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Diogo
Mainardi
Sem
lenço nem
documento
"Com
menos direitos para os trabalhadores,
menos
impostos, menos investimentos públicos
e menos programas sociais, o Brasil
finalmente
chegaria ao século XVIII. Uns
trinta anos de
capitalismo selvagem poderiam bastar para nós"
Que
tal abolir o salário mínimo? O Brasil funcionaria
melhor sem ele. Que tal abolir também a carteira profissional,
as férias remuneradas, o imposto sindical, o décimo
terceiro, a Justiça do Trabalho, a aposentadoria pública?
Quem criou tudo isso foi a ditadura getulista. O autoritarismo do
Estado Novo foi eliminado da política, mas sobrevive até
hoje na economia.
O
emprego com carteira assinada é o maior entrave para o crescimento
do país. Custa caro demais para o empregador e confisca boa
parte do salário do trabalhador. O modelo a seguir é
outro: o do emprego informal. A informalidade é o que há
de mais salutar na economia brasileira. Deve ser incentivada. Deve
ser estendida a todos os setores produtivos. A informalidade no
mercado de trabalho barateia a mão-de-obra, aumentando a
oferta de emprego e melhorando a competitividade das empresas. Empresas
mais competitivas seguram a inflação e sustentam a
balança de pagamentos. Quer melhor do que isso?
Claro
que nenhum trabalhador aceitaria abrir mão de seus direitos
sem ganhar algo em troca. O poder público precisaria oferecer-lhe
uma contrapartida. A única contrapartida cabível seria
aumentar sua renda. Isso só poderia ser feito tirando dos
ricos e dando aos pobres. Realmente rico, no Brasil, é o
Estado. Então é dele que deveríamos tirar.
O Estado teria de cortar os impostos. Quanto mais cortasse, mais
dinheiro sobraria no bolso do trabalhador, que poderia escolher
livremente em que gastar. Se quisesse férias, pouparia. Se
quisesse uma pensão, faria um plano previdenciário
particular.
A
classe política alega que não dá para cortar
os impostos porque isso prejudicaria sua capacidade de investimento.
Qual o problema? De uma coisa todos os brasileiros sabem: os políticos
investem mal. Destinam muito mais recursos à manutenção
de seu próprio poder do que aos investimentos úteis.
Com menos impostos a pagar e com menos gastos em mão-de-obra,
a iniciativa privada poderia substituir o Estado nas obras de infra-estrutura.
Quando uma empresa precisasse de um porto, construiria um porto.
Quando precisasse de uma estrada, construiria uma estrada. O interesse
das empresas nem sempre coincide com as necessidades da população.
Uma coisa é certa, porém: pior do que está
agora, não ficaria.
Os
políticos reclamam também que a redução
dos impostos acarretaria a anulação dos programas
sociais. O país não perderia muito. O poder público
oferece má educação, má saúde,
má habitação, má segurança. O
Brasil nunca terá dinheiro para montar uma rede de proteção
social. Os políticos insistem em afirmar o contrário
apenas porque usam as despesas assistenciais para a barganha eleitoral.
Eles se elegem distribuindo cesta básica, restaurante popular,
salário-família, carro-pipa, vale-transporte. A democracia
brasileira se baseia na compra de votos. Como não temos tradição
democrática, vendemos nosso voto por uma ninharia.
Com
menos direitos para os trabalhadores, menos impostos, menos investimentos
públicos e menos programas sociais, o Brasil finalmente conseguiria
chegar ao século XVIII. Uns trinta anos de capitalismo selvagem
poderiam bastar. Uns trinta anos de Adam Smith.
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