Edição 1810 . 9 de julho de 2003

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CINEMA

Fotos divulgação
Sinbad: desenho de beleza arrebatadora


Sinbad – A Lenda dos Sete Mares
(Sinbad: Legend of the Seven Seas, Estados Unidos, 2003. Estréia nesta sexta-feira no país) – Com algumas alterações aqui e ali, o novo desenho da DreamWorks, o estúdio de Steven Spielberg, readapta a história do ladrão de As Mil e Uma Noites. Aqui, Sinbad é falsamente acusado de roubar um artefato mágico – um certo Livro da Paz – e tem de enfrentar a deusa do caos para reavê-lo e impedir que seu velho amigo, o príncipe Proteus, seja executado em seu lugar. Sinbad vai contar com a ajuda de Marina, a despachada noiva de Proteus, por quem nutre um amor impossível. Defeitos: a história não foge muito do ritmo corriqueiro das aventuras em desenho e a dublagem de Giovanna Antonelli para Marina é de dar nos nervos. Mas a beleza da animação – que por vezes chega a ser arrebatadora – e a simpatia dos personagens compensam amplamente esses senões.

 

LIVROS

Vida e Época de Michael K, de J.M. Coetzee (tradução de José Rubens Siqueira; Companhia das Letras; 216 páginas; 31 reais) – O sul-africano Coetzee recebeu por duas vezes o Booker Prize, maior distinção para um autor em língua inglesa. Uma delas foi por Desonra, seu romance mais conhecido no Brasil. Agora, chega às livrarias a obra que rendeu sua primeira premiação, em 1983. Vida e Época de Michael K mostra como o totalitarismo pode atingir em cheio a existência de um homem – ainda que este, de tão impermeável à realidade, nem se dê conta. Está-se falando de Michael K, jardineiro que se supõe seja negro e que um dia resolve cruzar a África do Sul com um carrinho de mão, no qual carrega sua mãe à beira da morte, para levá-la à fazenda onde nasceu. Um livro de força impressionante, com ecos da literatura do checo Franz Kafka. Leia trechos do livro.

July, July, de Tim O'Brien (tradução de Cristina Laguna Sangiuliano Bôa; Best Seller; 336 páginas; 35 reais) – Nos anos 60, o americano Tim O'Brien militou contra a Guerra do Vietnã – mas teve de lutar como soldado no front. A experiência não foi em vão: mais tarde, ele se consagraria como autor de contundentes romances que abordam o episódio. O escritor volta ao tema em July, July, sobre uma turma de estudantes que concluiu seus estudos em 1969 e se reúne para comemorar os trinta anos de formatura. Entre os personagens estão um ex-combatente que perdeu uma perna na guerra e uma antiga beldade que sofre de câncer. O'Brien faz desse reencontro o mote para mostrar como o fantasma do Vietnã ainda paira sobre sua geração.

 

CDs

Diva Series, várias intérpretes (Universal) – Eis uma coleção de jazz que prima pela originalidade. Em geral, discos que prometem as divas do gênero trazem apenas Ella Fitzgerald, Billie Holiday e Sarah Vaughan. Pois Diva Series também garimpa outras cinco cantoras cuja discografia é bastante ignorada no Brasil. Por exemplo, Anita O'Day, que pertenceu à banda do baterista Gene Krupa e interpretava canções de Cole Porter como poucas. Ou ainda Blossom Dearie, cujos vocais agudos lhe davam um tom sapeca, e a brasileira Astrud Gilberto. O CD dedicado a esta última apresenta muitas canções raras em discos da artista – caso da sua versão para Canto de Ossanha, de Baden Powell e Vinicius de Moraes.

 
Skank: agora, na linha britpop  

Cosmotron, Skank (Sony Music) – Sinais de evolução em Belo Horizonte: no início da carreira, esse quinteto emulava o coquetel caribenho de bandas como Police e Paralamas do Sucesso. O sucesso da canção Garota Nacional, de 1996, rendeu ao grupo o status de ícone da música "pra pular" brasileira. A partir de Maquinarama (2000), contudo, eles descobriram o "britpop", aquele movimento ancorado por Oasis e The Verve, entre outras bandas que se inspiram na fase psicodélica dos Beatles. A não ser pelo reggae Nômade, todas as faixas desse CD têm esse sabor de anos 60. É o caso de Dois Rios, composta pelo grupo em parceria com Nando Reis e Lô Borges (rebento do Clube da Esquina, outra turma que parou nos Beatles), e das cítaras que recheiam a faixa Supernova.

Cidade de Deus Remix, vários intérpretes (ST2) – A franquia Cidade de Deus não pára de dar mostras de criatividade. A trilha original do filme de Fernando Meirelles tornou-se clássica pela seleção bem-cuidada, que ia dos sambas antigos ao funk dos anos 70, e pelos temas incidentais que carregavam no suingue. A atração de Cidade de Deus Remix está no tratamento eletrônico dado às melhores canções do filme por DJs brasileiros da moda, como Patife e Mau Mau. Eles não só viram as canções de cabeça para baixo como também aproveitam diversos diálogos do filme. O campeão é o remix de Mad Zoo e Patife para Nem Vem que Não Tem, de Wilson Simonal. São dois CDs que podem ser comprados avulsos ou numa caixa – a qual traz um CD-ROM com um clipe de cenas do filme.

 

DVD

Domingo Sangrento: o massacre irlandês de 1972 em estilo documental

Domingo Sangrento (Bloody Sunday, Irlanda/ Inglaterra, 2001. Paramount) – O 30 de janeiro de 1972 é uma data negra na história dos conflitos entre Inglaterra e Irlanda do Norte. Nesse domingo, uma passeata pacífica na cidade irlandesa de Derry terminou em massacre, com treze homens mortos pelas forças britânicas. O episódio não só interrompeu o processo de paz que se desenhava como insuflou a adesão ao terrorismo do IRA. Domingo Sangrento relembra esse dia em estilo documental, pelos olhos do grande ator James Nesbitt – no papel de Ivan Cooper, o líder do movimento pelos direitos civis que organizou a marcha. Acompanhar Nesbitt enquanto ele vê seu sonho desmoronar e se transformar em tragédia é uma jornada perturbadora e angustiante.

 
Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.
 
 
 
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