Edição 1810 . 9 de julho de 2003

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Saúde
Diabetes: outra má notícia

Pesquisa americana mostra que
o diabetes tipo 2 pode levar ao
surgimento do câncer de mama


Paula Neiva

Pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, estabeleceram uma relação direta entre duas das doenças que mais matam nos dias de hoje: o diabetes tipo 2 e o câncer de mama. Publicado na Diabetes Care, revista da Associação Americana de Diabetes, o estudo mostra que as diabéticas são 17% mais propensas a desenvolver tumores malignos na mama do que as mulheres com níveis normais de açúcar no sangue. "É o primeiro trabalho que consegue provar, com dados bastante precisos, a forte influência de uma doença sobre a outra", diz o endocrinologista Freddy Goldberg Eliaschewitz, pesquisador da Universidade de São Paulo. Os resultados da pesquisa de Harvard são provenientes de um universo riquíssimo em informações – o Nurse's Health Study, uma extensa base de dados sobre a saúde feminina. Durante duas décadas, desde 1976, os médicos acompanharam cerca de 120.000 enfermeiras, de 30 a 55 anos. Para chegar à conclusão de que o diabetes tipo 2 é fator de risco para o câncer de mama, eles descartaram, nesse universo, a influência de fatores comprovadamente associados a esse tipo de tumor, como a herança genética, a obesidade e o sedentarismo.

Ainda não se desvendou o mecanismo pelo qual o diabetes tipo 2 aumenta a probabilidade de câncer de mama. Os especialistas suspeitam que o elemento de ligação entre um e outro seja a insulina. Produzido pelo pâncreas, esse hormônio faz com que o açúcar entre nas células e se transforme em energia. O diabetes tipo 2 caracteriza-se por uma baixa na fabricação de insulina. Antes de a doença se instalar, no entanto, os pacientes passam por uma longa fase de pré-diabetes, quando ocorre justamente o contrário: o organismo libera insulina em excesso. Acredita-se que seja nesse momento que se forma o terreno propício ao aparecimento do câncer de mama. Isso porque a insulina é um hormônio que também atua na multiplicação celular. A exposição a quantidades exageradas da substância, por vários anos, pode estimular a multiplicação desordenada das células e, com isso, favorecer o surgimento do tumor.


Associado aos piores hábitos da vida moderna, o diabetes tipo 2 é uma das doenças que mais tiram o sono dos médicos. De proporções epidêmicas, com 170 milhões de vítimas em todo o mundo, ela está associada a um grande número de problemas graves (veja quadro ao lado). Tão preocupante quanto a sua relação com o câncer de mama é a sua conexão com os distúrbios cardiovasculares. Três de cada dez pacientes cardíacos são diabéticos. "Há vinte anos, esse índice não ultrapassava os 12%", diz o cardiologista Whady Hueb, do Instituto do Coração (Incor), de São Paulo. A forte ligação entre os males cardíacos e o diabetes motivou, em 2001, a criação de uma frente de investigação sobre o tema, envolvendo 37 instituições de pesquisa. Delas, apenas uma não é americana: o Incor, um dos centros mundiais de referência no tratamento e pesquisa de doenças cardiovasculares. Os resultados dessa operação conjunta devem sair em setembro de 2004.

 
 
 
 
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