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Edição 2007

9 de maio de 2007
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Brasil
Medina pendura a toga

Ministro do STJ se afasta do cargo, mas fica
com casa, carro e o salário de 23 200 todo mês


Alexandre Oltramari

Jorge Campos/STJ
Paulo Medina, acusado de vender sentenças: furacão de suspeitas

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O ministro Paulo Medina, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), está há quase um mês no olho do furacão que varre o Judiciário. Desde que seu irmão foi preso, acusado de vender sentenças do ministro, não passa uma semana sem que surjam novos indícios do envolvimento de Medina com traficâncias de decisões judiciais. As suspeitas, que levaram o Ministério Público Federal a denunciá-lo por prevaricação, corrupção passiva e formação de quadrilha, fizeram com que Medina se afastasse de suas funções, por força de um atestado médico, até o próximo dia 16. Na semana passada, diante da divulgação de mais uma saraivada de diálogos comprometedores, o ministro pendurou a toga. Pediu afastamento do STJ para se defender das acusações. O pedido foi aceito pelo tribunal. Poucos brasileiros acusados criminalmente terão tantas oportunidades de se defender como Paulo Medina. Mesmo sem trabalhar, ele continuará morando em um apartamento funcional, terá um automóvel à disposição e continuará recebendo o salário de 23.200 reais.

A mais recente denúncia envolvendo o ministro aparece num diálogo telefônico, gravado pela PF em dezembro passado, no qual ele adianta sua decisão para o advogado interessado. Além disso, dá dicas de como o acusado deve proceder para safar-se da acusação de uso de documento falso. "Manda ele fazer... Manda ele fazer sustentação, xará. Manda ele fazer sustentação", diz Medina. O advogado, Paulo Eduardo Almeida de Mello, agradece. Medina arremata: "Você manda! Você manda, viu? Você manda!". No dia seguinte, Medina, relator do caso, votou a favor do réu e, como é costume no STJ, foi acompanhado pela maioria dos outros ministros. O diálogo não revela nenhum pedido de propina por parte do ministro e, diante de tudo o que já se sabe sobre ele e seu irmão, parece um fato menor, mas não é. Um magistrado não pode, em circunstância nenhuma, orientar um advogado e depois ainda decidir em seu favor.

 

Joedson Alves/AE
O ministro Barbosa, do STF, preside inquérito em que se investigam três ministros do STJ: bomba

A ofensiva sobre os homens da toga produziu mais desdobramentos na semana passada. O STJ, a corte que só afastou Medina a pedido do próprio investigado, decidiu mandar para casa o desembargador Dirceu de Almeida Soares, do Tribunal Regional Federal com sede em Porto Alegre. Ele foi denunciado por advocacia administrativa, estelionato e formação de quadrilha. Segundo a denúncia, aceita pelo STJ, o desembargador pressionava seus colegas para que decidissem favoravelmente aos interesses de advogados com quem tinha estreita ligação. Um dos advogados é Roberto Bertholdo, preso em dezembro de 2005 sob a acusação de comprar sentenças judiciais. A investigação sobre as traficâncias de Bertholdo, que derrubaram o desembargador, atinge outros integrantes do TRF de Porto Alegre e envolve três ministros do STJ. O envolvimento de ministros do STJ está sendo apurado com o máximo sigilo, em inquérito presidido pelo ministro Joaquim Barbosa, do STF. Ele nega a investigação. Mas ela existe – e pode ser a próxima bomba a estourar no colo da Justiça.

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