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Edição 2007

9 de maio de 2007
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Hipocondríaco, eu?

O hipocondríaco é aquele sujeito capaz de confundir
dor de cabeça com tumor cerebral e apavorar-se com
uma tosse que não passa: nesse caso, a maioria pensa
se tratar de tuberculose ou de um câncer de pulmão,
de acordo com os especialistas ouvidos por VEJA.


Monica Weinberg


Em apenas 5% dos casos o temor dos pacientes de sofrer de uma doença grave é confirmado nos consultórios médicos. "Aparece gente reclamando de dor no peito só porque soube de um amigo próximo que sofreu infarto", relata o cardiologista Elias Knobel, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Uma parte dos desesperados pacientes de Knobel certamente sofre de hipocondria, um distúrbio psiquiátrico que se manifesta em vários graus e tem uma característica-chave: o paciente nunca se convence diante de um diagnóstico positivo. Restam ainda os pacientes descritos como "alarmistas" – eles não sofrem exatamente de uma síndrome, mas, como os outros, cultivam o hábito de piorar o cenário. A pedido de VEJA, os especialistas fizeram uma lista com seis dos sintomas físicos que os aflitos mais costumam confundir com doenças gravíssimas – o que, felizmente, na maioria das vezes não corresponde à realidade.



SINTOMA:
DOR NO PEITO

O QUE MAIS TEMEM OS HIPOCONDRÍACOS: estar num processo de infarto
CAUSAS MAIS PROVÁVEIS PARA O SINTOMA, SEGUNDO OS ESPECIALISTAS: em cerca de 80% dos casos, a dor no peito não tem relação com problemas cardíacos, mas, sim, com um conjunto heterogêneo de fatores: de refluxo gástrico a ansiedade e dores musculares. A dor acompanhada de azia costuma ser sinal de refluxo. Já a sensação de pontadas em geral tem origem muscular
QUANDO SE PREOCUPAR: a dor típica de um infarto é a de um aperto no peito. Ela costuma partir da região do coração e migrar para os braços, a mandíbula e as costas. Uma dor dessa natureza, que persista por mais de cinco minutos, é motivo suficiente para procurar o pronto-socorro
SUGESTÃO DOS ESPECIALISTAS: como medida preventiva, sedentários, fumantes e hipertensos com mais de 45 anos devem estar sob acompanhamento médico regular



SINTOMA: SEDE CRÔNICA

O QUE MAIS TEMEM OS HIPOCONDRÍACOS: sofrer de diabetes tipo 2
CAUSAS MAIS PROVÁVEIS PARA O SINTOMA, SEGUNDO OS ESPECIALISTAS: a prática diária de exercícios físicos e a ingestão de alguns dos medicamentos mais prescritos nos consultórios médicos, como diuréticos e antidepressivos, são dois hábitos que estimulam a sede. Outra informação aos exagerados de plantão: essa é uma sensação comum em ambientes quentes e com baixa umidade no ar
QUANDO SE PREOCUPAR: o diabetes tipo 2 provoca, além de sede crônica, um conjunto típico de sintomas: aumento de apetite, perda de peso, fadiga e, sobretudo, uma permanente vontade de urinar. Se a sede vier associada a um deles, recomenda-se procurar o médico. Ele deve indicar um teste simples – de urina ou de sangue – para esclarecer a questão
SUGESTÃO DOS ESPECIALISTAS: aos atletas, beber até 3 litros de água por dia. Às outras pessoas, 2 litros diários é uma boa dose. Por via das dúvidas, o exame de diabetes tipo 2 deve ser feito, periodicamente, depois dos 50 anos e nos casos de obesidade



