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Especial
Mulheres apaixonadas
e apaixonantes

Ricardo
Valladares
Divulgação/TV Globo
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A
ESPANCADA
Várias
personagens galvanizam a atenção do público
em Mulheres Apaixonadas. Uma das principais é
Raquel (Helena Ranaldi), que tenta se livrar de Marcos (Dan
Stulbach), o marido que a surra. Nos próximos capítulos,
Marcos deve criar um escândalo alegando que ela seduziu
o adolescente Fred (Pedro Furtado). Raquel vai procurar a
ajuda de um Centro de Apoio à Mulher e denunciar o
marido
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Há
quem diga que as novelas influenciam o comportamento das pessoas,
e há quem diga que isso é balela. É uma velha
discussão, que não tem data para acabar. O que se
sabe com certeza, e até já foi comprovado por pesquisas
universitárias, é que o produto cultural mais popular
do país tem um poder impressionante para pautar debates sobre
questões políticas e da intimidade do brasileiro.
Nem todas buscam esse efeito, é claro. Há novelas
de enorme sucesso que se contentam em divertir o espectador e brincar
com suas fantasias, sem tocar em preocupações que
fazem parte do cotidiano. Mas nesses casos a novela jamais será
do autor Manoel Carlos. Realista obstinado, ele não abre
mão de construir seus enredos com base em assuntos polêmicos,
que fornecem material infindável para bate-papos no cafezinho
do escritório ou à mesa de jantar. Seu trabalho atual,
Mulheres Apaixonadas, sucesso no horário das 8 da
Rede Globo, é uma prova reiterada disso. Há cinco
meses no ar, a novela já pôs na ordem do dia discussões
sobre agressão contra mulheres, comportamento obsessivo no
amor, preconceito contra os velhos, alcoolismo e lesbianismo, entre
outras. É uma receita interessante e eficaz. Quanto mais
os temas desafiadores se multiplicam, mais a audiência aumenta.
Na semana passada, Mulheres Apaixonadas atingiu a excelente
média de 50 pontos de ibope na Grande São Paulo. Como
já houve picos de audiência de 58 pontos (veja
quadro), alguns especialistas consideram que, nesse
ritmo, a novela pode chegar ao final, em setembro, com média
próxima dos 60. O ibope de Mulheres Apaixonadas já
é maior do que aquele que O Clone, último sucesso
estrondoso da Globo no horário das 8, havia atingido com
o mesmo número de capítulos exibidos. Nacionalmente,
estima-se que 35 milhões de pessoas venham sintonizando a
novela todos os dias.
João Miguel Jr./divulgação/TV
Globo
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A
OBSESSIVA
A
cena em que Heloísa (Giulia Gam) feriu Sérgio
(Marcello Antony) com uma faca foi o maior pico de audiência
da novela até agora. Uma nova crise de ciúme
da personagem está prevista para breve, quando ela
souber que Sérgio presenteou a rica Vidinha (Julia
Almeida) com um livro. Vidinha talvez venha a ter, de fato,
um romance com o galã
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Mulheres
Apaixonadas também é um êxito extraordinário
do ponto de vista comercial. Já estabeleceu um recorde na
emissora, com duas inserções de merchandising por
capítulo aquelas situações em que um
personagem utiliza ou elogia um certo produto quase sempre sem nenhuma
sutileza. O preço do merchandising é mais alto que
o da exibição de um comercial de trinta segundos no
horário nobre, mas há compensações para
o anunciante: não é preciso gastar outra fortuna na
produção de uma propaganda e a probabilidade de o
espectador estar atento ao que acontece na televisão durante
o merchandising é muito maior do que no intervalo, momento
da tradicional corridinha até o banheiro. Cada inserção
de merchandising em Mulheres Apaixonadas custa atualmente
453 000 reais (412 000 ficam com a emissora e o restante é
dividido pelos profissionais que trabalharam na cena). Um comercial
de trinta segundos na faixa de horário da novela custa 193
380 reais.
