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Saúde
Diabetes:
outra má notícia
Pesquisa
americana mostra que
o diabetes tipo 2 pode levar ao
surgimento do câncer de mama

Paula
Neiva
Pesquisadores
da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, estabeleceram uma relação
direta entre duas das doenças que mais matam nos dias de
hoje: o diabetes tipo 2 e o câncer de mama. Publicado na Diabetes
Care, revista da Associação Americana de Diabetes,
o estudo mostra que as diabéticas são 17% mais propensas
a desenvolver tumores malignos na mama do que as mulheres com níveis
normais de açúcar no sangue. "É o primeiro
trabalho que consegue provar, com dados bastante precisos, a forte
influência de uma doença sobre a outra", diz o endocrinologista
Freddy Goldberg Eliaschewitz, pesquisador da Universidade de São
Paulo. Os resultados da pesquisa de Harvard são provenientes
de um universo riquíssimo em informações
o Nurse's Health Study, uma extensa base de dados sobre a
saúde feminina. Durante duas décadas, desde 1976,
os médicos acompanharam cerca de 120.000
enfermeiras, de 30 a 55 anos. Para chegar à conclusão
de que o diabetes tipo 2 é fator de risco para o câncer
de mama, eles descartaram, nesse universo, a influência de
fatores comprovadamente associados a esse tipo de tumor, como a
herança genética, a obesidade e o sedentarismo.
Ainda
não se desvendou o mecanismo pelo qual o diabetes tipo 2
aumenta a probabilidade de câncer de mama. Os especialistas
suspeitam que o elemento de ligação entre um e outro
seja a insulina. Produzido pelo pâncreas, esse hormônio
faz com que o açúcar entre nas células e se
transforme em energia. O diabetes tipo 2 caracteriza-se por uma
baixa na fabricação de insulina. Antes de a doença
se instalar, no entanto, os pacientes passam por uma longa fase
de pré-diabetes, quando ocorre justamente o contrário:
o organismo libera insulina em excesso. Acredita-se que seja nesse
momento que se forma o terreno propício ao aparecimento do
câncer de mama. Isso porque a insulina é um hormônio
que também atua na multiplicação celular. A
exposição a quantidades exageradas da substância,
por vários anos, pode estimular a multiplicação
desordenada das células e, com isso, favorecer o surgimento
do tumor.
Associado
aos piores hábitos da vida moderna, o diabetes tipo 2 é
uma das doenças que mais tiram o sono dos médicos.
De proporções epidêmicas, com 170 milhões
de vítimas em todo o mundo, ela está associada a um
grande número de problemas graves (veja quadro ao lado).
Tão preocupante quanto a sua relação com
o câncer de mama é a sua conexão com os distúrbios
cardiovasculares. Três de cada dez pacientes cardíacos
são diabéticos. "Há vinte anos, esse índice
não ultrapassava os 12%", diz o cardiologista Whady Hueb,
do Instituto do Coração (Incor), de São Paulo.
A forte ligação entre os males cardíacos e
o diabetes motivou, em 2001, a criação de uma frente
de investigação sobre o tema, envolvendo 37 instituições
de pesquisa. Delas, apenas uma não é americana: o
Incor, um dos centros mundiais de referência no tratamento
e pesquisa de doenças cardiovasculares. Os resultados dessa
operação conjunta devem sair em setembro de 2004.
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