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Edição 2068

9 de julho de 2008
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Carta ao leitor
A bolsa é a vida

AE
A Bovespa, na década de 70: de lá para cá, o mercado de capitais atraiu milhões de brasileiros

Há quase quarenta anos, os brasileiros da classe média começaram a descobrir as possibilidades oferecidas pelo mercado de capitais. VEJA registrou o fenômeno na capa da edição de 22 de julho de 1970 (reproduzida acima), em que o personagem Tio Patinhas, com cifrões no lugar dos olhos, conclamava os leitores: "Você aí, vamos comigo à bolsa? Ela está melhorando". Desde então, apesar de todos os percalços enfrentados pela economia do país, uma quantidade enorme de pessoas aceitou o convite capitalista – e foi à bolsa de valores, que se aperfeiçoou mais e mais, numa prova de que Tio Patinhas estava certo. Hoje, 6 milhões de brasileiros investem em ações, seja direta ou indiretamente, por meio de fundos geridos por instituições financeiras. Um mercado de capitais eficiente é essencial para garantir a prosperidade da economia de uma nação a longo prazo. O florescimento da Bovespa foi, assim, uma das ótimas notícias da história recente do Brasil. Ele solucionou em boa parte a escassez de recursos para novos investimentos. Para se ter uma idéia, nos últimos quatro anos, 161 companhias lançaram ações na Bolsa, captando mais de 130 bilhões de reais. Com isso, não só receberam uma bela injeção de dinheiro, como se viram obrigadas a aprimorar sua administração, visto que passaram a ter de prestar contas aos novos sócios – os acionistas. Na hipótese, é claro, de estarem seguindo à risca o manual.

Há que elogiar os avanços nesse mercado, mas também apontar as falhas que nele persistem. A reportagem publicada na página 72 mostra que falta rigor na fiscalização das empresas que entram na Bolsa. Um exemplo espantoso é o da companhia Agrenco, do setor agrário. Ela captou, em outubro de 2007, 666 milhões de reais, vendendo gato por lebre – os investidores que acreditaram ter feito um bom negócio ao comprar ações adquiriram, na verdade, papéis podres. Os proprietários foram presos e os acionistas não sabem a quem recorrer, já que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a KPMG, empresa que auditou os balanços da Agrenco, eximiram-se de qualquer responsabilidade. É preciso dar mais musculatura à CVM, para que o mercado de capitais continue a desempenhar, sem turbulências perfeitamente evitáveis, seu papel no crescimento das empresas nacionais e no enriquecimento dos cidadãos. A bolsa, afinal, é a vida.



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