Gianne Carvalho/divulgação/TV
Globo
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A OUTRA
No núcleo jovem da história, Cláudio (Erik Marmo) e Gracinha
(Carol Castro) já protagonizaram uma tórrida cena de sexo. Depois
disso, a moça, filha da empregada da família de Cláudio, anunciou
que está grávida. Os desfechos mais prováveis para essa situação
são a perda do bebê ou a confissão de que ela mentiu. Cláudio
deve terminar a novela com Edwiges (Carolina Dieckmann), já
que o casal formado pelos dois é o mais popular da trama |
O realismo de Manoel Carlos tem balizas definidas. Sua mira não
está voltada para grandes questões sociais, como miséria,
violência urbana ou corrupção. Elas podem até
aparecer nas conversas entre os personagens, calcadas às
vezes em manchetes de jornal, mas não costumam servir de
motor para a trama uma das raras exceções a
essa
regra ocorrerá brevemente, num capítulo em que Fernanda
(Vanessa Gerbelli) vai morrer na rua, vítima de uma bala
perdida. A inclinação de Manoel Carlos é muito
mais pelo que se poderia chamar de realismo familiar ou doméstico
e aí ele percorre todos os cômodos da casa,
do quarto de dormir à área de serviço. As famílias
enfocadas são de classe média ou de classe média
alta e circulam por um ambiente que o autor conhece bem, porque
é lá mesmo que vive: a Zona Sul do Rio de Janeiro.
Não se pode dizer que personagens saídos dessa classe
social e, mais ainda, desse microcosmo carioca representem o grosso
da população brasileira, mas há óbvias
vantagens novelísticas em lidar com eles. Situações
que perturbariam muitos espectadores se ocorressem na casa de seu
vizinho são encaradas com a maior naturalidade porque acontecem
naquele ambiente liberal retratado por Manoel Carlos. Mulheres
Apaixonadas, por exemplo, conseguiu uma proeza: pela primeira
vez, um caso de relacionamento lésbico é retratado
numa novela sem causar rejeição do público.
Na última ocasião em que algo do gênero foi
tentado, em Torre de Babel (1998), as lésbicas tiveram
de ser arrancadas da trama às pressas na explosão
de um shopping center. Uma das chaves para a aceitação
do romance entre Clara (Aline Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli)
é que, além de dar-se entre adolescentes há
uma certa tolerância social para com os dilemas enfrentados
por pessoas nessa faixa etária , ele acontece numa
escola ultraprogressista, onde ninguém as rejeita nem recrimina.
A única exceção é Paulinha (Ana Roberta
Gualda), uma personagem cuja marca é o ressentimento dirigido
contra tudo e todos. Além de abordar com naturalidade certos
temas espinhosos, os personagens de Manoel Carlos discutem uns com
os outros cada drama vivido ou cada tabu enfrentado. Os amigos professores
da alcoólatra Santana (Vera Holtz) a estimulam a buscar tratamento
com especialistas, e quem sabe do drama de Raquel (Helena Ranaldi),
espancada pelo marido, a aconselha sem pestanejar a denunciá-lo
numa delegacia de mulheres. "Manoel Carlos consegue abordar no horário
nobre coisas que só costumam ser discutidas em consultórios
de especialistas, na Justiça ou em programas policiais",
diz Teresa de Góes Negreiros, professora do departamento
de psicologia da PUC-Rio.
Divulgação/TV Globo
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Divulgação/TV Globo
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A
LIBERADA
O casal Expedito (Rafael Calomeni) e Lorena (Suzana Vieira)
tem uma enorme diferença de idade. Depois de um período de grande
felicidade, os dois provavelmente passarão por uma crise. Expedito,
que começou a fazer sucesso na profissão de modelo, poderá envolver-se
com uma mulher tão jovem quanto ele. A despachada Lorena não
vai deixar barato e fará de tudo para reconquistá-lo |
A
ALCOÓLATRA
A professora Santana (Vera Holtz) enfrenta grandes dificuldades
para se livrar do vício da bebida. Ela não consegue mais trabalhar
e chegou ao fundo do poço. Mas sua história caminha para um
final feliz: Santana vai criar coragem para tratar-se com especialistas
e conquistará o amor de seu colega Lobato (Roberto Frota) |
Os
personagens de Manoel Carlos 105 nesta novela nunca
são daquele gênero absurdo e estereotipado tão
comum em folhetins. Até os malucos agem segundo uma lógica.
