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Edição 2007

9 de maio de 2007
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CINEMA

Um Crime de Mestre (Fracture, Estados Unidos, 2007. Estréia nesta sexta-feira no país) -- Marido mata a mulher adúltera, assina uma confissão, dispensa auxílio legal, vai a julgamento com um jovem ás da promotoria na acusação -- e se livra, todo pimpão, da cadeia, uma vez que cada um de seus passos foi calculado para invalidar o processo. Não à toa, o promotor do caso sai espumando de raiva, desmoralizado e determinado a dar ao criminoso o que é de justiça. A presença de Anthony Hopkins como o assassino e o embate de inteligência que ele trava com seu adversário mais jovem e menos cultivado (o ótimo Ryan Gosling) deixam claro: Um Crime de Mestre é um decalque de O Silêncio dos Inocentes. Mas um decalque divertido, que poderia ser ainda melhor se Hopkins arregaçasse as mangas para trabalhar e parasse de fazer cara de peixe morto. Veja Cinema, entrevistas com atores e diretor. Clique na velocidade para assistir:
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LIVROS

A Pista de Gelo, de Roberto Bolaño (tradução de Eduardo Brandão; Companhia das Letras; 200 páginas; 37 reais) -- Morto em 2003, com apenas 50 anos, o chileno Roberto Bolaño construiu uma das obras mais originais da literatura contemporânea. No Brasil, já foram lançadas duas obras suas: Noturno do Chile, uma revisão cáustica da ditadura de Pinochet, e Os Detetives Selvagens, sobre um estranho grupo de poetas de vanguarda. A Pista de Gelo, primeiro romance do autor, se passa no balneário de Z, na Espanha. Dois de seus personagens centrais são, como o próprio Bolaño foi, exilados que vivem de biscates e empregos medíocres. Eles se vêem envolvidos com uma misteriosa patinadora -- e com um assassinato. Sim, é um romance policial. Mas nada em Bolaño é convencional: no início, não se sabe nem mesmo quem é a vítima do crime. Leia trecho.

Walter Craveiro/Divulgação
Veronica Stigger: placidez enganosa  

Gran Cabaret Demenzial, de Veronica Stigger (Cosac Naify; 144 páginas; 29,50 reais) -- Os contos desse livro às vezes começam em um tranqüilo registro realista: Domitila e seu namorado passeiam de carro numa tarde de domingo, a turista suíça visita Roma, um casal tem dificuldades para encontrar um apartamento. Mas logo essa enganosa placidez dá lugar ao mais violento humor negro: Domitila sofre repetidas mutilações, a turista é engolida pela escada rolante, o casal vai habitar dentro do intestino de um amigo. Tal como já fizera em seu primeiro livro, O Trágico e Outras Comédias, Veronica Stigger constrói situações do mais escabelado nonsense, mas com uma discreta piscadela para a realidade (e até para o mundo da política, como se vê no divertido Marta e o Minhocão). Leia trecho.



DVDs

A Menina e o Porquinho (Charlotte's Web, Estados Unidos, 2006. Paramount) -- Nascido pequeno e fraquinho, o leitão Wilbur escapa do facão por obra de uma garota teimosa (Dakota Fanning). Mas, como não tarda a descobrir, só um milagre o salvará de virar bacon no inverno. Wilbur, porém, tem talento para fazer amigos, e seus colegas de estábulo se unem para ajudá-lo. Central para o plano é a aranha Charlotte, que promete não descansar até tecer em sua teia uma palavra capaz de alertar os seres humanos para as qualidades únicas de Wilbur. Adaptado do clássico infantil de E.B. White, esse filme gracioso, escrito com imenso capricho, é um programa tanto para crianças quanto para marmanjos. E, mais uma vez, fica a súplica para que se dê uma chance à versão original, com suas vozes excelentes.

Murderball -- Paixão e Glória (Murderball, Estados Unidos, 2005. Europa) -- O tema desse documentário é dos mais difíceis: a rotina da seleção americana de rúgbi para tetraplégicos -- a qual, como seus integrantes esclarecem, não quer abraços nem parabéns, mas vitórias e medalhas, pelas quais briga com uma violência e uma competitividade tão assustadoras quanto arrebatadoras. Os diretores Henry Alex Rubin e Dana Adam Shapiro fazem questão de honrar a filosofia de seus personagens, despindo o filme de indulgência. Entre cenas na quadra e do dia-a-dia dos atletas, trata-se com franqueza absoluta dos acidentes ou enfermidades que os colocaram em cadeiras de rodas, de sua vida amorosa e sexual e, principalmente, de desafios superados e de outros para os quais não há remédio.



DISCOS

Chris Owens/Divulgação
Klaxons: os ingleses ainda na ofensiva

Myths of the Near Future, Klaxons (Universal) -- Nos anos 60, os Beatles e os Rolling Stones foram ícones da chamada "invasão britânica" -- a dominação das paradas de sucessos dos Estados Unidos por astros da Inglaterra. Desde então, não há nenhum roqueiro da ilha que não ganhe um título pomposo. É o caso do Klaxons. O trio se autodefiniu como "new rave" porque emularia o estilo das bandas do início da década de 90, que tinham por costume misturar rock a elementos eletrônicos. Na verdade, o rótulo nasceu de brincadeira. Foi criado devido à insistência de um repórter, que pediu ao grupo que definisse seu estilo. Firulas à parte, Myths é uma aula de cultura pop. Há canções inspiradas na fase eletrônica de David Bowie (Isle of Her) e baladas de boa cepa, como Gravity's Rainbow.

Outra Praia, Swami Jr. (Independente) -- Em trinta anos de carreira, esse violonista e compositor paulistano acompanhou (e em muitos casos melhorou) o trabalho de astros como Chico César, Vanessa da Mata e da lenda viva da música cubana Omara Portuondo. Outra Praia, seu primeiro disco-solo, mostra que o lugar certo para ele é a frente do palco. Swami possui uma voz pequena, porém afinada. As canções mais, digamos, "complicadas" contam com a ajuda de intérpretes como Luciana Alves, Zélia Duncan e a própria Vanessa, em Livrai-me. Como compositor, Swami sabiamente evita a síndrome de modernidade que infesta o cenário atual da MPB. Outra Praia é um álbum sem ruídos eletrônicos nem misturas bizarras, e sim repleto de canções equilibradas, que vão da "morna", gênero musical de Cabo Verde (Desamparinho), à bossa nova (Dois).

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Fnac, Laselva, Livraria da Vila, Nobel, Saraiva; Campinas: Fnac; Rio: Argumento, Fnac, Laselva, Saraiva, Travessa; Porto Alegre: Cultura, Livrarias Porto, Saraiva; Brasília: Cultura, Fnac, Laselva, Saraiva; Recife: Cultura, Laselva, Saraiva; Natal: Laselva; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Fnac, Livrarias Curitiba, Saraiva; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Laselva; Vitória: Leitura; Campo Grande: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Submarino.
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