Um Crime de Mestre (Fracture,
Estados Unidos, 2007. Estréia nesta sexta-feira no país) -- Marido
mata a mulher adúltera, assina uma confissão, dispensa auxílio
legal, vai a julgamento com um jovem ás da promotoria na acusação
-- e se livra, todo pimpão, da cadeia, uma vez que cada um de seus passos
foi calculado para invalidar o processo. Não à toa, o promotor do
caso sai espumando de raiva, desmoralizado e determinado a dar ao criminoso o
que é de justiça. A presença de Anthony Hopkins como o assassino
e o embate de inteligência que ele trava com seu adversário mais
jovem e menos cultivado (o ótimo Ryan Gosling) deixam claro: Um Crime
de Mestre é um decalque de O Silêncio dos Inocentes. Mas
um decalque divertido, que poderia ser ainda melhor se Hopkins arregaçasse
as mangas para trabalhar e parasse de fazer cara de peixe morto. Veja Cinema,
entrevistas com atores e diretor. Clique na velocidade para assistir: Baixa
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LIVROS
A
Pista de Gelo, de Roberto Bolaño (tradução de Eduardo
Brandão; Companhia das Letras; 200 páginas; 37 reais) -- Morto em
2003, com apenas 50 anos, o chileno Roberto Bolaño construiu uma das obras
mais originais da literatura contemporânea. No Brasil, já foram lançadas
duas obras suas: Noturno do Chile, uma revisão cáustica da
ditadura de Pinochet, e Os Detetives Selvagens, sobre um estranho grupo
de poetas de vanguarda. A Pista de Gelo, primeiro romance do autor, se
passa no balneário de Z, na Espanha. Dois de seus personagens centrais
são, como o próprio Bolaño foi, exilados que vivem de biscates
e empregos medíocres. Eles se vêem envolvidos com uma misteriosa
patinadora -- e com um assassinato. Sim, é um romance policial. Mas nada
em Bolaño é convencional: no início, não se sabe nem
mesmo quem é a vítima do crime. Leia
trecho.
Walter Craveiro/Divulgação
Veronica Stigger: placidez enganosa
Gran Cabaret Demenzial,
de Veronica Stigger (Cosac Naify; 144 páginas; 29,50 reais) -- Os contos
desse livro às vezes começam em um tranqüilo registro realista:
Domitila e seu namorado passeiam de carro numa tarde de domingo, a turista suíça
visita Roma, um casal tem dificuldades para encontrar um apartamento. Mas logo
essa enganosa placidez dá lugar ao mais violento humor negro: Domitila
sofre repetidas mutilações, a turista é engolida pela escada
rolante, o casal vai habitar dentro do intestino de um amigo. Tal como já
fizera em seu primeiro livro, O Trágico e Outras Comédias,
Veronica Stigger constrói situações do mais escabelado nonsense,
mas com uma discreta piscadela para a realidade (e até para o mundo da
política, como se vê no divertido Marta e o Minhocão).
Leia
trecho.
DVDs
A Menina e o Porquinho (Charlotte's
Web, Estados Unidos, 2006. Paramount) -- Nascido pequeno e fraquinho, o leitão
Wilbur escapa do facão por obra de uma garota teimosa (Dakota Fanning).
Mas, como não tarda a descobrir, só um milagre o salvará
de virar bacon no inverno. Wilbur, porém, tem talento para fazer amigos,
e seus colegas de estábulo se unem para ajudá-lo. Central para o
plano é a aranha Charlotte, que promete não descansar até
tecer em sua teia uma palavra capaz de alertar os seres humanos para as qualidades
únicas de Wilbur. Adaptado do clássico infantil de E.B. White, esse
filme gracioso, escrito com imenso capricho, é um programa tanto para crianças
quanto para marmanjos. E, mais uma vez, fica a súplica para que se dê
uma chance à versão original, com suas vozes excelentes.
Murderball
-- Paixão e Glória (Murderball, Estados Unidos, 2005. Europa)
-- O tema desse documentário é dos mais difíceis: a rotina
da seleção americana de rúgbi para tetraplégicos --
a qual, como seus integrantes esclarecem, não quer abraços nem parabéns,
mas vitórias e medalhas, pelas quais briga com uma violência e uma
competitividade tão assustadoras quanto arrebatadoras. Os diretores Henry
Alex Rubin e Dana Adam Shapiro fazem questão de honrar a filosofia de seus
personagens, despindo o filme de indulgência. Entre cenas na quadra e do
dia-a-dia dos atletas, trata-se com franqueza absoluta dos acidentes ou enfermidades
que os colocaram em cadeiras de rodas, de sua vida amorosa e sexual e, principalmente,
de desafios superados e de outros para os quais não há remédio.
DISCOS
Chris Owens/Divulgação
Klaxons: os ingleses ainda na ofensiva
Myths of the Near
Future, Klaxons (Universal) -- Nos anos 60, os Beatles e os Rolling Stones
foram ícones da chamada "invasão britânica" -- a dominação
das paradas de sucessos dos Estados Unidos por astros da Inglaterra. Desde então,
não há nenhum roqueiro da ilha que não ganhe um título
pomposo. É o caso do Klaxons. O trio se autodefiniu como "new rave" porque
emularia o estilo das bandas do início da década de 90, que tinham
por costume misturar rock a elementos eletrônicos. Na verdade, o rótulo
nasceu de brincadeira. Foi criado devido à insistência de um repórter,
que pediu ao grupo que definisse seu estilo. Firulas à parte, Myths
é uma aula de cultura pop. Há canções inspiradas na
fase eletrônica de David Bowie (Isle of Her) e baladas de boa cepa,
como Gravity's Rainbow.
Outra
Praia, Swami Jr. (Independente) -- Em trinta anos de carreira, esse violonista
e compositor paulistano acompanhou (e em muitos casos melhorou) o trabalho de
astros como Chico César, Vanessa da Mata e da lenda viva da música
cubana Omara Portuondo. Outra Praia, seu primeiro disco-solo, mostra que
o lugar certo para ele é a frente do palco. Swami possui uma voz pequena,
porém afinada. As canções mais, digamos, "complicadas" contam
com a ajuda de intérpretes como Luciana Alves, Zélia Duncan e a
própria Vanessa, em Livrai-me. Como compositor, Swami sabiamente
evita a síndrome de modernidade que infesta o cenário atual da MPB.
Outra Praia é um álbum sem ruídos eletrônicos
nem misturas bizarras, e sim repleto de canções equilibradas, que
vão da "morna", gênero musical de Cabo Verde (Desamparinho),
à bossa nova (Dois).