Quando um deles tem um problema esquisito, como Heloísa (Giulia
Gam), atormentada por uma síndrome amorosa que já
a fez esfaquear o marido e arrebentar-se num acidente de carro,
o autor se esmera para não errar nos detalhes. Para escrever
Mulheres Apaixonadas, Manoel Carlos conta com a assessoria de
duas pesquisadoras, Leandra Pires e Juliana Peres, que além
de assistirem a aulas de colégio, para registrar o comportamento
juvenil, têm visitado vários tipos de centro de apoio
psicológico para conferir se aquilo que vai ao ar bate com
a realidade. Os atores também são estimulados a fazer
esse tipo de pesquisa de campo. Os casos tratados no grupo Mada
(sigla para Mulheres que Amam Demais Anônimas) ajudam a dar
substância às histórias de Heloísa. Para
compor Raquel, Helena Ranaldi já foi visitar o Ciam (Centro
Integrado de Atendimento à Mulher) e participou de uma sessão
incorporando sua personagem. Até para o ator Dan Stulbach,
que interpreta Marcos, o marido brutamontes de Raquel, foi encontrada
uma boa fonte de informações: o Instituto Noos, onde
se reúnem maridos que surram as mulheres e depois se arrependem
(pois é, isso existe). Contudo, segundo a psicóloga
Cecília Teixeira Soares, diretora do Ciam, Marcos é
um personagem forte, mas um pouco caricato. "A Raquel está
perfeita com aquelas hesitações todas. Muitas mulheres
que apanham não querem deixar o marido porque vêem
que ele tem um lado bom. Mas o Marcos não tem esse lado.
Ele é sádico demais", diz ela.
João Miguel Jr./divulgação/TV
Globo
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Divulgação/TV Globo
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A
ROMÂNTICA
Helena (Christiane Torloni) nutre uma paixão incurável pelo
neurocirurgião César (José Mayer). Seu desejo de voltar a ter
um romance com ele deve realizar-se já na próxima semana. Está
prevista uma cena em que a namorada atual do médico, Luciana
(Camila Pitanga), flagra os dois aos beijos. Desiludida, ela
buscará consolo nos braços do primo Diogo (Rodrigo Santoro).
Helena e César passarão a ser perseguidos por outra ex-conquista
do galã, Laura (Carolina Kasting), que se tornará uma vilã |
AS
LÉSBICAS
O namoro entre Rafaela (Paula Picarelli) e Clara (Aline Moraes)
já causou confusão na escola onde elas estudam. Na semana que
vem o relacionamento vai sofrer um abalo: Clara será beijada
pelo amigo Rodrigo (Leonardo Miggiorin) e ficará em dúvida sobre
sua sexualidade. O namoro entre as duas adolescentes não incomoda
o público. Elas podem acabar juntas – mas dificilmente farão
uma cena de beijo. Uma pesquisa da Globo revelou que o público
não está preparado para isso |
Para
pôr de pé todas as cenas da novela, Manoel Carlos tem
trabalhado doze horas por dia num bagunçado escritório
doméstico. Mas ele trabalha de portas abertas, aceitando
de bom grado as interrupções da família. O
autor está em seu terceiro casamento sua mulher chama-se
Elisabety e é vinte anos mais nova do que ele. Também
moram com Manoel Carlos o filho Pedro, de 11 anos, e a filha Julia
Almeida, atriz de 20 anos que interpreta Vidinha em Mulheres
Apaixonadas. O endereço é uma cobertura de 300
metros quadrados no Leblon, luxuosa, mas sem ostentação.
Não há obras de arte valiosas nem tapetes raros na
casa. O autor coleciona bengalas antigas e livros. Em todos os cômodos,
as paredes são recobertas de obras de ficção,
de poesia, de fotografia e história. Quase todos os ambientes
são também perfumados por velas aromáticas.
No segundo andar, há uma sala com um telão, onde Manoel
Carlos assiste à novela todos os dias, acompanhando as variações
do ibope num aparelhinho.
