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Edição 2007

9 de maio de 2007
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Dermatologistas já usam no Brasil tratamento
rejuvenescedor com células-tronco


Sandra Brasil

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Quadro: Laboratório anti-rugas

Devido a seu potencial espetacular, as células-tronco parecem prometer a cura miraculosa para todos os males. Em muitos casos, a promessa permanece no campo hipotético. Entre as áreas em que já há resultados práticos, desponta um tratamento inovador para o rejuvenescimento da pele. O procedimento começa com uma pequena cirurgia para a retirada da pele de uma região rica em bulbos capilares, em volta dos quais existem muitas células-tronco – aquelas que levam a chave biológica para se transformar em outros tipos de célula do corpo humano. Nesse caso, elas são utilizadas na multiplicação dos fibroblastos, as células que produzem colágeno e elastina, responsáveis pela sustentação da cútis. Com tecido e sangue colhidos do paciente, o laboratório prepara uma solução para ser injetada em rugas, cicatrizes ou marcas de acne (veja o quadro). Com a implantação de milhões de fibroblastos novos, incentiva-se um processo de regeneração que é o oposto dos tratamentos cosméticos superficiais: de dentro para fora. "A terapia celular é o futuro da humanidade", diz a dermatologista Paula Bellotti, pioneira do procedimento. "Virou coqueluche no consultório", informa a médica Karla Assed.

Como todo tratamento estético de vanguarda, o preço é astronômico: não sai por menos de 18.000 reais. As primeiras pesquisas sobre o uso de células-tronco para essa finalidade começaram nos anos 90 nos Estados Unidos, onde a terapia ainda é experimental por falta de aprovação da agência regulatória americana, a FDA. No Brasil, a técnica levou dois anos para ser desenvolvida pela dermatologista Neide Kalil Gaspar, da Universidade Federal Fluminense (UFF), em parceria com o biólogo Radovan Borojevic, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e responsável pelo laboratório Excellion, que obteve licença no fim de março para manipular células retiradas da pele humana. Segundo Neide, não é preciso regulamentar o uso clínico do método no país. "É como um enxerto de material retirado do próprio paciente", diz.

"Vivem me perguntando se fiz plástica para retirar as rugas do rosto", conta a psicóloga carioca Ledir Nanci, 50 anos, que foi paciente durante as pesquisas. O tratamento pode ser feito também como complemento de outros, como a cirurgia plástica. "Os novos fibroblastos rejuvenescem a pele esticada pela plástica", afirma Neide. Como se trata de um procedimento recente, sua duração ainda é apenas estimada. "Há notícias de estudos americanos de que a melhora da pele dura muitos anos, mas não podemos estimar o prazo de validade porque não temos uma série histórica", diz o biólogo Borojevic.

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