|
|
Especial
|
Os
que colaboraram...
O
secretário executivo da Fazenda, Bernard Appy,
o de Política Econômica, Marcos Lisboa,
e o deputado federal Paulo Bernardo (PT-PR) estão
entre os mais fiéis escudeiros de Antonio Palocci.
Os dois primeiros trabalham a seu lado. O último
é a voz do ministro no Congresso
Roberto Stuckert/Ag. O Globo
 |
Rafael Neddermeyer/AE
 |
Ana Araújo
 |
BERNARD
APPY
O braço armado |
PAULO
BERNARDO
O homem na Câmara |
MARCOS
LISBOA
O formulador |
...e
os que nem sempre ajudam
Em
público, eles fazem juras de amor ao ministro
preferido de Lula. Nos bastidores, muitas vezes disparam
flechas envenenadas. Em palcos diferentes, o ministro
José Dirceu, o senador Aloizio Mercadante e o
ministro Jaques Wagner criticaram Palocci por diversos
motivos
Sérgio Dutti/AE
 |
Sebastião Moreira/AE
 |
Joedson Alves/AE
 |
DIRCEU
SOBRE PALOCCI
"É conservador dentro do
conservadorismo" |
MERCADANTE
O
senador queria a subida do dólar |
JAQUES
WAGNER
Alfinetadas no Conselhão
|
|
|
| As
batalhas de Palocci |
|
Palocci
ganhou as disputas mais vitais
no núcleo do governo e perdeu algumas escaramuças
secundárias
Vitórias
REAJUSTE
DO MÍNIMO
Convenceu Lula de que não havia como aumentar
o salário além dos 260 reais e ainda ajudou
a aprovar o novo valor na Câmara dos Deputados
META
DE INFLAÇÃO
Em 2003, Palocci conseguiu evitar uma explosão
na inflação e neste ano está novamente
tendo sucesso. A taxa projetada é de 6,3% anuais,
abaixo da meta de 7,5%
VARIG
E TAM
Contrário
à operação conjunta das duas empresas,
Palocci festejou a recomendação da área
técnica do Ministério da Fazenda de colocar
fim ao acordo
AGÊNCIAS
REGULADORAS
O
ministro José Dirceu queria acabar com a
independência
das agências reguladoras. Palocci,
que queria mantê-las independentes, acabou prevalecendo
AUMENTO
DO SUPERÁVIT
O
ministro Palocci patrocinou o aumento do superávit
de 3,75% para 4,25% do PIB. Conseguiu
cumprir a meta e fez do superávit o pilar
da política de redução da dívida
CRESCIMENTO
ECONÔMICO
O
desempenho da economia no primeiro trimestre deste ano,
que cresceu 2,7%, surpreendeu os analistas
e ajudou a conter as críticas petistas
à
política econômica
Derrotas
IMPOSTO
DE RENDA
Na
semana passada, o ministro foi obrigado a aumentar o
limite de isenção do imposto de renda.
Palocci teve de ceder por ordem do presidente Lula
INDEPENDÊNCIA
DO BC
Defensor
de mandatos para os diretores do Banco Central, Palocci
teve de arquivar a idéia depois que Lula a classificou
de "inquietação de tese acadêmica"
DEMISSÃO
DO PRESIDENTE DA ANATEL
Palocci
empenhou-se em manter no cargo o ex-presidente
da Anatel Luiz Guilherme Schymura, para evitar ruídos
no mercado. Não conseguiu
ALCA
O
Ministério da Fazenda sempre defendeu que o Brasil
evitasse qualquer política de confronto com os
EUA. Sua insistência até agora foi em vão
|
|
|
Gráficos
e paciência para convencer Lula
Antonio
Palocci é hoje nos campos pessoal e profissional
o ministro preferido de Lula. É com ele
que o presidente caminha pelos jardins do Alvorada quando
está em Brasília e é com ele que,
nessas ocasiões, toma café-da-manhã,
enquanto passa manteiga em pedaços de pão
que dá à cadela "Michele". Profissionalmente,
amigos vêem na origem do prestígio de Palocci
um comportamento que teria na postura do cada vez mais
desgastado ministro Olívio Dutra a sua antítese.
No mês passado, o presidente chamou o titular
de Cidades para anunciar a liberação de
1,3 bilhão de reais para programas de habitação
relacionados a sua pasta. Ouviu dele tantas reclamações
e objeções que explodiu: "Se não
quer o dinheiro, me dá de volta". Ao contrário
de Dutra, Palocci evita despejar na mesa do chefe problemas
sem solução e surpresas desagradáveis.
Para comunicar-lhe há três meses uma das
notícias de pior impacto econômico
o anúncio do PIB negativo do ano passado ,
por exemplo, preparou-se com antecedência. Ainda
em outubro, muniu-se de gráficos e estudos indicando
que países que fazem ajustes tendem a, num primeiro
momento, perder PIB. A cada oportunidade, lembrava ao
presidente os exemplos de Coréia do Sul, Malásia
e México, que, no processo de ajuste interno,
tiveram quedas de mais de 5% no índice. Em fevereiro,
quando ficou claro que a taxa brasileira não
passaria de 0,2% negativos, a notícia desagradou
ao presidente, mas não foi uma surpresa. Quando
precisa convencer o presidente de alguma coisa, Palocci
o faz aos poucos pacientemente e em doses homeopáticas.
