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Brooks Kraft/Corbis/Latin Stock![]() |
| HARMONIZAÇÃO Michelle: cor rebatizada e bem combinada |
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Não existe mulher que, confrontada com o desafio de escolher a roupa para uma atividade festiva, não tenha corrido para o mais seguro dos portos o sofisticado, elegante, emagrecedor e à prova de erros vestido preto. Do yin ao yang, como sempre na moda, é só um momento, como prova a súbita proliferação do antipreto, o tom pálido, pouco visível, que se divide numa variedade de nuances aglomeradas sob a denominação comum "cor da pele". Quer dizer, aglomeravam-se, porque foi só Michelle Obama exibir num jantar na Casa Branca seu "tomara que caia cor da pele com desenhos florais abstratos de paetês prateados", na definição do próprio estilista, Naeem Khan, para os legionários da correção política esbravejarem: "Cor da pele de quem? Não dela!". O vestido foi rebatizado de champanhe e, felizmente, continuou harmonizando à perfeição com o cappuccino da tez da primeira-dama americana. E não se fala mais em variações tonais epidérmicas. A não cor, no entanto, continua se multiplicando em denominações que, dependendo do modelo, da criatividade do narrador e até da iluminação local, cobrem esferas do mundo mineral, vegetal e espacial: chá, nuvem, areia, pérola, madrepérola, ostra, nácar, porcelana, manteiga, pó (de arroz), pétala, lilás luminescente. Até de éter já foi chamada. Qualquer que seja o nome, onde há festa momentosa hoje, o cor da pele encontra boas condições para se reproduzir. "O natural retornou com muita força, inclusive nos acessórios, na maquiagem e nos esmaltes. Lembra aquele clima dos anos 20, quando as mulheres usavam pó de arroz e a moda era rosto pálido e cabelos ondulados", diz a consultora de moda Helena Montanarini.
O cor da pele, ou nude (nu) em inglês, começou sua campanha por baixo: pelos sapatos arenosos nem pensar em chamá-los de bege que de repente tomaram o mundo de assalto. Dos pés para o restante foi praticamente um pulo. "O nude também é efeito da crise dos mercados financeiros, como forma de deixar a ostentação de lado, de se apagar", racionaliza a editora de moda Lilian Pacce. A consagração, como sempre, aconteceu nos tapetes vermelhos: a palidez brilhou no Oscar e, mais recentemente, no Festival de Cannes, em que se transmutou em denominações mais inventivas ainda. Para quem não sabe, era blonde (louro) o embabadado Cavalli de Jennifer Lopez; era blush o tomara que caia (Gucci, cuja primeiríssima linha de alta-costura foi lançada em Cannes) de Salma Hayek; era peach (pêssego) o recortado Pucci usado pela modelo Tori Praver. Para as mulheres de pele e cabelos claros, que temem desaparecer em meio a tanta palidez, Naomi Watts, de tomara que caia Gucci, mostrou os milagres que um batom bem vermelho, com brincos combinando, pode produzir. O tom evanescente é especialmente generoso com mulheres maduras como Kristin Scott Thomas, de 50 rejuvenescidos anos pelo Giorgio Armani Privé. "É uma cor que combina com qualquer tonalidade de pele valoriza a clara e acentua a morena. E é versátil: os tons mais pálidos e rosados evocam romantismo, mas também podem ser sexy, em tecidos transparentes e rendas", diz a consultora Helena. Confiram, de novo, a sensualidade de Salma Hayek. Alguém conseguiria olhar para ela e dizer que estava com um vestido sem graça?
Fotos Matt Sayles/AP, Stephane Cardinale/Corbis/Latin
Stock, Sean Gallup/Getty Images e Venturelli/Getty Images![]() |
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