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Edição 2007

9 de maio de 2007
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Brasil
O interminável
inferno de Yeda

Contas no vermelho, brigas, demissões – eis
a rotina da governadora gaúcha


Ricardo Brito

Jefferson Bernardes/Palácio
A governadora: ameaça de demitir até secretária da sua cota pessoal

A tucana Yeda Crusius, a primeira mulher eleita para governar o Rio Grande do Sul, teve uma vitória fulminante. Faltando duas semanas para o pleito, a candidata patinava em terceiro lugar nas pesquisas, estava perdendo apoio dentro do próprio partido e não tinha mais marqueteiro, que deixara a campanha acusando a candidata de caloteira. Apesar das adversidades, numa ascensão surpreendente, Yeda Crusius conseguiu passar para o segundo turno e acabou vencendo o petista Olívio Dutra ao receber 54% dos votos do eleitorado gaúcho. Depois da virada espetacular, que encerrou um período de doze anos de domínio do PT e do PMDB no governo gaúcho, a governadora mergulhou num ciclo infernal que parece não ter fim. Antes mesmo da posse, brigou com seu vice, o empresário Paulo Feijó, do antigo PFL. Em apenas quatro meses de governo, já perdeu dois secretários, reduziu sua bancada na Assembléia Legislativa e ainda tenta evitar a criação de CPIs. "Cada crise que aparece eu enfrento. Não contemporizo. Todos sabem que aqui tem governo", diz ela.

O inferno de Yeda começou em dezembro passado, quando pediu ao então governador, Germano Rigotto, que enviasse à Assembléia Legislativa um pacote para enfrentar a lamentável situação das finanças do estado. Fechando suas contas no vermelho há 35 anos, o Rio Grande do Sul tem a maior dívida e o maior gasto com funcionalismo em relação à sua receita. O pacote foi rejeitado com o inusitado apoio do vice, Paulo Feijó. Daí em diante, Yeda rompeu relações com ele. Já recusou oito convites para viajar para o exterior, só para não lhe transmitir o cargo. Na semana retrasada, em outra medida para acertar as contas, a governadora lançou 1 bilhão de reais em ações do banco do estado, o Banrisul. A oposição, novamente, contou com a adesão do vice, que tem feito denúncias de corrupção contra dirigentes do banco. A governadora chegou a distribuir nota acusando Feijó de ser "desequilibrado" e agir de modo "irresponsável, leviano e inaceitável".

Jefferson Bernardes/AE
Feijó, o vice: rompimento antes da posse

É impressionante a velocidade com que se deteriora o apoio político à governadora, que não teve direito nem aos clássicos 100 dias de calmaria com que a oposição costuma presentear o eleito. Mas os problemas de Yeda têm sido, quase sempre, dentro do seu próprio círculo. Na Assembléia Legislativa, onde tinha o apoio de 42 dos 55 deputados, sua maioria já está ameaçada. Quando rompeu com o vice, perdeu o apoio de parlamentares do velho PFL. A bancada governista caiu para 39. No início de abril, com apenas três meses de governo, Yeda demitiu o secretário de Segurança Pública, o pedetista Enio Bacci, que bateu boca com um delegado num programa de rádio. Com isso, outro secretário do PDT pediu demissão e os sete deputados do partido se bandearam para a oposição – e o apoio à governadora caiu para 32 parlamentares. A demissão mais esperada, agora, é da secretária do Meio Ambiente, Vera Callegaro. Sem vínculo partidário, ela é da cota pessoal da governadora.

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