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da Semana
A
mais cruel das dúvidas
De onde vieram os filhos da mulher
mais rica da Argentina?
E, mesmo se não quiserem,
eles devem ser obrigados a saber?

Vilma Gryzinski
Natacha Pisarenko/AP
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O que você
faria se descobrisse que foi arrancado dos braços de sua mãe
por aqueles que depois a matariam e entregue a pais adotivos aparentemente amorosos,
mas conhecedores da monstruosidade praticada? Essa inconcebível dúvida
já atormentou pelo menos uma centena de jovens adultos argentinos
muitos se reencontraram emocionadamente com a família original,
outros se mantiveram fiéis aos parentes por quem foram criados. Já
suficientemente dramáticos, os casos dos "filhos da ditadura",
as crianças nascidas em condições hediondas nos
centros de tortura e extermínio de presos políticos durante
o regime militar, ganharam dimensões ainda mais tortuosas quando passaram
a envolver Marcela e Felipe Noble, os filhos da mulher mais rica da Argentina.
Dona, por viuvez, de um grupo empresarial avaliado em 1 bilhão de
dólares, incluindo o jornal El Clarín, Ernestina Herrera
de Noble adotou os filhos pequenos, com poucos meses de diferença, em condições
suspeitas no fatídico ano de 1976 e os registrou como próprios.
O erro, tão compreensível, ocultaria algo muito mais terrível?
Desde 2002 o caso corre na Justiça, por intervenção das Avós
da Praça de Maio e com sombrios desdobramentos políticos
quanto mais o Clarín se afastava dos Kirchner, o casal
reinante, mais se aprofundavam as investigações. Ernestina
já chegou a ser presa. No último e vexaminoso capítulo,
Marcela e Felipe foram obrigados a entregar roupas íntimas e outros objetos
para exame compulsório de DNA. Eles não querem investigar
o passado, o que adversários debitam na influência e na herança
de Ernestina. O que você faria no lugar deles?
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