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Edição 2007

9 de maio de 2007
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Carta ao leitor
Vayan con Dios, amigos

Juan Barreto/AFP
Chávez em seu mundo virtual: isolamento

Os governos populistas da Venezuela, do Equador e da Bolívia estão em um transe anticivilização com cores animistas e uma nova e delirante vertente bélica. Nada disso tem muita conseqüência prática para o mundo e, por isso, tudo é encarado como mais um produto exótico típico dessas regiões. Para o Brasil, porém, a espalhafatosa jornada de volta dos vizinhos ao estado tribal oferece uma rara oportunidade. Ela pode ser resumida pelo título deste texto: Vayan con Dios, amigos! Isso mesmo. O momento de exaltação do venezuelano Hugo Chávez, do boliviano Evo Morales e do equatoriano Rafael Correa oferece a oportunidade de reafirmar quanto o governo brasileiro difere dessa turma em essência e visão de mundo. Eles que afundem sozinhos.

O Brasil, registre-se, já desgarrou desse pelotão do atraso. A entrevista de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, nas Páginas Amarelas da presente edição, é um testemunho de maturidade da política econômica do governo brasileiro, cuja austeridade começa a dar os frutos prometidos na forma de investimentos, geração de empregos e distribuição de renda. Nada mais contrastante com o que se passa fora das paliçadas. Hugo Chávez e Evo Morales usaram o 1º de Maio como palco para shows virulentamente populistas, em nome da nacionalização do petróleo e do gás. Morales está a um decreto de tomar as duas refinarias da Petrobras na Bolívia. Chávez está em surto: ameaça bombardear inimigos com seus novos jatos russos, tomou o controle operacional das grandes companhias de petróleo em atividade na Venezuela e desligou o país do Banco Mundial e do FMI. O coronel anunciou uma futura semana de trabalho de trinta horas e ameaçou nacionalizar os bancos que não derem "prioridade ao financiamento de setores industriais da Venezuela a baixo custo".

VEJA oferece uma reflexão profunda do atual momento da América Latina em um artigo do peruano Alvaro Vargas Llosa que aparece com exclusividade para o Brasil nas páginas desta edição. Carbonário como sempre, Llosa deixa, no entanto, espaço para a esperança. Ele sustenta que toda a esquerdopatia atual só vai atrasar, mas não impedir, o tão esperado desabrochar da América Latina. Que assim seja.

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