|
|
Cinema
Meninas
subpoderosas
Em sua segunda aventura, as Panteras
saem do nada para chegar a lugar nenhum

Isabela Boscov
Fotos divulgação/Columbia Pictures
 |
| Santoro,
com Cameron: sem camisa e sem fala |
Se
filmes sofressem de doenças, a de As Panteras Detonando
(Charlies's Angels: Full Throttle, Estados Unidos,
2003), que estréia nesta sexta-feira no país, certamente
seria a síndrome de déficit de atenção.
A segunda aventura das detetives Natalie, Dylan e Alex (respectivamente
Cameron Diaz, Drew Barrymore e Lucy Liu) sai do nada para chegar
a lugar nenhum. Mas se distrai com tantas coisas pelo caminho que
não demora a atordoar o espectador e jogá-lo num estado
de absoluta indiferença pelo que se passa na tela. A abertura
que homenageia a cena inicial de Os Caçadores da Arca
Perdida, por exemplo, começa divertida e vai se
tornando cada vez mais sem graça à medida que dá
de "citar", compulsivamente, desde os filmes de James Bond até
sucessos esquecidos como Trocando as Bolas e Cowboy do
Asfalto. E isso é só o começo. Cenas tiradas
de Car Wash, dos filmes da Turma da Praia, de competições
de moto da ESPN, do inevitável Matrix e até
de Striptease (tributo a Demi Moore, que faz uma ex-pantera
do mal) disputam espaço a cotoveladas, e sem nenhum respeito
pelos princípios básicos do sentido. É como
assistir à televisão com um desses maníacos
de controle remoto: o que se tem aqui é uma sucessão
de fragmentos de filmes, clipes e comerciais, sem nada a uni-los
que não a ansiedade do piloto em ver o que há no próximo
canal, e no seguinte, e no outro.
A culpa é, como quase sempre, da bilheteria. Tivesse a renda
de As Panteras sido mais modesta do que os 263 milhões
de dólares que recolheu ao redor do mundo em 2000
ou mais adequada ao clima de pura brincadeira em que se desenrolava
o primeiro filme , e esta continuação talvez
não se sentisse na obrigação de divertir a
platéia de maneira tão implacável. Não
que falte perícia ao diretor McG, que comandou também
o original. Ele é um egresso da publicidade e dos videoclipes,
e sabe exatamente como colocar na tela as manobras radicais que
imagina. Só não vê necessidade de dar coerência
à história uma bobagem sonolenta que envolve
um segredo no passado da personagem de Drew Barrymore. Para que
não se saia acusando os críticos de mau humor excessivo,
basta medir As Panteras Detonando pela sua própria
régua, a do faturamento. A bilheteria de estréia não
só foi a metade dos 70 milhões de dólares que
as projeções apontavam, como vem caminhando a passo
de tartaruga nos Estados Unidos. Os especialistas já acham
que o filme vai depender do lançamento em DVD para recuperar
o investimento de 120 milhões sem contar os gastos
com publicidade e distribuição. Aí pelo menos
o espectador, ou a espectadora, poderá se deter à
vontade nas maiores atrações do filme a estupenda
forma física de Demi Moore e de Rodrigo Santoro. O ator brasileiro,
que aparece em cena sempre sem camisa, tem uma atuação
memorável como o vilão Emmers: entra mudo e sai calado.
Pensando bem, sorte dele.
|
Jovem
de corpo e de coração
 |
|
Demi: 380 000 dólares para
esculpir o que já era escultural |
Calcula-se
que, entre lipoaspirações, malhação
e injeções de Botox, Demi Moore tenha
gasto 380 000 dólares para se colocar em forma
para As Panteras Detonando. Cálculo de
invejoso, claro: se Demi não tivesse uma soberba
matéria-prima sobre a qual esculpir, nem uma
quantia dez vezes maior seria capaz de fazer com que,
aos 40 anos, a atriz exibisse uma silhueta de 20
e que 20. Cada vez que surge em cena, Demi ofusca as
divas oficiais do filme. Não à toa, a
convivência com elas no set foi menos do que amistosa,
e repleta de acusações de estrelismo.
Segundo os rumores, Cameron Diaz, Lucy Liu e Drew Barrymore
a certa altura pararam de falar com Demi. Ao que parece,
a veterana não se importou muito, já que
tem outras oportunidades de travar diálogos proveitosos.
Desde que se separou de Bruce Willis (que também
faz uma ponta em Detonando), em 1998, Demi vem
colecionando namorados, quase todos compatíveis
com sua idade aparente. A lista inclui Leonardo DiCaprio,
Tobey Maguire, Colin Farrell e, no presente momento,
Ashton Kutcher, de Recém-Casados. Kutcher,
de 25 anos, foi junto com Willis escoltar a estrela
à pré-estréia de Detonando.
Willis jura que aprova a escolha de Demi, mas consta
que ele teria chamado Kutcher a um canto para alertá-lo
sobre as medidas potencialmente desagradáveis
que ele tomaria no caso de destratos à sua ex.
O que sobra em amor para Demi, contudo, falta-lhe em
sorte na carreira. Desde 1996, quando fez Striptease,
seu cachê caiu de 13 milhões de dólares
para, estima-se, 1,5 milhão. Bem, isso não
é exatamente ruim, não é mesmo?
|
|
|