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Cartas
Cirurgia plástica Como médico,
especializado em oftalmologia, deparo freqüentemente com
pacientes que querem mudar algo em seu corpo. Embora seja salutar
a tentativa de ficar mais bonito, às vezes as coisas
podem ser exageradas. Por isso é tão importante
a procura de um médico ético e profissional, que
não veja cifrões no rosto dos pacientes, mas sim
pessoas que precisam ser orientadas para o que deve e o que
não deve ser feito, mesmo que isso muitas vezes contrarie
o interesse do paciente. Contra-indicar certos tipos de procedimentos,
baseado em um bom exame clínico, é dever de todo
profissional médico ("Quando o belo ganha a máscara
da plástica" , 2 de julho). Excelente a qualidade
da reportagem de capa sobre os riscos e benefícios dos
tratamentos estéticos. Certamente a reconhecida capacidade
técnica e a seriedade dos cirurgiões plásticos
e dermatologistas citados contribuíram positivamente
para o resultado. Como contribuição, gostaria
de lembrar que nem sempre a lipoaspiração pode
ser feita com anestesia local. A escolha da anestesia depende
mais da extensão da cirurgia do que da espessura das
cânulas. Mário Eduardo P.M. de Barros Cumprimento VEJA pela
escolha do tema para a reportagem de capa e pela abordagem acerca
dos exageros, cada vez mais constantes, em usar a medicina para
buscar a perfeição do corpo. Parecer belo não
é atingir o bem-estar total, o qual só se alcança
com saúde física e mental equilibrada, alimentação
cotidiana saudável, prática regular de exercícios
e, também, uso racional dos recursos médicos e
científicos. Uma intervençãozinha
aqui, outra ali não fazem mal a ninguém. Pelo
contrário. Mas o equilíbrio é essencial.
Dá gosto ver uma pessoa bem-cuidada, tenha a idade que
tiver. Já rostos e corpos repuxados, revirados e plastificados
são um espetáculo grotesco. Como especialista
em cirurgia plástica desde 1994, foi com satisfação
que li a reportagem, que com seriedade demonstra os perigos
dessa visão "moderna" de "consertar tudo
o que achamos feio". Profissionais sérios, com boa
formação, que investem na atualização,
são a cada dia confrontados com pacientes que recebem
e aceitam informações errôneas de procedimentos
ditos milagrosos. Muitos se submetem a cirurgias e a outros
métodos invasivos em ambientes que são chamados "clínicas
de estética", mas que funcionam sem regulamentação, em
condições sanitárias precárias e
com material de origem duvidosa, sem compromisso com a saúde
do paciente. Não raro tais procedimentos são executados
por não-médicos, que diante de complicações
simplesmente abandonam o paciente ou o encaminham para
que nós, habilitados a realizá-los de maneira
apropriada, tentemos corrigir o que é muitas vezes irreparável.
A cirurgia plástica
passou a ser encarada como objeto de consumo e cada vez mais
as pessoas se programam para "comprar" uma imagem
e com ela alcançar sucesso. Cabe ao médico investido
de princípios éticos e isento de vaidade não
cair nessas armadilhas e saber quando indicar o procedimento. Fiz uma rinoplastia
para dar nova aparência ao rosto e modelar traços
do nariz, mas a intervenção cirúrgica
o deformou completamente. O médico, membro
da SBCP, optou por uma linha de procedimentos imperfeitos, que
foi retirar cartilagem das narinas e substituí-la por uma
artificial. O organismo rejeitou. Na seqüência foram
feitas quatro intervenções, sem resultado
satisfatório. Estou deformado, com profunda depressão
pós-plástica. Necessito ter minha saúde
física e psíquica de volta. De quem é a
responsabilidade?
Gilberto Carvalho A humildade e a competência
desse "baixinho" só fazem engrandecer a imagem
do governo de nosso país. Parabéns a VEJA, pela
sensibilidade na escolha, e ao entrevistado, pela postura e a
retidão demonstradas no contexto da entrevista (Amarelas,
2 de julho). Excelente a entrevista
de Gilberto Carvalho. E reveladora. Mostra a intimidade do presidente
e deixa claro que ele é autoritário e centralizador,
o que torna impossível acreditar que não soubesse
dos planos e finalidades do mensalão. Mostra também
sua vulnerabilidade ao dragão da inflação,
o único que pode ameaçar sua popularidade. VEJA conseguiu a incrível
entrevista com o "baixinho" do Lula, que quer ofender
a inteligência dos brasileiros com a conversa de que o
presidente não é íntimo de José
Dirceu. Um advogado de defesa
ou um feroz cão de guarda não faria melhor que
o Gilberto Carvalho fez ao Lula. Só faltou usar uma camiseta
do Lula na foto que saiu na entrevista. Lamentável
o comentário do assessor Gilberto Carvalho sobre a preferência
do presidente pela "soja ao cerradinho", especialmente
num período em que a comunidade internacional questiona
a nossa capacidade de equilibrar crescimento com preservação
ambiental. Lula perde a chance de entrar para a história
como o presidente que apostou no desenvolvimento sustentável
do Brasil.
