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Diogo
Mainardi A morte do garoto de programa
"O jornal Hora do Povo
recomendou minha morte. Seus combatentes dizem saber o que o 'vil metal'
significa para mim. Eu sei o que o 'vil metal' significa para eles. O MR-8
pulou heroicamente do terrorismo para o colo de Orestes Quércia. Passou
por Anthony Garotinho. Fez negócios com Saddam Hussein. O lulismo
está financiando o MR-8 com o 'vil metal' dos meus impostos. É
como se eu pagasse para alguém me matar" O
jornal Hora do Povo recomendou minha morte. A fatwa foi publicada
na semana passada, em artigo de primeira página:
Condenado com seus patrões da VEJA
a pagar 30.000 reais ao ministro Franklin Martins, em processo por calúnia,
o garoto de programa Diego Mainardi houve por bem se auto-intitular "o Bacuri
do petismo". Bacuri foi martirizado por 109 dias seguidos no Deops e perdeu a
vida em 1970 por negar-se a revelar aos algozes informações que
pudessem prejudicar o andamento da luta revolucionária contra a ditadura.
Foi um herói na plena acepção da palavra. Já o pequeno
canalha perdeu apenas algum dinheiro. Sabemos o que o vil metal significa para
certo tipo de pessoa. Ainda assim, ao que tudo indica ele está pedindo
para perder algo mais. Pode ficar tranqüilo. Não faltarão almas
pias para fazer a sua vontade.
Eu engulo ser chamado de garoto de programa ou de pequeno canalha. Já recebi
ofensas piores. Fazem parte do meu trabalho. Mas dizer que estou pedindo para
morrer é ir longe demais. O lulismo está cheio de almas pias. Há
almas pias dispostas a roubar. Há almas pias dispostas a chantagear. Há
almas pias dispostas a comprar deputados. Há almas pias dispostas a matar
prefeitos. O risco é aparecer uma alma pia disposta a dar um teco nesse
tal de "Diego". A Hora
do Povo é do MR-8. Durante o regime militar, o grupo se dedicou ao
terrorismo. Especializou-se em assaltos a bancos e supermercados. Depois de sofrer
uma série de derrotas para a ditadura, desistiu do terrorismo em 1972.
A última ameaça de morte do MR-8 foi feita ao diplomata americano
Charles Burke Elbrick, raptado por seus militantes em 1969. Só agora, 38
anos mais tarde, eles ganharam coragem para flertar novamente com o terrorismo,
incitando algum desajustado a fazer comigo o que os assassinos do Deops fizeram
com Bacuri. Os combatentes
da Hora do Povo dizem saber o que o "vil metal" significa para mim. Eu
sei o que o "vil metal" significa para eles. O MR-8 pulou heroicamente do terrorismo
para o colo de Orestes Quércia. Passou por Anthony Garotinho. Fez negócios
com Saddam Hussein. Dois meses atrás, num editorial, o jornal mendigou
uns trocados a Lula, reclamando da falta de publicidade federal desde 23 de agosto
de 2006. Coincidentemente, como mostrou Reinaldo Azevedo em seu blog, os gastos
em propaganda do governo na Hora do Povo foram retomados no número
seguinte à ameaça de morte feita contra mim, com um anúncio
de meia página da Receita Federal. O lulismo está financiando o
MR-8 com o "vil metal" dos meus impostos. É como se eu pagasse para alguém
me matar. Eu sempre zombei
dos lulistas. Mas há um aspecto inquietante nisso tudo. Um aspecto que
vai muito além da bufonaria e da chanchada. O MR-8 defende publicamente
a morte de um cronista da mesma maneira que defende publicamente o terceiro mandato
de Lula. O lulismo desembestou. Os garotos de programa que se cuidem.
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