"Ele sabe que Lula não gosta de tomar decisões
apressadas. Pressioná-lo para resolver um assunto
é desgaste certo", diz um assessor presidencial.
Recorre à mesma tática quando tem de persuadi-lo
da necessidade de manter uma diretriz. Sua vitória
mais árdua nesse sentido, relatam amigos, deu-se
no ano passado, quando conseguiu fazer com que o governo
resistisse à pressão de exportadores
e do senador Aloizio Mercadante para elevar o
dólar.
Palocci
tem habilidade natural para contornar situações
delicadas, algumas vezes provocadas pelo próprio
presidente. Um episódio ocorrido no mês
passado pode ilustrar essa característica. Pouco
antes de embarcar para a China, Lula concedeu uma entrevista
em que dizia estudar a hipótese de criar metas
de crescimento. Ao ler a declaração, o
ministro arrepiou-se: às vésperas da mais
importante viagem internacional do presidente, ela poderia
soar, aos ouvidos dos investidores, como um sinal de
que o governo estaria disposto a "afrouxar" a meta de
inflação com o objetivo de acelerar o
crescimento. Matreiramente, Palocci arrumou um jeito
de, em pleno domingo, "dar uma passada" no ministério,
onde "casualmente" conversou com jornalistas sobre o
tema. O governo pensava, sim, em criar uma "agenda de
crescimento", mas, obviamente, para caminhar "junto"
da meta de inflação e não em oposição
a ela. Não contradisse frontalmente o chefe e
conseguiu fazer com que o assunto voltasse aos jornais
no dia seguinte devidamente "corrigido".
Thaís
Oyama
|
|
|
O
novo aliado
Dida Sampaio/AE
 |
PASSANDO
NO TESTE
O ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo:
salvo por Palocci e pelo salário mínimo |
Enfraquecido por derrotas recentes do governo no Congresso,
o ministro Aldo Rebelo sobreviveu a uma batalha de vida
ou morte na semana passada. Dois fatores foram fundamentais
para esse desfecho: a aprovação do salário
mínimo de 260 reais na Câmara e o apoio
do ministro Palocci, seu mais novo aliado nas disputas
internas do governo nas quais Aldo mergulhou
desde que foi alçado ao Ministério da
Coordenação Política. Deputado
em quarto mandato pelo PC do B, ele era líder
do governo na Câmara até janeiro. Ao assumir
o novo cargo, herdou a função que era
de José Dirceu. Descontente com a perda de poder,
o chefe da Casa Civil passou a bombardeá-lo.
A
relação azedou ainda mais a partir do
momento em que Aldo começou a comandar a liberação
de emendas e chegou a um ponto perto do insuportável
quando Lula repassou a ele a responsabilidade pela nomeação
de cargos, também antes sob controle da Casa
Civil. Duas semanas após a decisão, Dirceu
ainda não entregou a seu sucessor a "caixa-preta"
dos cargos. Revelou apenas o nome dos titulares, sem
identificar seus padrinhos. Aldo é cobrado por
aliados pela demora no preenchimento de cargos. Por
enquanto, não tem como responder nem como atender
às demandas.
Não
bastasse a refrega com Dirceu, Aldo comprou a inimizade
de João Paulo Cunha, presidente da Câmara,
ao trabalhar contra a emenda que permitia sua reeleição.
Ele preferiu aliar-se a Renan Calheiros, líder
do PMDB no Senado, seu conterrâneo de Alagoas,
que pleiteia suceder a José Sarney na presidência
do Senado. Para manter-se em pé, escorou-se no
PMDB de Renan e em Palocci. Aldo foi um dos primeiros
defensores do ministro da Fazenda no Congresso. Em março
do ano passado, discursou a favor de Palocci, que era
criticado pelo aumento dos juros. A iniciativa desagradou
a seu partido: com dois ministérios e nove deputados,
o PC do B se caracteriza por usufruir as benesses do
governo, ao mesmo tempo que vota contra tudo o que vem
do Planalto. No embate do mínimo, por exemplo,
o partido ameaçava votar com o PFL por um valor
de 275 reais. Posicionou-se contrariamente ao relatório
pefelista atendendo a apelos de Aldo. Dias antes, o
partido já havia utilizado seu programa de TV
para pedir mudanças na condução
da economia.
O
comportamento de Aldo rendeu-lhe pontos com o ministro
da Fazenda, que o tem ajudado na aprovação
de projetos espinhosos, como o do salário mínimo,
e o tem defendido internamente, em conversas com Lula.
Com aliados como os comunistas e inimigos como José
Dirceu e a cúpula do PT, Aldo precisa matar um
leão por dia para sobreviver. Agora, Palocci
pode dar uma forcinha.
|
|
|