Políticos com ficha suja A opinião do
ministro Carlos Ayres Britto contra a candidatura de políticos
com biografia desabonadora é igual à minha, de
um simples cidadão brasileiro que deseja um país
justo ("Caça aos fichas-sujas",
2 de julho). A diferença é que ele tem a caneta
na mão para começar o que realmente deve ser feito:
desengavetar os processos e julgá-los de acordo com a Constituição,
com imparcialidade e celeridade. No Brasil, os candidatos
a cargos públicos da carreira da magistratura, do Ministério
Público e até mesmo da advocacia pública,
para citar apenas alguns exemplos, devem passar por uma "sindicância
de vida pregressa". Trata-se de uma fase do concurso público
contra a qual não há questionamentos significativos.
Não consigo entender por que se acha tão absurdo
exigir "ficha limpa" de candidatos a cargos eletivos. O melhor exemplo de
democracia seria se, independentemente da ação
da Comissão de Constituição e Justiça
do Senado e da avaliação dos partidos políticos,
os candidatos com ficha suja soubessem que, mesmo podendo se
candidatar a qualquer cargo público, não teriam
chance de se eleger por meio do voto consciente dos cidadãos
brasileiros.
Caso Gautama O senador Romero Jucá
(PMDB), líder do governo no Senado, está sempre
pronto a dar explicações e tirar o governo da
linha de fogo. Sua função é apagar incêndios.
Jucá terá de se explicar sobre o envolvimento
de seu nome em transações de Zuleido Veras, um
negócio para lá de bom a que, convenhamos, só
peixe grande tem acesso ("O misterioso RJ", 2 de julho).
Mas quem sairá em defesa de Jucá? Dizer que RJ
refere-se às iniciais de Rio de Janeiro é subestimar
a inteligência dos brasileiros leitores, eleitores e pagadores
das fraudes.
TCE do Rio de Janeiro Parabéns pela
reportagem "Compraram o tribunal" (2 de julho), referente
aos conselheiros do TCE/RJ que vendiam decisões a prefeituras.
VEJA há muito vem prestando relevante serviço ao
aperfeiçoamento das nossas instituições
públicas ao dissecar os casos de corrupção.
Se a Polícia Federal decidir investigar os tribunais
de contas dos municípios da Bahia, do Ceará, do
Pará e de Goiás e os demais tribunais de contas
dos estados, haverá grande possibilidade de encontrar
conselheiros comprados por "empresas de consultoria".
A Atricon, associação que congrega os conselheiros
dos tribunais de contas de todo o Brasil, poderia informar que
medida tomará nesse episódio. Esses senhores de
rosto sisudo, de aparência circunspecta, precisam ser
fiscalizados constantemente, pois normalmente não o são. A respeito da reportagem
"Compraram o tribunal", sobre o Tribunal de Contas
do Rio de Janeiro, na qual se diz que "os mercadores de
sentença tinham tentáculos em outros locais",
relacionados com o grupo SIM, que tinha como um dos clientes
o prefeito da cidade mineira de Timóteo, esclareço
que a minha participação no fato consistiu apenas
nisto: estou aposentado há dois anos e meio. Aposentado,
abracei a advocacia, para continuar servindo ao direito e à
Justiça. O prefeito de Timóteo teve o seu mandato
cassado pelo TER-MG. Interpôs ele recurso especial para
o TSE e pediu cautelar para o fim de conferir efeito suspensivo
ao recurso, medida invariavelmente requerida em casos tais.
Alguns cidadãos cerca de dois advogados, o prefeito
de Timóteo e mais uma ou duas pessoas que não
identifiquei estiveram em nosso escritório de
advocacia, em Brasília, levados pelo deputado Virgílio
Guimarães, do PT-MG, político sério, com
quem mantenho relações de amizade. Desejavam que
eu assumisse o patrocínio da causa. Declarei que não
poderia aceitar, porque me encontrava cumprindo a "quarentena"
de três anos junto ao TSE. Aconselhei-os a procurar advogados
especializados. Mencionei alguns nomes. Despedimo-nos e nunca
mais tomei conhecimento do caso. Não sei o que significa
grupo SIM, não conheço nenhum dos integrantes
dessa sociedade, jamais estive com qualquer deles. Realmente,
mantenho relações de amizade com o senhor Wander
Tanure, ex-servidor da Justiça Federal de Minas. Todavia,
o senhor Tanure jamais conversou comigo a respeito desse assunto.