SINTOMA: PERDA OCASIONAL DE MEMÓRIA 

O QUE MAIS TEMEM OS HIPOCONDRÍACOS: ser vítima do mal de Alzheimer
CAUSAS MAIS PROVÁVEIS PARA O SINTOMA, SEGUNDO OS ESPECIALISTAS: ele tem origens variadas – de estresse e depressão a insônia e consumo regular de bebidas alcoólicas. Alguns remédios (ansiolíticos e antidepressivos) também podem levar a lapsos de memória. Um dado para os mais aflitos: em apenas 5% das vezes o Alzheimer aparece em pessoas com menos de 65 anos  
QUANDO SE PREOCUPAR: se a perda de memória começa a comprometer de forma decisiva o dia-a-dia do paciente. Nesse caso, pode, sim, tratar-se de Alzheimer ou, ainda, de outro distúrbio neurológico. Cabe ao médico investigar para dar a palavra final 
SUGESTÃO DOS ESPECIALISTAS: dormir pelo menos sete horas por dia – está provado que surte bom efeito à memória



SINTOMA:
DIFICULDADE DE RESPIRAR 

O QUE MAIS TEMEM OS HIPOCONDRÍACOS: sofrer de doença cardiovascular ou de origem pulmonar
CAUSA MAIS PROVÁVEL PARA O SINTOMA, SEGUNDO OS ESPECIALISTAS: falta de ar é um sinal clássico de ansiedade – nesse caso, é descrita na literatura médica como "dispnéia suspirosa" 
QUANDO SE PREOCUPAR: apenas quando a falta de ar piorar com um pequeno esforço físico, apresentar-se com outro sintoma, como a arritmia cardíaca – e intensificar-se depois de 24 horas 
SUGESTÃO DOS ESPECIALISTAS: nesse caso, procure um médico, que investigará o problema por meio de um raio X do tórax e de um eletrocardiograma



SINTOMA: DOR DE CABEÇA CRÔNICA

O QUE MAIS TEMEM OS HIPOCONDRÍACOS: ter um tumor na cabeça ou sofrer de meningite
CAUSAS MAIS PROVÁVEIS PARA O SINTOMA, SEGUNDO OS ESPECIALISTAS: se a queixa for apenas de uma dor de cabeça que não passa, jamais levantará no médico a suspeita sobre uma dessas doenças. As duas razões mais comuns para o sintoma são sinusite e enxaqueca
QUANDO SE PREOCUPAR: a hipótese de um tumor começa a ser levada a sério se, além da dor de cabeça, o paciente apresenta outros sintomas, como fraqueza muscular, perda de sensibilidade em regiões do corpo e distúrbios de visão, fala e audição. Suspeita-se de meningite, por sua vez, apenas quando há febre alta
SUGESTÃO DOS ESPECIALISTAS: procurar o médico caso a dor cresça de intensidade e persista mais de uma semana. Para tirar a questão a limpo, ele poderá prescrever uma tomografia do cérebro e uma ressonância magnética



SINTOMA: TOSSE CONSTANTE 

O QUE MAIS TEMEM OS HIPOCONDRÍACOS: ter câncer de pulmão ou padecer de tuberculose 
CAUSAS MAIS PROVÁVEIS PARA O SINTOMA, SEGUNDO OS ESPECIALISTAS: em geral, trata-se de resquício de uma gripe ou resfriado. Sinusite – aquela inflamação dos seios da face deflagrada pela gripe, e que dura semanas – é outra razão comum para o sintoma  
QUANDO SE PREOCUPAR: as doenças das quais se teme sofrer vêm sempre acrescidas de outros sintomas. Nos casos do câncer de pulmão, a tosse (seca e com sangue) é acompanhada de falta de ar. A tuberculose, por sua vez, provoca, além da tosse (com sangue), febre, suor excessivo e emagrecimento
SUGESTÃO DOS ESPECIALISTAS: uma tosse que persista mais de um mês pede a palavra de um especialista. Na maioria das vezes, trata-se de uma inflamação – e por essa razão é tratada com antibióticos



FONTES CONSULTADAS POR VEJA:  Antônio Carlos Carvalho (cardiologista da Universidade Federal de São Paulo); Elias Knobel (cardiologista do Hospital Israelita Albert Einstein); Paulo Olzon (clínico geral da Universidade Federal de São Paulo); Sergio Daniel Simon (coordenador do departamento de oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein)

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