Edição 1810 . 9 de julho de 2003

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Cinema
Meninas subpoderosas

Em sua segunda aventura, as Panteras
saem do nada para chegar a lugar nenhum


Isabela Boscov

 
Fotos divulgação/Columbia Pictures
Santoro, com Cameron: sem camisa e sem fala

Galeria de fotos
Trailer
Clipe de música

Se filmes sofressem de doenças, a de As Panteras Detonando (Charlies's Angels: Full Throttle, Estados Unidos, 2003), que estréia nesta sexta-feira no país, certamente seria a síndrome de déficit de atenção. A segunda aventura das detetives Natalie, Dylan e Alex (respectivamente Cameron Diaz, Drew Barrymore e Lucy Liu) sai do nada para chegar a lugar nenhum. Mas se distrai com tantas coisas pelo caminho que não demora a atordoar o espectador e jogá-lo num estado de absoluta indiferença pelo que se passa na tela. A abertura que homenageia a cena inicial de Os Caçadores da Arca Perdida, por exemplo, começa divertida – e vai se tornando cada vez mais sem graça à medida que dá de "citar", compulsivamente, desde os filmes de James Bond até sucessos esquecidos como Trocando as Bolas e Cowboy do Asfalto. E isso é só o começo. Cenas tiradas de Car Wash, dos filmes da Turma da Praia, de competições de moto da ESPN, do inevitável Matrix e até de Striptease (tributo a Demi Moore, que faz uma ex-pantera do mal) disputam espaço a cotoveladas, e sem nenhum respeito pelos princípios básicos do sentido. É como assistir à televisão com um desses maníacos de controle remoto: o que se tem aqui é uma sucessão de fragmentos de filmes, clipes e comerciais, sem nada a uni-los que não a ansiedade do piloto em ver o que há no próximo canal, e no seguinte, e no outro.

A culpa é, como quase sempre, da bilheteria. Tivesse a renda de As Panteras sido mais modesta do que os 263 milhões de dólares que recolheu ao redor do mundo em 2000 – ou mais adequada ao clima de pura brincadeira em que se desenrolava o primeiro filme –, e esta continuação talvez não se sentisse na obrigação de divertir a platéia de maneira tão implacável. Não que falte perícia ao diretor McG, que comandou também o original. Ele é um egresso da publicidade e dos videoclipes, e sabe exatamente como colocar na tela as manobras radicais que imagina. Só não vê necessidade de dar coerência à história – uma bobagem sonolenta que envolve um segredo no passado da personagem de Drew Barrymore. Para que não se saia acusando os críticos de mau humor excessivo, basta medir As Panteras Detonando pela sua própria régua, a do faturamento. A bilheteria de estréia não só foi a metade dos 70 milhões de dólares que as projeções apontavam, como vem caminhando a passo de tartaruga nos Estados Unidos. Os especialistas já acham que o filme vai depender do lançamento em DVD para recuperar o investimento de 120 milhões – sem contar os gastos com publicidade e distribuição. Aí pelo menos o espectador, ou a espectadora, poderá se deter à vontade nas maiores atrações do filme – a estupenda forma física de Demi Moore e de Rodrigo Santoro. O ator brasileiro, que aparece em cena sempre sem camisa, tem uma atuação memorável como o vilão Emmers: entra mudo e sai calado. Pensando bem, sorte dele.

 

Jovem de corpo e de coração


Demi: 380 000 dólares para esculpir o que já era escultural

Calcula-se que, entre lipoaspirações, malhação e injeções de Botox, Demi Moore tenha gasto 380 000 dólares para se colocar em forma para As Panteras Detonando. Cálculo de invejoso, claro: se Demi não tivesse uma soberba matéria-prima sobre a qual esculpir, nem uma quantia dez vezes maior seria capaz de fazer com que, aos 40 anos, a atriz exibisse uma silhueta de 20 – e que 20. Cada vez que surge em cena, Demi ofusca as divas oficiais do filme. Não à toa, a convivência com elas no set foi menos do que amistosa, e repleta de acusações de estrelismo. Segundo os rumores, Cameron Diaz, Lucy Liu e Drew Barrymore a certa altura pararam de falar com Demi. Ao que parece, a veterana não se importou muito, já que tem outras oportunidades de travar diálogos proveitosos. Desde que se separou de Bruce Willis (que também faz uma ponta em Detonando), em 1998, Demi vem colecionando namorados, quase todos compatíveis com sua idade aparente. A lista inclui Leonardo DiCaprio, Tobey Maguire, Colin Farrell e, no presente momento, Ashton Kutcher, de Recém-Casados. Kutcher, de 25 anos, foi junto com Willis escoltar a estrela à pré-estréia de Detonando. Willis jura que aprova a escolha de Demi, mas consta que ele teria chamado Kutcher a um canto para alertá-lo sobre as medidas potencialmente desagradáveis que ele tomaria no caso de destratos à sua ex. O que sobra em amor para Demi, contudo, falta-lhe em sorte na carreira. Desde 1996, quando fez Striptease, seu cachê caiu de 13 milhões de dólares para, estima-se, 1,5 milhão. Bem, isso não é exatamente ruim, não é mesmo?

 

 
 
 
 
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