E o que deve ser ressaltado é que não aceitei
o patrocínio da causa do prefeito de Timóteo.
Registro, também, que jamais tratei, no TSE, ou com qualquer
de seus juízes, a respeito de qualquer causa sob apreciação
daquela corte. Essa é a verdade inteira.
A respeito de reportagem
da última edição de VEJA, esclareço
que, como presidente do TCE-RJ à época, denunciei
em 2005 a existência de um grupo que se apresentava a
autoridades municipais para vender supostos serviços
de consultoria às prefeituras, utilizando-se do nome
do Tribunal de Contas do Estado. Enviei ofícios ao então
secretário de Segurança Pública do Estado,
à delegada titular da 4ª DP, bem como a todos os
prefeitos e presidentes de câmaras municipais, advertindo
sobre a ação dessa quadrilha. Além dos
ofícios, fiz a denúncia pessoal-mente a prefeitos
e vereadores por ocasião de seminários realizados
pelo TCE em diversos municípios, o que está documentado
em vídeos institucionais. Especificamente em relação
ao município de Carapebus, informo que, em 2003 e 2004,
sob minha presidência, o tribunal rejeitou as contas do
prefeito, bem como suas contas na condição de
ordenador de despesas. Respeito e louvo o trabalho da Polícia
Federal, assim como o da imprensa em geral, para os quais estou
à disposição para as contribuições
que forem necessárias.
Ruth Cardoso Logo que tomei
conhecimento da morte de Ruth Cardoso, pensei na abordagem
de VEJA sobre o assunto. Mais uma vez, essa revista traz
aos seus leitores uma análise profunda, objetiva
e verdadeira daquela que influenciou diretamente os destinos
do Brasil ("A revolucionária discreta", 2 de
julho). Admirava extremamente Ruth Cardoso. Frutos de seu
exemplo certamente hão de vir! Estou profundamente
consternada com a perda da presença física de
Ruth Cardoso. Foi uma luz, um guia para as pessoas carentes
deste país, ensinando-as a "pescar". Para mim, referência
e modelo de mulher em sua plenitude. Ruth Cardoso é
exemplo histórico e cristalino, dotada de intelecto singular e qualidades
admiráveis. Uma mestra que acrescentou ensinamentos fundamentais
à ciência. Uma voluntária solidária
de nobre virtude cívica. Como disse Guimarães
Rosa: "As pessoas não morrem, ficam encantadas". A ex-primeira-dama,
intelectual e antropóloga Ruth Cardoso vai fazer muita
falta ao Brasil. O seu trabalho na área social, dentro
e fora do governo, foi impecável e denodado. Brilhante o ensaio
"Primeira e dama" (2 de julho). Roberto Pompeu de
Toledo foi o porta-voz de milhares de brasileiros não
contabilizados pelo anonimato, que sentiram a morte
de dona Ruth Cardoso e se solidarizam com seu marido e
sua família. Roberto Pompeu de
Toledo escreveu com sensibilidade e transmitiu a emoção
que me tomou quando soube da morte de Ruth Cardoso. Roberto Pompeu de
Toledo entende de doença e morte como também de
elegância e respeito. Apenas os predestinados podem usufruir
a morte limpa, absolutamente asséptica: o infarto fulminante
é para poucos.
Masp Com relação
à reportagem "Um museu aos pedaços"
(2 de julho), esclarecemos que os dirigentes do Masp foram convidados
pela Promotoria do Meio Ambiente do Ministério Público
Estadual para tomar conhecimento de um parecer contábil
sobre as contas da instituição e debater suas
conclusões. Os dirigentes assistiram à exposição
sobre as demonstrações contábeis do museu
nos últimos dezoito anos (1990 a 2007), contendo alegações
e críticas voltadas essencialmente às práticas
adotadas pela entidade. É importante salientar que nesse
parecer não foi constatado nenhum desvio de recursos
ou indícios de má-fé na administração
do Masp, que pediu prazo de trinta dias para se manifestar a
respeito do documento, o que lhe foi negado pela promotoria.
Após a apresentação, o MP solicitou-nos
que assinássemos um termo de compromisso, o qual, entretanto,
não se relacionava com a eventual correção
de práticas contábeis, mas com a tomada de providências,
objetivando mudanças no estatuto do Masp, que é
uma entidade privada, para alterar a forma de sua gestão,
transferindo o controle de seu acervo ao poder público.