Divulgação/TV Globo
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A
ASSANHADA
Presa num casamento morno, Sílvia (Natália do Vale) resolveu
embarcar numa aventura com o taxista Caetano (Paulo Coronato)
e fez com que ele a levasse a um motel. A idéia é que o marido
de Sílvia descubra que foi traído e decida revidar, arranjando
uma amante no trabalho
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No
começo de Mulheres Apaixonadas, parecia que ganharia
destaque a velha técnica de manter o suspense na base do
"quem vai ficar com quem?". Esse elemento ainda existe, mas tornou-se
bastante secundário na trama. Manoel Carlos optou por uma
outra maneira de contar a história. Ou talvez fosse melhor
falar em histórias. Desde Felicidade, que foi ao ar
em 1991, Manoel Carlos prefere dar o mesmo peso a várias
tramas paralelas em vez de privilegiar um único enredo. "É
um jeito de evitar aqueles períodos cheios de flashbacks
dos protagonistas, em que a história começa a chover
no molhado e nada de novo acontece", diz ele. Em Mulheres Apaixonadas,
a técnica das muitas histórias paralelas chegou às
últimas conseqüências. A cada uma ou duas semanas
uma das histórias chega ao seu clímax. Cada vez que
isso acontece, há um pico de audiência. O maior deles
ocorreu em 9 de junho, quando Heloísa atacou Sérgio
(Marcello Antony) com uma faca. O Ibope registrou 58 pontos quando
a cena foi ao ar. Depois de um desses clímax, o personagem
pode ser deixado de lado por algum tempo, enquanto outras peripécias
acontecem. Manoel Carlos ainda tem algumas cartas para tirar da
manga. O romance entre a esfuziante socialite Estela (Lavínia
Vlasak) e o padre Pedro (Nicola Siri) andou em banho-maria. O autor
pretende retomá-lo e tudo indica que o sacerdote vai largar
a batina e sair atrás da saia. Outro tema que deve ser abordado
é o câncer de mama. Manoel Carlos ainda não
sabe quem vai ser a personagem atingida, mas quer tocar no problema
para dar uma mãozinha às campanhas de prevenção
da doença. Se depender do autor, não faltará
assunto aos brasileiros nos próximos meses.
Gianne Carvalho/divulgação/TV
Globo
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A
MALCRIADA
Egoísta e arrogante, a jovem Doris (Regiane Alves) maltratou
tanto seus avós que acabou recebendo uma surra de seu pai.
A personagem saiu um pouco do centro das atenções. Quem deve
ganhar espaço é seu irmão, Carlinhos (Daniel Zettel), que
vai para a cama com a empregada Zilda (Roberta Rodrigues)
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Lágrimas
de veterana
Fotos divulgação/TV
Globo
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A ÓRFÃ
Num momento místico, um anjo disse à menina Salete
(Bruna Marquezine) que sua mãe, Fernanda (Vanessa
Gerbelli), vai morrer. Fernanda, de fato, deverá
ser vítima de uma bala perdida nos próximos dias.
A questão sobre quem vai ficar com Salete será um
dos temas principais da novela |
A
história da garotinha Salete (Bruna Marquezine)
está começando a entrar em primeiro plano
em Mulheres Apaixonadas. Na segunda-feira passada,
a personagem teve uma visão perturbadora, em
que um anjo lhe dizia que sua mãe ia morrer.
Assustada, Salete trava um diálogo comovente
com Fernanda (Vanessa Gerbelli), sua mãe na novela,
e, em seguida, com Téo (Tony Ramos). Quando foram
ao ar, as cenas eletrizaram o público. Antes
disso, já haviam impressionado todos os que participaram
das gravações, do câmera ao diretor.
O desempenho de Bruna, considerada uma das grandes revelações
de Mulheres Apaixonadas, foi mesmo arrebatador.
Aos 7 anos, ela é espertíssima, graciosa
e chora em cena com uma facilidade de dar inveja a atores
veteranos. No episódio da visão do anjo,
a menina verteu lágrimas tão copiosas
que muitos espectadores pensaram que talvez Bruna estivesse
realmente traumatizada. "Eu não faço nada
para chorar. Só entro na história e aí,
quando precisa, a vontade vem", explica a atriz. Bruna,
de fato, está bastante envolvida com sua personagem.
Tanto que se apegou muito a Vanessa Gerbelli. Quando
soube que a morte de Fernanda estava prevista no enredo,
ficou tão aflita que pediu um encontro com Manoel
Carlos. O autor a recebeu em sua casa para uma conversa
sobre as diferenças entre ficção
e realidade.
Bruna é filha de um marceneiro e de uma dona-de-casa.
A família mora em Duque de Caxias, uma cidade-dormitório
nos arredores do Rio de Janeiro. Há dois anos,
ela pediu que a matriculassem num curso de modelo, que
serviu como porta de entrada na Globo. Bruna foi um
anjo num episódio de O Sítio do Pica-Pau
Amarelo e apareceu no vídeo Xuxa Só
para Baixinhos 3. Atualmente, ganha 1.500 reais
por mês para interpretar Salete. O convite para
participar de Mulheres Apaixonadas veio quando
uma cópia de um comercial protagonizado por Bruna
caiu nas mãos dos produtores da novela. Trata-se
de um vídeo institucional da Polícia Militar
de São Paulo sobre o suicídio de PMs.
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Com
reportagem de Silvia Rogar
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