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VEJA
Recomenda
DVDs
Brubaker
(Estados Unidos, 1980. Fox) Levado para uma prisão
rural no sul dos Estados Unidos, nos anos 70, Henry Brubaker (Robert
Redford) cai num dos círculos do inferno: sujeira, gente
amontoada, comida fétida, guardas corruptos, violência
abusiva e trabalho escravo são as normas locais. Brubaker,
porém, não é um condenado como os outros
é o novo diretor da prisão, que, incógnito,
vai conhecer em primeira mão as vicissitudes do sistema.
O personagem, verídico, foi um dos vários protagonistas
do movimento pela reforma prisional, e ficou mais famoso pela obstinação
com que sofreu suas derrotas do que pelas suas vitórias.
Cabeça-dura e escrupuloso ao extremo, Brubaker afrontou o
governador que o contratara, a preconceituosa sociedade sulista
e os diversos sanguessugas do sistema carcerário. Só
agradou aos presos, e nem é preciso dizer que não
durou no cargo. Dirigido por Stuart Rosenberg, que em 1967 fizera
Rebeldia Indomável, passado num ambiente semelhante,
Brubaker é um bom exemplar do cinema politizado e
envolvente da época.
20th Century Fox
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| Redford
em Brubaker: cinema envolvente dos anos 70 |
Ed Wood (Estados Unidos, 1994. Buena Vista) Fracasso
dos mais imerecidos quando foi lançado nos cinemas, há
dez anos talvez por ser em preto-e-branco, talvez por tratar
de uma figura conhecida apenas de um reduzido grupo de cinéfilos
, essa pequena obra-prima do diretor Tim Burton conta a história
de Ed Wood, aquele que é tido como o pior cineasta de todos
os tempos (uma injustiça, já que concorrência
a ele é o que não falta). Onde todos só viam
o ridículo, porém, Burton descobriu uma figura poética,
que sempre amou apaixonadamente o que fazia e nunca chegou a perceber
quanto sua obra era ruim. O filme é também um dueto
de interpretações soberbas a de Johnny Depp,
como Ed Wood, e a de Martin Landau, como Bela Lugosi, o mais famoso
dos Dráculas do cinema, que Wood conheceu já na miséria
e completa dependência de drogas e a quem ajudou com papéis
em suas produções paupérrimas.
DISCOS
Boy
in da Corner, Dizzee Rascal (Sum) O rapper de 20
anos de idade tem sido saudado como a resposta da Inglaterra ao
fenômeno Eminem. Dylan Mills (seu nome verdadeiro) nasceu
na periferia de Londres e sua infância foi marcada por atos
de delinqüência. A salvação chegou na forma
de um ex-professor da escola, que enxergou em Dylan um talento musical.
Boy in da Corner, sua estréia em disco, é um
apanhado de histórias da periferia. Muitas foram vividas
pelo próprio Dizzee que até hoje enfrenta ameaças
de morte de inimigos do passado. "Se eu tivesse coragem de terminar
com tudo / Pode acreditar que eu faria isso", declara ele em Do
It, o sucesso do CD. O disco também funciona em festas.
Fix Up, Look Sharp, por exemplo, levanta qualquer platéia.
Divulgação
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| Keane:
um atípico power
trio |
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Hopes
and Fears, Keane (Universal) O termo power trio terá
de ser redefinido após o surgimento do Keane. A princípio,
um power trio é um grupo que tem apenas baterista, baixista
e guitarrista em sua formação. Pois o Keane se resume
a um cantor (Tom Chaplin), um baterista (Richard Hughes) e um pianista
(Tim Oxley-Rice). Amigos desde a infância, eles iniciaram
a carreira tocando covers de Oasis e U2. O Keane costuma ser comparado
com o Coldplay por causa do piano e dos vocais de Chaplin, que lembram
vagamente os de Chris Martin. Mas as comparações param
por aqui. Hopes and Fears é um disco de ótimas
melodias, que funcionam em qualquer situação. O dedilhado
frenético de Oxley-Rice em Somewhere Only We Know
faz qualquer um esquecer a importância da guitarra no rock.
Divulgação
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| Ira!:
o acústico revigorado |
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Acústico MTV, Ira! (Sony Music) O grupo paulistano
conseguiu revigorar o formato acústico, que dava sinais de
esgotamento. Primeiro, o Ira! investiu em canções
inéditas em vez de apenas readaptar seu repertório
para o modelo "desplugado". O CD traz cinco músicas novas,
que seriam aproveitadas num disco de estúdio do grupo. Segundo,
o vocalista Nasi superou a interpretação claudicante
dos primeiros anos de grupo e se transformou num cantor bastante
razoável. Por fim, se o guitarrista Edgard Scandurra já
não mostra o vigor do início da carreira, o Ira! resolveu
o problema com a adição de Tiago, ex-titular do instrumento
no Charlie Brown Jr. São dele, por exemplo, os acordes caprichados
de Núcleo Base. Ouça
o disco.
LIVROS
Robinson
Crusoe, de Daniel Defoe (tradução de Celso
M. Paciornik; Iluminuras; 256 páginas; 35 reais)
A obra-prima do inglês Daniel Defoe (1660-1731) aparece em
uma nova e criteriosa tradução. Como em todo clássico,
o neófito tem a ilusão de que já conhece a
história antes mesmo de ler o livro. É a narrativa
do inglês Robinson Crusoe, único sobrevivente de um
naufrágio, que vai parar em uma ilha desabitada (ou, pelo
menos, sem habitantes europeus) e constrói sozinho os meios
para sua sobrevivência. Mas, para além desse episódio
central, ainda há muito a descobrir nesse livro como,
por exemplo, a passagem do protagonista pelo Brasil colonial. Essa
nova edição é a oportunidade ideal para revisitar
Robinson Crusoe e sua ilha. Leia
trecho.
No
Bosque da Noite, de Djuna Barnes (tradução
de Caetano Waldrigues Galindo; Códex; 200 páginas;
30 reais) A americana Djuna Barnes (1892-1982) descrevia
a si mesma como "a mais famosa das escritoras desconhecidas". De
fato, sua literatura, ainda que conte com admiradores do porte de
Graham Greene e James Joyce, tem sido cultuada por poucos fiéis.
Sua obra-prima, No Bosque da Noite, de 1936, está
sendo publicada pela primeira vez no Brasil. O romance narra o angustiado
caso de amor homossexual entre Nora Flood, a protagonista, e a jovem
Robin Vote. O grande encanto do livro é a prosa modernista
de Djuna no prefácio do livro, o poeta T.S. Eliot
adverte que esse é um romance para os leitores de poesia.
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