A direção do Masp repudia veementemente as afirmações
sobre "dívidas explosivas", "balanços
fora da realidade" e, sobretudo, "descasos com o acervo",
conforme resumido no quadro constante da reportagem da revista.
Neste exercício de 2008, além do apoio e das doações
de equipamentos referentes à melhoria das condições
de segurança de seu edifício-sede, a instituição
recebeu significativos recursos financeiros de empresas da iniciativa
privada, os quais possibilitaram a liquidação
de diversos passivos antigos e já asseguram o pagamento,
rigorosamente em dia, do total das despesas e encargos relativos
a todo o exercício de 2008. O Masp adota, em sua contabilidade,
procedimentos absolutamente adequados, que são objeto,
há muitos anos, de exame e aprovação por
conceituada empresa de auditoria independente, sendo dos poucos
museus do país que regularmente publicam seus balanços
na imprensa. Para o correto entendimento da população,
salientamos que o Masp está em total funcionamento e
operação, preserva seu acervo de acordo com as
melhores técnicas disponíveis internacionalmente
e vem mantendo excepcional programação nas diversas
áreas de sua competência.
Radar Venho, como dizia o padre
Vieira, entre desmentir e protestar, dizer do absurdo da informação
de "uma discreta articulação" minha
na escolha de advogado para o senhor Zuleido Veras, pessoa com
quem não tenho nenhuma ligação nem contato.
André Petry Petry escreve que "matar
é crime não porque seja imoral, mas porque a sociedade
entendeu que a vida deve ser preservada". Ora, se a sociedade
entendeu que a vida deve ser preservada, é porque viu
nisso um valor moral. Em toda lei há o chamado "espírito
da lei", que é o princípio sobre o qual se
baseou sua feitura. Logo, se há uma lei que declara que
é crime matar, é porque a sociedade entendeu que
matar é imoral. Ou Petry considera que, caso a lei não
criminalizasse o homicídio, todos sairiam por aí
matando? Claro que não, e justamente porque não
matar é algo moral ("A fé dos homofóbicos",
2 de julho).
Veja essa Que bom se tivéssemos
um presidente com coragem e dignidade para se referir aos terroristas
do MST como fez o presidente francês Nicolas Sarkozy em
relação ao Hamas (Veja essa, 2 de julho).
A origem do universo Meus melhores cumprimentos
pela reportagem especial "Um olhar sobre o início
de tudo" (25 de junho). Assinante desde os tempos do meu
querido amigo Victor Civita, creio que essa reportagem tenha
ultrapassado tudo o que se tenha lido a propósito do
nosso planeta e das origens do universo. Monumental!
Claudio de Moura Castro Como ex-diretor técnico
do Senai-RS, permito-me afirmar que o artigo "O Senai na
mira do governo" (Ponto de vista, 2 de julho) é
super-realista. Essa séria instituição
não pode ir para um operador que nunca mostrou competência
igual. Já fui também do MEC e vivi essa realidade.
O quantitativo e o qualitativo dos profissionais das escolas
do Senai sempre foram enxutos. Daí o baixo custo a favor
da qualidade na formação de seus egressos e da
manutenção de máquinas e equipamentos em
suas escolas, sempre de última geração,
sem o que as nossas indústrias não estariam nesse
estágio de produtividade continuada nem com o alto grau
de competitividade internacional, já que possuem técnicos
inclusive de nível superior, a maioria formada pelo Senai.
Corrijam algumas deficiências, mas não pensem em
trocar de operador.
Alimentos Como trabalho e estudo,
meu dia acaba sendo bem curto, e muitas vezes sacio a fome com
salgadinhos. A reportagem "Salgadinho em análise"
(Guia, 2 de julho) me chamou muito a atenção.
Nunca parei para analisar a quantidade de gordura trans que
esses produtos contêm. A reportagem me serviu e
muito como alerta; a partir de agora ficarei atento.
Lei seca Claro que motoristas embriagados
não podem dirigir. Entretanto, essa nova lei sancionada
pelo presidente Lula cortou um direito social das pessoas de
bem ["A lei da tolerância (quase) zero", Contexto,
2 de julho]. Na lei anterior, em que havia uma tolerância
racional, não mexeram um bafômetro sequer para
fazer cumprir, o que seria uma coisa equilibrada, que separaria
o excesso do normal; de forma orquestrada, tramitaram a lei
zero álcool. Hoje, ninguém pode beber nada para
dirigir, entretanto poderá fumar o baseado que quiser,
drogar-se com crack, LSD, cocaína, heroína e com
os mais diversos tipos de "rebites" que a marginália
usa e que o bafômetro não acusará.
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