no estatuto do Masp, que é uma entidade privada, para alterar a forma de sua gestão, transferindo o controle de seu acervo ao poder público. A direção do Masp repudia veementemente as afirmações sobre "dívidas explosivas", "balanços fora da realidade" e, sobretudo, "descasos com o acervo", conforme resumido no quadro constante da reportagem da revista. Neste exercício de 2008, além do apoio e das doações de equipamentos referentes à melhoria das condições de segurança de seu edifício-sede, a instituição recebeu significativos recursos financeiros de empresas da iniciativa privada, os quais possibilitaram a liquidação de diversos passivos antigos e já asseguram o pagamento, rigorosamente em dia, do total das despesas e encargos relativos a todo o exercício de 2008. O Masp adota, em sua contabilidade, procedimentos absolutamente adequados, que são objeto, há muitos anos, de exame e aprovação por conceituada empresa de auditoria independente, sendo dos poucos museus do país que regularmente publicam seus balanços na imprensa. Para o correto entendimento da população, salientamos que o Masp está em total funcionamento e operação, preserva seu acervo de acordo com as melhores técnicas disponíveis internacionalmente e vem mantendo excepcional programação nas diversas áreas de sua competência.
Julio Neves, presidente da diretoria Adib Jatene, presidente do conselho deliberativo

 

Radar

Venho, como dizia o padre Vieira, entre desmentir e protestar, dizer do absurdo da informação de "uma discreta articulação" minha na escolha de advogado para o senhor Zuleido Veras, pessoa com quem não tenho nenhuma ligação nem contato.
José Sarney
Senador Brasília, DF

 

André Petry

Petry escreve que "matar é crime não porque seja imoral, mas porque a sociedade entendeu que a vida deve ser preservada". Ora, se a sociedade entendeu que a vida deve ser preservada, é porque viu nisso um valor moral. Em toda lei há o chamado "espírito da lei", que é o princípio sobre o qual se baseou sua feitura. Logo, se há uma lei que declara que é crime matar, é porque a sociedade entendeu que matar é imoral. Ou Petry considera que, caso a lei não criminalizasse o homicídio, todos sairiam por aí matando? Claro que não, e justamente porque não matar é algo moral ("A fé dos homofóbicos", 2 de julho).
Renato S. Sardi
Por e-mail

 

Veja essa

Que bom se tivéssemos um presidente com coragem e dignidade para se referir aos terroristas do MST como fez o presidente francês Nicolas Sarkozy em relação ao Hamas (Veja essa, 2 de julho).
Moacyr Castro
Ribeirão Preto, SP

 

A origem do universo

Meus melhores cumprimentos pela reportagem especial "Um olhar sobre o início de tudo" (25 de junho). Assinante desde os tempos do meu querido amigo Victor Civita, creio que essa reportagem tenha ultrapassado tudo o que se tenha lido a propósito do nosso planeta e das origens do universo. Monumental!
Paulo Planet Buarque
São Paulo, SP

 

Claudio de Moura Castro

Como ex-diretor técnico do Senai-RS, permito-me afirmar que o artigo "O Senai na mira do governo" (Ponto de vista, 2 de julho) é super-realista. Essa séria instituição não pode ir para um operador que nunca mostrou competência igual. Já fui também do MEC e vivi essa realidade. O quantitativo e o qualitativo dos profissionais das escolas do Senai sempre foram enxutos. Daí o baixo custo a favor da qualidade na formação de seus egressos e da manutenção de máquinas e equipamentos em suas escolas, sempre de última geração, sem o que as nossas indústrias não estariam nesse estágio de produtividade continuada nem com o alto grau de competitividade internacional, já que possuem técnicos inclusive de nível superior, a maioria formada pelo Senai. Corrijam algumas deficiências, mas não pensem em trocar de operador.
Hipérides Ferreira de Mello
Porto Alegre, RS

 

Alimentos

Como trabalho e estudo, meu dia acaba sendo bem curto, e muitas vezes sacio a fome com salgadinhos. A reportagem "Salgadinho em análise" (Guia, 2 de julho) me chamou muito a atenção. Nunca parei para analisar a quantidade de gordura trans que esses produtos contêm. A reportagem me serviu – e muito – como alerta; a partir de agora ficarei atento.
Jaciano Souza da Silva
Guaxupé, MG

 

Lei seca

Claro que motoristas embriagados não podem dirigir. Entretanto, essa nova lei sancionada pelo presidente Lula cortou um direito social das pessoas de bem ["A lei da tolerância (quase) zero", Contexto, 2 de julho]. Na lei anterior, em que havia uma tolerância racional, não mexeram um bafômetro sequer para fazer cumprir, o que seria uma coisa equilibrada, que separaria o excesso do normal; de forma orquestrada, tramitaram a lei zero álcool. Hoje, ninguém pode beber nada para dirigir, entretanto poderá fumar o baseado que quiser, drogar-se com crack, LSD, cocaína, heroína e com os mais diversos tipos de "rebites" que a marginália usa e que o bafômetro não acusará.
Honório Paulo Teixeira Coelho
Campo Grande, MS

 

 

Zimbábue: síntese, e não "metáfora"

Atenção, estudantes e professores que utilizam VEJA como fonte de trabalhos escolares: na reportagem "o flagelo da África", publicada na edição passada, o redator cochilou ao escrever que "o caos e a violência no Zimbábue podem ser examinados como uma metáfora dos flagelos que fazem da África o continente com a maior concentração de países miseráveis". O Zimbábue é síntese, e não "metáfora", dos problemas africanos. Segundo Helênio Fonseca de Oliveira, professor do mestrado e do doutorado em língua portuguesa da UERJ, metáfora "consiste no emprego de uma palavra no sentido figurado, em virtude de uma comparação implícita e subjetiva, fundamentada numa relação de semelhança, pelo menos na visão do autor da frase, entre o termo substituto, ou seja, o efetivamente usado, e o termo substituído, isto é, aquele cujo sentido o vocábulo usado adquiriu".

Houvesse o redator escrito que "o Zimbábue é um inferno", aí, sim, existiria uma metáfora a significar que a situação do país é caótica e violenta – como se supõe que seja o inferno. Ah, sim: quando se disse acima que o redator "cochilou", também se fez uma metáfora. Ele se distraiu, errou, como se tivesse tirado uma soneca enquanto confeccionava o texto da reportagem.

 

 



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