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• Televisão: Uma aula de cinema nos clássicos do TCMLivrosFeliz refém dos vampirosAutora da série best-seller Crepúsculo, Stephenie Meyer volta
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Basso
Cannarsa/Opale![]() |
| VEIA ROMÂNTICA Stephenie Meyer, a estilista: "Seus dentes brilhavam sob a luz de um poste" |
Stephenie
Meyer não gosta de vampiros. Nunca foi fã de Bram Stoker, o autor
de Drácula, e não vê filmes de terror (até porque
estes não se coadunam com os ditames de sua fé mórmon). No
entanto, a escritora americana é a criadora da saga Crepúsculo, cujos quatro títulos já venderam mais de 80 milhões de
exemplares no mundo e deram início a uma nova voga de filmes e livros de
vampiros. A ideia de escrever uma série sobre sugadores de sangue adolescentes
que exercem a escolha moral de não matar humanos teria surgido em um sonho.
"Não escolhi os vampiros. Eles me escolheram", declarou Stephenie
em uma entrevista a VEJA, há dois anos. É um problema quando essas
criaturas escolhem alguém: não largam mais. Stephenie tentou a mão
em um romance de ficção científica, A Hospedeira, sem a mesma repercussão. No Brasil, vendeu cerca de 140 000 exemplares,
número para lá de expressivo mas que nem de longe se equipara
às cifras de Crepúsculo, com 4,5 milhões de volumes
comercializados no país. Agora, às vésperas do lançamento
do filme Eclipse, baseado no terceiro livro da série, Stephenie
volta ao mesmo universo com A Breve Segunda Vida de Bree Tanner (tradução
de Débora Isidoro; Intrínseca; 192 páginas; 24,90 reais).
Lançado no Brasil nesta semana juntamente com a edição americana , o novo romance é, muito oportunamente, um desdobramento de Eclipse, o episódio que está chegando aos cinemas. Nesse livro, a vampira Bree Tanner era uma personagem secundária na luta épica dos Cullen o clã de vampiros do bem contra a malévola Victoria. A tetralogia Crepúsculo é toda narrada em primeira pessoa por Bella, a romântica humana que se apaixona pelo charmoso dentuço Edward Cullen. Bree Tanner, na aparência, constituiria um lance mais ousado: a mesma história (ou uma pequena parte dela) narrada do ponto de vista de uma criatura do mal, uma vampira que não tem escrúpulos em matar pessoas para se alimentar. Mas Bree, no final, não é tão perversa. A coitadinha é só uma vítima das más companhias.
O apelo da série original junto ao público adolescente está
no seu romantismo gótico, com a moça determinada mas inocente (virgem,
inclusive) que se apaixona irremediavelmente por um rapaz sensível e meio
mórbido mas dotado de força sobre-humana. A fórmula
é repetida em Bree Tanner, com um quase namoro entre a protagonista
e outro vampiro, Diego. As cenas de ação são meio canhestras
mesmo para os padrões fantasiosos desse tipo de literatura, a expressão
de emoções é simplória (volta e meia aparece um personagem
que "franze a testa") e o texto traz frases desengonçadas ("seus
dentes brilharam sob a luz de um poste"). Isso deve importar pouco para um
público adolescente que deseja doses iguais de açúcar e sangue.
Stephenie Meyer encontrou um rico veio (ou será uma veia?) romântico.
É uma feliz prisioneira dos vampiros.