Edição 1857 . 9 de junho de 2004

Índice
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

VEJA Recomenda

DVDs

Brubaker (Estados Unidos, 1980. Fox) – Levado para uma prisão rural no sul dos Estados Unidos, nos anos 70, Henry Brubaker (Robert Redford) cai num dos círculos do inferno: sujeira, gente amontoada, comida fétida, guardas corruptos, violência abusiva e trabalho escravo são as normas locais. Brubaker, porém, não é um condenado como os outros – é o novo diretor da prisão, que, incógnito, vai conhecer em primeira mão as vicissitudes do sistema. O personagem, verídico, foi um dos vários protagonistas do movimento pela reforma prisional, e ficou mais famoso pela obstinação com que sofreu suas derrotas do que pelas suas vitórias. Cabeça-dura e escrupuloso ao extremo, Brubaker afrontou o governador que o contratara, a preconceituosa sociedade sulista e os diversos sanguessugas do sistema carcerário. Só agradou aos presos, e nem é preciso dizer que não durou no cargo. Dirigido por Stuart Rosenberg, que em 1967 fizera Rebeldia Indomável, passado num ambiente semelhante, Brubaker é um bom exemplar do cinema politizado e envolvente da época.

20th Century Fox
Redford em Brubaker: cinema envolvente dos anos 70


Ed Wood
(Estados Unidos, 1994. Buena Vista) – Fracasso dos mais imerecidos quando foi lançado nos cinemas, há dez anos – talvez por ser em preto-e-branco, talvez por tratar de uma figura conhecida apenas de um reduzido grupo de cinéfilos –, essa pequena obra-prima do diretor Tim Burton conta a história de Ed Wood, aquele que é tido como o pior cineasta de todos os tempos (uma injustiça, já que concorrência a ele é o que não falta). Onde todos só viam o ridículo, porém, Burton descobriu uma figura poética, que sempre amou apaixonadamente o que fazia e nunca chegou a perceber quanto sua obra era ruim. O filme é também um dueto de interpretações soberbas – a de Johnny Depp, como Ed Wood, e a de Martin Landau, como Bela Lugosi, o mais famoso dos Dráculas do cinema, que Wood conheceu já na miséria e completa dependência de drogas e a quem ajudou com papéis em suas produções paupérrimas.

 

DISCOS

Boy in da Corner, Dizzee Rascal (Sum) – O rapper de 20 anos de idade tem sido saudado como a resposta da Inglaterra ao fenômeno Eminem. Dylan Mills (seu nome verdadeiro) nasceu na periferia de Londres e sua infância foi marcada por atos de delinqüência. A salvação chegou na forma de um ex-professor da escola, que enxergou em Dylan um talento musical. Boy in da Corner, sua estréia em disco, é um apanhado de histórias da periferia. Muitas foram vividas pelo próprio Dizzee – que até hoje enfrenta ameaças de morte de inimigos do passado. "Se eu tivesse coragem de terminar com tudo / Pode acreditar que eu faria isso", declara ele em Do It, o sucesso do CD. O disco também funciona em festas. Fix Up, Look Sharp, por exemplo, levanta qualquer platéia.

 
Divulgação
Keane: um atípico power trio  

Hopes and Fears, Keane (Universal) – O termo power trio terá de ser redefinido após o surgimento do Keane. A princípio, um power trio é um grupo que tem apenas baterista, baixista e guitarrista em sua formação. Pois o Keane se resume a um cantor (Tom Chaplin), um baterista (Richard Hughes) e um pianista (Tim Oxley-Rice). Amigos desde a infância, eles iniciaram a carreira tocando covers de Oasis e U2. O Keane costuma ser comparado com o Coldplay por causa do piano e dos vocais de Chaplin, que lembram vagamente os de Chris Martin. Mas as comparações param por aqui. Hopes and Fears é um disco de ótimas melodias, que funcionam em qualquer situação. O dedilhado frenético de Oxley-Rice em Somewhere Only We Know faz qualquer um esquecer a importância da guitarra no rock.

 
Divulgação
Ira!: o acústico revigorado  

Acústico MTV, Ira! (Sony Music) – O grupo paulistano conseguiu revigorar o formato acústico, que dava sinais de esgotamento. Primeiro, o Ira! investiu em canções inéditas em vez de apenas readaptar seu repertório para o modelo "desplugado". O CD traz cinco músicas novas, que seriam aproveitadas num disco de estúdio do grupo. Segundo, o vocalista Nasi superou a interpretação claudicante dos primeiros anos de grupo e se transformou num cantor bastante razoável. Por fim, se o guitarrista Edgard Scandurra já não mostra o vigor do início da carreira, o Ira! resolveu o problema com a adição de Tiago, ex-titular do instrumento no Charlie Brown Jr. São dele, por exemplo, os acordes caprichados de Núcleo Base. Ouça o disco.

 

LIVROS

Robinson Crusoe, de Daniel Defoe (tradução de Celso M. Paciornik; Iluminuras; 256 páginas; 35 reais) A obra-prima do inglês Daniel Defoe (1660-1731) aparece em uma nova e criteriosa tradução. Como em todo clássico, o neófito tem a ilusão de que já conhece a história antes mesmo de ler o livro. É a narrativa do inglês Robinson Crusoe, único sobrevivente de um naufrágio, que vai parar em uma ilha desabitada (ou, pelo menos, sem habitantes europeus) e constrói sozinho os meios para sua sobrevivência. Mas, para além desse episódio central, ainda há muito a descobrir nesse livro – como, por exemplo, a passagem do protagonista pelo Brasil colonial. Essa nova edição é a oportunidade ideal para revisitar Robinson Crusoe e sua ilha. Leia trecho.

No Bosque da Noite, de Djuna Barnes (tradução de Caetano Waldrigues Galindo; Códex; 200 páginas; 30 reais) – A americana Djuna Barnes (1892-1982) descrevia a si mesma como "a mais famosa das escritoras desconhecidas". De fato, sua literatura, ainda que conte com admiradores do porte de Graham Greene e James Joyce, tem sido cultuada por poucos fiéis. Sua obra-prima, No Bosque da Noite, de 1936, está sendo publicada pela primeira vez no Brasil. O romance narra o angustiado caso de amor homossexual entre Nora Flood, a protagonista, e a jovem Robin Vote. O grande encanto do livro é a prosa modernista de Djuna – no prefácio do livro, o poeta T.S. Eliot adverte que esse é um romance para os leitores de poesia.

 

 

São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Siciliano, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Livraria Porto Alegre, Cultura; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Saraiva; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Belo Horizonte: Siciliano; Maceió: Sodiler; Belém: Laselva.
 
 
 
topo voltar