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do escândalo no Senado, ex-diretor-geral busca
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Sergio Dutti![]() |
| EM CAMPANHA Propaganda do ex-diretor na periferia: de olho na política |
O ex-datilógrafo Agaciel Maia é um personagem-chave da crise que sacudiu
o Senado no ano passado. Diretor-geral da instituição durante catorze
anos, Agaciel perdeu o cargo quando se descobriu que era dono de uma mansão,
avaliada em 5 milhões de reais, nunca declarada à Receita Federal.
A casa, soube-se depois, era apenas um detalhe em sua biografia. Agaciel era o
principal operador da máquina que produzia contratos superfaturados e nomeava
funcionários-fantasma, por meio de atos secretos, em benefício
de um seleto grupo de políticos. Seu poder era tão incontrastável
que, mesmo sendo um mero burocrata, era tratado como o 82° senador. Apesar
dos escândalos em que estava metido, Agaciel conservou o emprego de servidor
e o salário de 23 000 reais. Mas não ficou totalmente satisfeito.
Agora, depois de um ano de recolhimento, o ex-diretor está decidido a entrar
de vez no mundo da política universo que, em duas décadas
de convivência com o poder, aprendeu a conhecer como poucos. Tratando-se
de Agaciel Maia, o risco de isso acabar dando certo para ele não é
desprezível.
Roberto Stuckert Filho/Ag. O Globo![]() |
| FÔLEGO DE GATO Agaciel Maia perdeu o cargo, mas manteve o emprego e o salário: amigos influentes |
As negociações em torno
do novo projeto estão adiantadas. Agaciel já decidiu que disputará
um mandato pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC), sigla que elegeu o ex-deputado
Clodovil Hernandes em 2006. Só está em dúvida em relação
ao cargo. Sua ideia inicial era eleger-se deputado federal no Rio Grande do Norte,
onde cresceu e de onde saiu há quase quatro décadas. Mas, diante
do alto risco e do custo elevado, seria uma aventura temerária mesmo para
alguém impetuoso como ele. O mais provável é que dispute
uma das 24 cadeiras da Câmara Distrital de Brasília, cujos parlamentares
se notabilizaram por esconder propinas em lugares exóticos, como meias.
O PTC estima que seu mais novo candidato possa conquistar cerca de 10 000
votos. Seu sistema propulsor seria formado por servidores do Senado casta
que Agaciel sempre privilegiou e da qual é uma espécie de ídolo.
"É a minha turma", confirma o ex-diretor.
A direção do PTC não se importa com a biografia tisnada de seu novo pupilo. "Acredito que ele pode nos trazer muitos votos. Às vezes as pessoas tomam certas atitudes por necessidade", justifica o presidente da sigla em Brasília, Divino Omar Nascimento. Com o sinal verde do partido, Agaciel já está em campanha. Ele mandou pintar em muros da periferia o seu endereço na internet, uma maneira disfarçada de fazer campanha eleitoral antecipada. O site abriga artigos sobre problemas da cidade e dados biográficos inúteis, como a data em que se tornou membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte. Agaciel garante que o objetivo não é eleitoral. "É só para que os servidores do Senado não percam o contato comigo", explica. Havia jeito mais fácil e barato. Bastava comparecer ao trabalho, onde raramente é visto. Apesar das dificuldades de uma campanha, sua carreira é promissora. Com dinheiro, amigos influentes e vasta experiência política, ele tem tudo para criar sua própria dinastia.